333 – A Fúria das Feras Atômicas (1976)

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The Food of the Gods

1976 / EUA / 88 min / Direção: Bert I. Gordon / Roteiro: Bert I. Gordon (baseado na obra de H.G. Wells) / Produção: Bert I. Gordon, Samuel Z. Arkoff (Produtor Executivo) / Elenco: Marjoe Gortner, Pamela Franklin, Ralph Meeker, Jon Cypher, Ida Lupino, John McLiam

 

E esse nome, hein? A Fúra das Feras Atômicas, tradução de “The Food of the Gods”, e que em sua trama, não tem absolutamente NENHUMA relação com energia atômica transformando ratos, vepas, vermes e galinhas em animais gigantes. Picaretagem brasileira no título, para uma das mais célebres picaretagens do cinema trash setentista, cortesia do lendário Samuel Z. Arkoff.

Se você é fã do blog e está ligado aqui na lista dos filmes, sabe que Samuel Z. Arkoff, junto com James H. Nicholson foram os executivos por trás da infame American International Pictures, produtora famosíssima por seus filmes de baixo orçamento e incrivelmente toscos, lançados durante os anos 50, e pelas célebres adaptações dos contos de Edgar Allan Poe dirigidos por Roger Corman e estrelados por Vincent Price nos anos 60. Obviamente, um filme com o calibre de A Fúria das Feras Atômicas, só poderia vir de sua produtora.

Dirigido pelo canastra Bert I. Gordon, o roteiro escrito pelo mesmo é baseado livre e parcialmente no livro “O Alimento dos Deuses”, escrito em 1904 por ninguém menos que o mestre da ficção científica literária H.G. Wells, que tem eu seu currículo “A Ilha do Dr. Moreau”, “Guerra dos Mundos” e “A Máquina do Tempo”, entre outros. No livro, dois cientistas britânicos criam um alimento que provoca um crescimento contínuo e desproporcional em animais e homens, tornando-os gigantes. Sátira contra o medo do avanço tecnológico naqueles tempos.

O filme, ao melhor estilo “a natureza contra-ataca” se apossa apenas deste alimento misterioso, que brota da terra em uma granja na Columbia Britânica (que me lembrou bastante de A Coisa, sabe?). O casal Skinner descobriu o produto e deu de comer para suas galinhas, misturado com sua ração tradicional, dando origem a super galináceos gigantes. Só que outros animais também comeram do tal “alimento dos deuses”, o que resultou em um bando de ratos gigantes, vespas e larvas de tamanho descomunal à solta por ali.

Chame a Higitec!

Chame a Higitec!

Morgan (Marjoe Gortner), um jogador de futebol americano resolve passar um final de semana selvagem na ilha junto com seu amigo Davis (Chuck Courtney) e seu relações públicas, Brian (Jon Cypher) que acaba resultando na morte de Davis por conta das picadas de uma vespa gigante (sua ferroada equivale a 200 delas). Após levar o corpo do amigo de volta ao continente, Morgan e Brian resolvem retornar à ilha para investigar, e lá ficarão cercados pelas malditas vespas e uma infestação de ratos gigantes famintos, junto da Sra. Skinner, do ganancioso Bensington (Ralph Meeker) que quer de toda forma adquirir o direito de comercialização do produto sem pensar nas consequências, da bacteriologista Loma (Pamela Franklin) e do casal cujo trailer quebrara no meio da estrada, Thomas (Tom Stovall) e a grávida Rita (Belinda Balaski).

O filme é basicamente centrado nesta luta pela sobrevivência contra os animais anabolizados, principalmente da ninhada de ratos, liderados por um gigante rato branco, que querem fazê-los em picadinhos. Confinados, além das ameaças da fauna, também tem de lidar com os velhos conflitos humanos de interesses, uma maluca beata extremamente religiosa, histeria e ainda com a mulher grávida preste a dar a luz. Mas esqueça de todos esses nuances, as críticas sociais e ecológicas do roteiro ou mesmo as atuações fraquíssimas. Porque o que realmente importa aqui, são os animais.

Como disse lá em cima, A Fúria das Feras Atômicas é um dos mais clássicos filmes trash de todos os tempos, e logo nos dois primeiros ataques, quando David é subjugado por vespas gigantes que são meros efeitos óticos de trucagem colados na tela, e Morgan tem de sair na mão com um galo maior que ele, já vale todo o filme. Inclusive a luta homem x galinha me lembrou muito o velho combate entre Peter Griffin e o galo que é sua nêmese em Uma Família da Pesada.

Kentucky Giant Chicken

Kentucky Giant Chicken

Claro que não irá parar por aí. Muito belos motivos de risos acompanharão a empreitada dos heróis até a conclusão pessimista e bem sacada no filme. Mas há uma grande curiosidade que permeia a produção, que foi exatamente a combinação bizarra entre efeitos tosquíssimos, principalmente aqueles em que animais são colocados perto dos humanos usando truques de câmeras, ou quando os ratos estão atacando carros e casas de brinquedo, e outros realmente decentes, quando foram usadas cabeças mecanizadas dos animais.

Seis diferentes cabeçonas de ratos foram criadas (todas sempre filmadas em close ups quando roendo os seres humanos) e quatro sujeitos usaram roupas de ratos em algumas cenas, ao melhor estilo suitmation. E vou te falar que esse momento em que os animais investem sua fúria é até dos mais bem feitos, exatamente por não tentar ser pretensioso (mesmo se tratando de anos 70) e primar pelo simples: ângulo fechado apenas nas cabeças dos animais gigantescos dilacerando humanos. E por falar em dilacerar, há uma boa dose de gore para saciar os amantes dos banhos de sangue escorrendo pela tela.

O filme é uma piada de mau gosto obviamente e H.G. Wells deve ter se revirado no túmulo quando em seu lançamento. Para o espertalhão do Samuel Z. Arkoff, foi uma galinha de ovos de ouro gigante (com o perdão do trocadilho), afinal, foi a maior bilheteria da AIP no ano (o que levou a novas adaptações do pobre Wells com seu já famoso “selo de qualidade”, incluindo o clássico A Ilha do Dr. Moreau com Burt Lancaster e o campeão de reprises da Sessão das Dez, O Império das Formigas). A Fúria das Feras Atômicas é aquele típico exemplo de que de tão ruim, fica bom. Divertidíssimo e digno para os fãs tanto das porcarias eco-horror lançadas a rodo nos anos 70 (maldito Tubarão de Spielberg!) quanto do cinema tosqueira em seu estado mais bruto.

Roedores elétricos

Ratos elétricos

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Fúria das Feras Atômicas não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Esqueceu de citar “A noite dos coelhos”.

  2. […] diretor e equipe responsáveis pelo igualmente
    tosco A Fúria das Feras Atômicas, lançado no ano anterior, que foi
    um baita sucesso comercial para a produtora de Arkoff e que
    […]

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