314 – Vozes do Além (1974)

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From Beyond the Grave

1974 / Reino Unido / 97 min / Direção: Kevin Connor / Roteiro: Raymond Christodoulou, Robin Clarke (baseado nas histórias de R. Chetwynd-Hayes) / Produção: Max Rosenberg, Milton Subotsky, John Dark (Produtor Associado) / Elenco: Peter Cushing, Donald Pleasence, Ian Bannen, Ian Carmichael, David Warner, Ian Ogilvy

 

Quero começar meu texto falando sobre o pôster de Vozes do Além, que diz o seguinte: “De vez em quando, um filme de horror torna-se um clássico do horror. Em 1931, Frankenstein. Em 1932, Drácula. Em 1968, O Bebê de Rosemary. Em 1974, O Exorcista. Esse ano é Vozes do Além…” Só que NÃO! Só que MUITO NÃO!

É só mais uma antologia da Amicus. Impressionante a capacidade do cinema de terror em repetir uma fórmula até a exaustão. Vozes do Além é outro dos filmes portmanteau do estúdio inglês dos produtores Max Rosenberg e Milton Subotsky, especializado neste tipo de produção, que fez bastante sucesso aqui no Brasil por conta das infindáveis reprises na televisão.

Desta vez, quatro episódios são baseados nas histórias de Ronald Chetwynd-Hayes, autor de diversos contos de fantasmas, ficção científica e antologias de terror. A liga entre os desafortunados é um sinistro antiquário, gerido por ninguém menos que o Cavalheiro do Horror, Peter Cushing, que sempre é enganado pelos compradores de suas antiguidades, que de alguma forma ou de outra tentam levar vantagem nas negociações. Obviamente, eles irão se dar mal no final das contas.

Quer pagar quanto?

Quer pagar quanto?

O primeiro segmento, The Gatecrasher, é o mais legal dos quatro. Edward Charlton (David Warner, famoso dos fãs de terror por seu papel de fotógrafo degolado em A Profecia) compra um antigo espelho por um preço muito menor do que vale, ludibriando o personagem de Cushing, e mal ele sabe que em seu interior, há um terrível demônio sedento de sangue que após surgir a Edward por meio de uma sessão espírita amadora, o tortura mentalmente para que assassine pessoas para alimentá-lo, até que ele consiga se ver livre daquela dimensão soturna do interior do espelho.

O segundo conto é Act of Kindness, onde Christopher Lowe (Ian Bannen) é um sujeitinho que vive uma vida medíocre e mal tratado pela esposa briguenta e insuportável, que faz amizade com Jim Underwood, um vendedor de fósforos e cadarços, veterano da guerra, assim como ele, vivido por Donald Pleasence. Para impressioná-lo, Lowe se diz um soldado condecorado (apesar de ter sido apenas tesoureiro do exército durante a Guerra) e rouba uma medalha de honra da lojinha de Cushing. Underwood o convida para um chá em seu humilde apartamento, onde conhece sua filha, Emily (vivida por Angela Pleasence, filha de Donald na vida real e que é exatamente A CARA DO PAI), pelo qual se apaixona pela sua ternura, afeto e seus bolos deliciosos. Só que Emily é uma sinistra praticante de magia negra que constrói um boneco vodu da esposa carrancuda de Lowe, e pergunta se ele a ordena para que a megera seja morta por ela, a fim de ambos ficarem juntos. Após o feito, quando se casam, que descobriremos, por meio da figura do filho de Lowe com a ex-esposa, quais são as verdadeiras intenções de Jim e sua filha.

The Elemental é a quarta história. Reggie Warren (Ian Carmichael) troca os preços de uma caixinha de rapé que gostaria de comprar na lojinha de antiguidades, e volta para casa com um espírito elemental de um assassino em seu ombro. Avisado pela médium Madame Orloff (Margaret Leighton) durante uma viagem de trem, Warren obviamente não levará em consideração a velha afetada, mas após o espírito zombeteiro tentar estrangular sua esposa durante a noite, ele recorre aos poderes psíquicos da Madame Orloff para praticar um exorcismo e livrá-lo do exu que pende em seu ombro. Tudo fica maravilhoso, até ele descobrir que na verdade, seu espírito possuiu sua esposa, Susan (Nyree Dawn Porter), já que as mulheres são receptores mais suscetíveis.

Madame Orloff sabe!

Madame Orloff sabe!

O último segmento, The Door, traz William Seaton (Ian Ogilvy), um escritor que compra uma porta estranha pechinchada na loja de Cushing. Barganhando o preço de 50 para 40 libras, Cushing vai fazer uma nota e deixa a registradora aberta. Quando volta, começa a contar as notas para ver se o pagamento está todo ali, enquanto corta para a casa de Seaton, onde a porta sinistra é instalada em um armário. Só que aquela porta dá acesso a outra dimensão fantasmagórica, onde ele encontra o tenebroso espírito do Sir Michael Sinclair (Jack Watson) um terrível ocultista da época do Rei Carlos II da Inglaterra, que a criou para prender aqueles que entrassem através dela, e aprisionar suas almas para sempre. O desfecho difere dos demais devido a índole de Seaton.

Ainda há tempo no final do filme, de conhecermos a verdadeira vilania do personagem de Cushing, quando um ladrão (Bem Howard), que está o filme inteiro rondando a loja de antiguidades em busca do momento certo de roubá-la (porém sempre atrapalhado pelos consumidores que entram), tenta colocar seu plano em prática. Após balas não alvejarem o proprietário, o infeliz ladrão é aprisionado em uma esquife, e Cushing, olhando para a tela, convida o espectador a adentrar sua lojinha e comprar uma antiguidade, dizendo que há produtos para todos os gostos, e que vem acompanhado de uma “grande surpresa” ao final.

No frigir dos ovos, o filme é dos mais fraquinhos. Vozes do Além praticamente encerra as antologias de terror da Amicus e é a última que tem Max Rosenberg como produtor. Apenas em 1981, o estúdio, tão famoso por rivalizar com a Hammer, irá lançar seu último filme mosaico, O Clube dos Monstros, também baseado no livro de Chetwynd-Hayes, dessa vez, com Vincent Price no elenco.

Espelho, espelho meu...

Espelho, espelho meu…

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Vozes do Além não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Alguém aí lembrou de “Trocas Macabras” do Stephen King?

    • Cara, sabe que também lembro exatamente desse filme? E sou muito fã do Trocas Macabras, que é um filme que não tem o mesmo hype de outros do King, mas acho muito bom!!!!

  2. Jr. disse:

    Cara, eu tinha esse filme gravado em VHS quando passou na extinta TV MACNHETE ! É realmente um clássico.

  3. clifford disse:

    O link não está mais funcionando.

  4. Felipe disse:

    Link quebrado… Teria como atualizar?

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