334 – Grizzly – A Fera Assassina (1976)

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Grizzly

1976 / EUA / 91 min / Direção: William Girdler / Roteiro: Harvey Flaxman, David Sheldon / Produção: Harvey Flaxman, David Sheldon, Lee Jones (Produtor Associado) e Edward L. Montoro (Produtor Executivo) / Elenco: Christopher George, Andrew Prine, Richard Jaeckel, Joan McCall, Joe Dorsey, Charles Kissinger

 

Existem certos tipos de situações que apenas o eco-horror é capaz de nos presentear. Grizzly – A Fera Assassina está repleta delas. Às vezes, não sei se agradeço a Steven Spielberg por ter feito Tubarão, que é o filme da minha vida, ou se o amaldiçoo pelo mesmo motivo, devido a quantidade de ataques animais bagaceiras que foram lançados no cinema consequentemente.

Claro, que com o blockbuster tendo faturado milhões de dólares e se tornado uma febre, todo mundo resolveu tirar sua casquinha e colocar o homem enfrentando predadores terríveis da nossa fauna. No caso desta bomba é um urso pardo, mas no subgênero que pegou rabeira em Tubarão já nos deparamos com polvos, piranhas, abelhas, crocodilos e por aí vai.

Dirigido por William Girdler, diretor de Abby, famosa e infame versão blaxploitation de O Exorcista, Grizzly – A Fera Assassina é diversão pura. O fiapo do roteiro segue um urso pardo gigante de 7 metros de altura que está tocando o terror em uma reserva florestal, destroçando campistas incautos e se alimentando deles. E sabe como é, depois que um urso pega gosto por carne humana, saia da frente que ele nunca mais vai querer mel. Cabe ao guarda florestal Michael Kelly (Christopher George) tentar abater o animal, que vai deixando um rastro de sangue e morte no local.

E a contagem de cadáveres realmente é o trunfo do filme. Mesmo que a maioria dos ataques seja off screen ou com o braço de alguém vestido de pele de urso, vemos algumas cenas antológicas de sangreira por conta do ataque violento da fera, que vai desde dilacerar o rosto de suas vítimas com suas poderosas garras, destroçar alguns campistas e o momento mais emblemático de todos, quando amputa a perna de um garotinho que brincava com seu fofo coelhinho branco e depois ainda arrebenta com a sua mãe. E não tem como deixar passar também a fantástica cena em que com uma patada, o urso decapita um cavalo em movimento, jogando sua cabeça para longe!!!! E na sequência ele desfere a mesma patada em um reles mortal que fica apenas com um arranhãozinho.

"He He Hei Catatau"

“He He Hei Catatau”

Mas o que mais chama a atenção mesmo em Grizzly é a cara de pau, o descaramento sem tamanho com que ele copia o roteiro de Tubarão, trocando a praia e o oceano por uma floresta temperada americana. Vamos brincar de comparar os filmes? Pois bem, como o grande branco, o urso pardo é um predador gigante atacando turistas, nunca mostrado em seu começo do filme para elevar a carga de suspense (ou mascarar o baixo orçamento, entenda como quiser, apesar do urso amestrado que aparece nas cenas reais ser bem convincente e assustador). Uma destas turistas mortas justamente é interpretada por Susan Backlinie, a exata primeira garota que vai nadar nua de noite e é abocanhada pelo tubarão Bruce na cena de abertura, que aqui vai nadar sozinha de topless em uma cachoeira.

O guarda florestal Michael Kelly quer de todo jeito fechar o parque quando as mortes começam, tal qual o chefe Brody, mas adivinhe se o administrador da reserva, Charles Kittridge (Joe Dorsey) vai querer perder a grana dos turistas? Também já viu isso em algum lugar né? Então para tentar deter os ataques, Kelly se une a um naturalista, Arthur Scott (Richard Jaeckel) – que poderia ser um oceanógrafo como o Matt Hooper de Richard Dreyfuss se o filme se passasse no mar – e o guia florestal Don Stober (Andrew Pine), que pilota um helicóptero e é um veterano da Guerra do Vietnã. Qualquer semelhança com Quint (Robert Shaw) que pilota um barco e era um veterano da II Guerra Mundial é mera coincidência, tá?

Acha que acabou? Claro que não! Kittidrige ainda autoriza caçadores para adentrar a floresta na tentativa de dar cabo do urso, prometendo-lhes uma boa recompensa se o animal for abatido, e há até uma história contada em volta de uma fogueira sobre um grupo de índios que foi cercado e dizimado por um bando de ursos (só faltava o sujeito cantar “Spanish Ladies” na sequência para completar). Aí vai um ALERTA DE SPOILER deliciosamente divertido, então pule para o próximo parágrafo ou leia por sua diversão e risco: ambas as criaturas são destruídas com uma dramática explosão. Mas enquanto o tubarão tem um cilindro de ar em sua boca que recebe um tiro e explode, aqui o Zé Colmeia revoltado é à prova de bala, e depois de Kelly e Stober descarregarem a munição de duas espingardas de caça e não fazer nem cócega no bicho, eis que Kelly saca uma BAZUCA do helicóptero e o manda para os ares. Mas o melhor de tudo é que o animal deveria se despedaçar e voar sangue e partes para todo o lado, mas nada disso acontece, apenas uma explosão espetaculosa onde ele simplesmente desintegra no ar. Sensacional!

Impossível não dar boas risadas com Grizzly – A Fera Assassina. Tosquice no grau máximo, como todo bom eco-horror que se preze. Infelizmente o filme não tem legendas em português e rola na Internet por aí uma versão dublada, mesmo que com a dublagem clássica da Sessão da Tarde, com péssimo áudio onde certos momentos nem conseguimos entender o que se fala. Se o seu inglês é bom, procure o filme com áudio original, se não, essa versão é o que tem para hoje.

Encare minha bazuca, urso maldito!

Encare minha bazuca, urso maldito!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Grizzly – A Fera Assassina não foi lançado em DVD no Brasil.

Download: Torrent (sem legenda em português) aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

2 Comentários

  1. André Guilherme Portocarrero disse:

    Bixo, eu assisti este filme no cinema…um clássico trash inesquecível…que vem à mente nestes dias bobeira que a gente fica em casa no no final de ano aguardando as ceias… na maratona de folmes…vou atrás pra rever e simplesmente adorei sua resenha!

  2. André Guilherme Portocarrero disse:

    Cara… eu me lembro por volta de 1978…um filme no mesmo estilo cuja fera é um Yeti/pé grande…se passa numa estação de esqui…se vc garimpar esse ganha o troféu caça piolho…me avisa!

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