330 – Comunhão (1976)

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Alice, Sweet Alice / Communion / Holy Terror

1976 / EUA / 98 min / Direção: Alfred Sole / Roteiro: Rosemary Ritvo, Alfred Sole / Produção: Richard K. Rosenberg, Marc G. Greenberg (Produtor Associado), Alfred Sole (Produtor Executivo) / Elenco: Linda Miller, Mildred Clinton, Paula Sheppard, Niles McMaster, Jane Lowry, Brooke Shields

 

Comunhão podia ser um filmaço! Mas não o é, infelizmente. O diretor Alfred Stole, com roteiro escrito pelo próprio e por Rosemary Ritvo, tinha a faca, a máscara e a capa de chuva (e o queijo) na mão para entregar um excelente thriller nos melhores moldes dos filmes slasher, e não só isso, criar mais um daqueles imortais personagens ícones do terror, mas ele consegue derrapar tão feio em sua empreitada, que chega a dar raiva.

Completamente pretensioso, Comunhão (que tem uma estética absurda de filme feito para TV, porém com uma dose maior de violência gráfica e sadismo) traz aquele velho expediente de que “as aparências enganam” em filmes de mistério e retratar a inocência perdida de uma garotinha, que parece mais o capeta em forma de guria, ao melhor estilo A Tara Maldita.

Bem, no começo dos anos 60, a Alice, doce Alice (não tão doce assim), vivida por Paula Sheppard é uma pré-adolescente de 12 anos da pá virada, malcriada e com desvios comportamentais dignos de uma pequena psicopata, que mora com sua mãe divorciada, Catherine (Linda Miller) e sua irmã mais nova, Karen, de 9 anos, primeiro papel de Brooke Shields no cinema, em uma chuvosa Nova Jersey. Não preciso dizer que o maior passatempo de Alice é importunar sua irmã mais nova, torturando-a psicologicamente, agredindo fisicamente e escondendo sua boneca. Coisas de irmã. E tem um baita ciúmes da mana boazinha.

A família é muito católica, e o padre Tom (Rudolph Willrich) é amigo íntimo de Catherine e vive mimando a pequena Karen, dando-lhe até um crucifixo de presente na véspera de sua primeira comunhão. A tragédia do filme acontece quando Karen é brutalmente assassinada durante a cerimônia, esfaqueada por uma sinistra figura usando uma capa de chuva amarela e uma máscara de plástico, colocada dentro de um baú na sacristia e incendiada. Um drama terrível se abate sobre os Spages e a principal suspeita passa a ser Alice, que tinha rixas com a irmã, anda para cima e para baixo com uma capa de chuva idêntica e não estava presente na igreja no momento de seu assassinato, aparecendo depois com o véu da menina morta para receber a hóstia em seu lugar.

Máscara da morte

Máscara da morte

A casa dos Spages vai virar um pesar e o comportamento errático de Alice irá colocar todas as suspeitas tanto da polícia e dos espectadores em cima dela. Seu pai divorciado, Dom (Niles McMaster) está obstinado a ajudar a filha e tentar descobrir o verdadeiro assassino, enquanto sua tia, irmã de Catherine, a megera Annie (Jane Lowry) quer arrumar uma forma de culpá-la e que a polícia concentre suas investigações na sobrinha psicótica. O caldo só entorna mais quando Annie é esfaqueada nas escadas do prédio onde moram, pela mesma figura de capa de chuva e máscara, e Alice é levada para uma instituição psiquiátrica. Porém, enquanto está ali confinada, Dom, bancando o detetive é levado para uma pista falsa e brutalmente assassinado (na melhor cena de todo o longa). Neste momento já nos é apresentado, faltando ainda meia hora para o término do filme, quem é o verdadeiro(a) assassino(a) e suas motivações.

ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Numa faceira tentativa de surpreender o espectador, o personagem mais sem sentido do filme é apresentado como o assassino desequilibrado. Ou melhor, assassina. Estamos falando da Sra. Tredoni (Mildred Clinton), uma velha beata que é platonicamente apaixonada pelo padre Tom e tem ciúmes de Catherine, pois o carola “é só dela, e não dessas putas”, e teve também sua filha morta há muito tempo, exatamente quando ela também faria sua primeira comunhão. Aí você sinceramente quer largar mão do filme, mesmo que a interpretação da atriz seja bastante convincente e impactante. Mesmo com um desfecho ambíguo que continua apostando que Alice é ruim até a espinha e desprovida de sentimentos humanos.

Agora o melhor e mais aterrador personagem de Comunhão não é nem o(a) famigerado(a) assassino (a) e nem a diabólica Alice, e sim, o senhorio do apartamento, Sr. Alphonso. Ele é um obeso mórbido escroto, criador de diversos gatos (que os chama de seus bebês) em seu apartamento sujo e fedido (segundo Alice), que também é um pedófilo tarado (só de ver a cara dele já dá para imaginar isso). Interpretado impecavelmente por Alphonso DeNoble, bem que o sujeito poderia ser um aterrorizante psicopata se a história fosse diferente, mas seria impossível, pois ele nunca caberia em nenhuma capa de chuva do mundo inteiro (só se fosse feita de lona de caminhão…), não teria destreza e furtividade para cometer nenhum crime e morreria de infarto a primeira ação de fuga que participasse. O balofo só tem três filmes no currículo e morreu dois anos depois deste aqui ser lançado nos cinemas. Além de que não era ator, e trabalhava como leão de chácara em um bar gay de Nova Jersey e às vezes colocava uma roupa de padre e rondava os cemitérios arrancando um troco das pobre viúvas em troca de bênção, como donativo para sua “igreja invisível”. Sujeitão escroto.

Voltando ao primeiro parágrafo, Comunhão poderia ser um PUTA filme. Não é ruim, tem algumas cenas de assassinato bem angustiantes, a história mesmo clichê vai lhe prendendo, a direção de Sole é recheada de aptidões e estilos, até quando usa algumas técnicas e ângulos inventivos, possui um clima sufocante, mas peca na hora de desvendar o assassino para os público e suas motivações canhestras. Foi lançado nos cinemas americanos em 1976 com o nome de “Communion”, mas em 1978, relançado, aproveitando o hype em torno de Brooke Shields por Menina Bonita de Louis Malle, com o nome de “Alice, Sweet Alice”, mas comumente conhecido, forçado pela distribuidora Allied Artists para que não ficasse caracterizado como um filme religioso. Chegou a ser lançado em VHS no Brasil pela extinta Continental e exibido na tela da Bandeirantes.

Doce alice

Alice é doce mas não é mole não

Serviço de utilidade pública:

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

6 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    “Comunhão” está disponível em dvd sim.

  2. Paulão Geovanão disse:

    Por nada. Sempre á disposição

  3. […] de um poderoso figurão do petróleo, é com o gordão escroto Alphonso DeNoble, o mesmo de Comunhão) e na criação de um bando de mulheres que são tratadas como animais, vivendo enjauladas e tendo […]

  4. Alkaizen disse:

    Link quebrado

  5. Antoinette disse:

    Essa foi a pior crítica que eu já li, vocês expõe muito a sua opinião, poe exemplo, seu preconceito com a aparência da pessoa (você falou diretamente sobre a aparência do Alphonso ser de um pedófilo), além desse preconceito, ainda faz uma brincadeira ofensiva sobre o peso dele, com isso, você acredita o quê? Que seus leitores são todas pessoas magras que vão achar graça? Os leitores com mais peso são excluídos daqui? Eu sequer consegui terminar de ler a sua crítica, embora acredite que só podemos falar sobre algo se conhecemos o assunto, mas não consegui. Você deveria repensar seu modo de escrever e sua índole.

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