321 – A Noite das Gaivotas (1975)

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La noche de las gaviotas / Night of the Seagulls

1975 / Espanha / 89 min / Direção: Amando de Ossorio / Roteiro: Amando de Ossorio / Produção: José Antonio Pérez Giner, Modesto Pérez Redondo, José Ángel Santos (Produtor Executivo) / Elenco: Victor Petit, María Kosty, Sandra Mozarowsky, José Antonio Calvo, Julia Saly

 

A Noite das Gaivotas é o quarto e último filme da série dos cavaleiros templários zumbis cegos do espanhol Amando de Ossorio, que se iniciou em 1972 com A Noite do Terror Cego, e seguiu com O Retorno dos Mortos-Vivos e O Galeão Fantasma.

E a quadrilogia se encerra com chave de ouro, diga-se de passagem. E uma coisa que sempre salta aos olhos é que, apesar da precariedade, o baixo orçamento, e todos os filmes envolverem os mortos cegos, Ossorio em seus roteiros sempre consegue um jeitinho de trazê-los de volta em uma nova história, com novos elementos, porém sem ligação nenhuma com as anteriores, fazendo com que você possa assistir aos quatro filmes independentes, sem nenhuma amarra cronológica.

Esse é o caso de A Noite das Gaivotas, onde um enredo completamente novo (climático e apavorante, por sinal) traz os cavaleiros hereges desta vez envolvidos com uma terrível criatura demoníaca subaquática, para quem eles fazem sacrifícios de sangue. Há todo um clima extremamente característico de uma história de H.P. Lovecraft aqui: uma comunidade insalubre que vive em uma cidade decadente nas encostas do oceano, comparsas dos mortos cegos que adoram essa divindade e oferecem belas jovens a elas, e um médico e sua esposa alocados ali que logo percebem que alguma coisa muito errada acontece com aquela vizinhança. Poderia muito bem ser um crossover entre A Sombra de Insmouth ou Dagon, com os zumbis de Ossorio.

De tempos em tempos, durante sete noites, os incautos moradores daquela cidadezinha miserável são obrigados a oferecer suas belas filhas para que os monstros blasfemos que voltam à vida arranquem seus corações e deem para uma inominável figura de pedra entalhada na forma de um demônio anfíbio. E depois são devoradas pelos mortos-vivos canibais e seus restos mortais deixados para os caranguejos gigantes fazerem uma boquinha. Caso essas jovens não sejam oferecidas ao sacrifício, os cavaleiros matarão todos da cidade, então eles nem pensam duas vezes em condenar as próprias filhas.

Só o pó...

Só o pó…

E exatamente durante estas sete fatídicas noites que um médico forasteiro, o Dr. Henry Stein muda-se para a cidade com sua esposa, Joan, para substituir o atual, que não vê a hora de sair correndo daquela maldita rocha antes que a noite dos sacrifícios, com suas procissões sinistras, cantos gregorianos macabros, sinos e grasnar das gaivotas, comece novamente. Como regra padrão deste tipo de filme, os moradores irão tratar o casal super mal e com desconfiança, deixando bem claro que eles não são bem vindos ali, recusando-se até a vender mantimentos na única mercearia do vilarejo.

O casal ainda acolhe o vagabundo Teddy, que tem problemas mentais e é atacado pelos outros moradores, e Lucy, a quem eles contratam como ajudante na casa. Mas logo vai chegar a vez da moça, e é quando os dois tomarão conhecimento dos horríveis rituais praticados naquela ilha, mesmo já desconfiando que algo está muito errado desde a primeira noite, e irão encarar os maltrapilhos mortos-vivos que cavalgam pelas praias com seus cavalos mortos brandindo suas espadas.

Assim como o longa anterior, O Galeão Fantasma, A Noite das Gaivotas não se preocupa em trazer nenhuma explicação de como aquela leva de cavaleiros se tornou zumbis cegos, mas obviamente, se consegue ter uma ideia que sua ordem fora desbaratada com seus membros mortos como aconteceu nos dois primeiros filmes da série. E como de costume, apesar da pobreza, o visual dos cadáveres esqueléticos esfarrapados é bem bacana, assim como a trilha sonora fúnebre. E ponto para Ossorio que não quis inventar demais e fazer cenas mirabolantes que exigiriam o mínimo de recursos para efeitos especiais e correriam o risco de ficarem vexatórias (como aconteceu em O Galeão Fantasma, por exemplo, com o barquinho de plástico afundando em uma banheira ou as caixas de fósforo no fundo do aquário simulando caixões jogados ao mar). Apostou no simples, no clima soturno, nas doses de sangue e nos peitinhos de fora, claro.

Diferente de seus antecessores, A Noite das Gaivotas é centrado em uma atmosfera de horror mais sufocante e genuína, só que como sempre, acaba se perdendo na própria falta de grana para um trabalho mais satisfatório. Não obstante, o cenário desolador é magistralmente captado pelas lentes de Ossorio, assim como o roteiro é dos mais bacanas, sendo que com toda certeza, este exemplar é um dos melhores e mais bem feitos da série. Quer uma dica do blog? Vale ver todos juntos em uma maratona tosca!

Mortos cegos sempre se dando bem...

Mortos cegos sempre se dando bem…

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Noite das Gaivotas não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Algum de vocês dois tem perfil no FILMOW?

    • Não, Paulão. E aqui no blog sou só eu. O Bruno só é meu wingman no Horrorcast! 😉

      Mas já me fizeram essa perguntas outras vezes? Qualé de fazer um perfil lá? Vale a pena?

      Abs

      Marcos

  2. […] Com um orçamento baixíssimo, os mortos cegos impressionam até que bastante, com sua aparência esquelética, vestimentas maltrapilhas e rostos sem olhos, enquanto cavalgam pelos campos abertos como arautos da morte, acompanhados por uma trilha sonora macabra, com o rufar sequencial de tambores e uma espécie de canto gregoriano sinistro. E diferente do que Romero propunha com sua crítica social em A Noite dos Mortos Vivos, Ossorio não quer nem saber de passar nenhuma lição de moral e dá-lhe canibalismo, com os zumbis templários bebendo sangue de suas vítimas e muita mulher pelada com os seios de fora, plantando a semente do que seria o cinema gore dali para frente, principalmente tratando-se de produções europeias, deixando bem claro que nós não passamos de sacos de carne e sangue e que a beleza feminina e os corpos jovens, são meros convites para serem destruídos, devorados e deturpados. E os mortos cegos de Ossorio fizeram tanto sucesso que viraram uma quadrilogia depois com os filmes O Retorno dos Mortos-Vivos, O Galeão Fantasma e A Noite das Gaivotas. […]

  3. […] em si, todas dirigidas por Amando de Ossorio, que lançaria nos próximos anos O Galeão Fantasma e A Noite das Gaivotas. Excelentes exemplares do cinema fantástico espanhol, assim como do cinema splatter europeu dos […]

  4. Moiseszera disse:

    O link está offline. Poderiam reupar?

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