338 – A Mansão Macabra (1976)

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Burnt Offerings

1977 / EUA, Itália / 116 min / Direção: Dan Curtis / Roteiro: William F. Nolan e Dan Curtis (baseado no livro de Robert Marasco) / Produção: Dan Curtis, Robert Singer (Produtor Associado) / Elenco: Karen Black, Oliver Reed, Bette Davis, Burgess Meredith, Eileen Heckhart, Lee Montgomery

 

Dentro do gênero das casas mal-assombradas, A Mansão Macabra é um daqueles maiores exemplos. Filme que tem a década de 70 cuspida e escarrada em seus longos 116 minutos de duração e traz diversos elementos característicos deste tipo de produção, que hoje podem parecer clichê, mas se pensarmos que essa fita é de 1976, acaba tornando interessante o quanto ele foi influenciador de obras vindouras.

Assistir A Mansão Macabra é como um ver um grande mix de tudo que funciona no subgênero. E mais é ver influências rasgadas de clássicos como Os Inocentes, Desafio do Além e A Casa da Noite Eterna, e antecipando tendências vistas em grandes clássicos que ainda sequer foram lançados, como Terror em Amityville e até o próprio O Iluminado de Stephen King (o filme de Kubrick é de 1980 e o livro de 1977).

Ou seja, trocando em miúdos: um casarão que tem uma maligna força sobrenatural que começa a influenciar um casal de moradores com seu filho e tia que acabaram de se mudar como inquilinos para o local. O marido vira um surtado psicótico, a esposa uma reclusa, obcecada pela casa com um TOC no nível um milhão, a velha senhora cansada e sem disposição como se a casa lhe sugasse a energia vital e o filho mais novo que paga o pato e sofre as piores mazelas.

Lar, assombrado lar

Lar, assombrado lar

Mais que isso, o filme dirigido por Dan Curtis (oriundo da TV, por isso o tão explícito clima de “filme feito para TV” que acompanhamos durante toda a película) e baseado no livro homônimo de Robert Marasco publicado em 1973, não apela em nenhum momento para sustos baratos ou violência gráfica (quer dizer, tirando uma violentíssima morte no terceiro ato), e é calcado apenas no terror psicológico, subentendido, levantando perguntas que ficarão sem respostas, e um clima de suspense crescente.

Bom, a trama é focada no casal Ben (Oliver Reed, de A Maldição do Lobisomem) e Marian Rolf (Karen Black, de Trilogia de Terror, também dirigido por Curtis) e seu filho, David, que junto da tia Elizabeth (a estrela Bette Davis, de O Que Terá Acontecido com Baby Jane?) decidem passar o verão na alugada mansão dos irmãos Allardyce, Arnold (Burgess Meredith, de As Torturas do Dr. Diábolo) e Roz (Eileen Heckart), por míseros 900 dólares por todo o período. E não importa que os dois velhos são sinistros pacas e que há uma estranhíssima condição, que é dividir a casa com a inválida e reclusa mãe de 85 anos dos dois, que ficará confinada em seu quarto. E o casal só deveria deixar uma bandeja de comida na antessala todos os dias, e deixá-la em paz. Quem liga para essas coisas, não é mesmo?

Apesar de relutante, Ben cai nos encantos da esposa que quer muito ficar na casa (também, com aqueles lábios carnudos, aquele nariz e os olhos azuis levemente estrábico de Karen Black, não tem como resistir). Daí o terror começa, com a casa misteriosamente exercendo sua força maligna, primeiro com a impressão de constantemente estar se renovando (telhas e tacos sendo trocados por novos, a piscina impecável, flores renascendo), depois alterando o comportamento errático dos inquilinos (obviamente o pai enche-se de violência psicótica e quase mata o filho afogado na piscina e tenta abusar da esposa, a mulher torna-se alienada, essas coisas básicas que vem com o pacote quando se vive em uma casa mal assombrada) e por aí vai.

Espelho, espelho meu

Espelho, espelho meu

Mas o grande suspense que prenderá a atenção do espectador até seu derradeiro clímax é todo o mistério envolto com a velha Sra. Allardyce que nunca foi vista por ninguém na casa, e parece exercer um fascínio hipnótico em Marian, que perde horas e horas do dia vendo a sinistra coleção de fotografias da velha (cuja origem será devidamente explicada antes dos créditos, mas que se você é escolado em filme de terror, já vai matar logo de cara), começando até a se vestir como velha (tática também para enganar os quatro meses de gravidez de Black durante as filmagens) ligando-a de forma umbilical àquela residência macabra e colocando-a contra o restante da família que quer sair do local, mas é compelida exatamente ao contrário.

Fica claro (eu espero que fique, na verdade) para o espectador que a casa se alimenta da energia dos ali presentes (e que ela necessita dessa energia para manter-se em pé por mais de um século) manipulando-os por algum poder que nunca é devidamente explicado (Alguém morreu naquela casa? Foi construída em cima de um cemitério índio? O lugar é amaldiçoado?), deixando várias perguntas em aberto, mesmo com seu inconclusivo e pessimista final. Tudo bem que não precisamos de coisa mastigadinha né? E isso já é um alerta para você caso não goste de filmes arrastados, lentos, sem jump scare e com final em aberto. E claro que as ótimas atuações de Reed e Black seguram o rojão e não dá para não sentir um arrepio com a cena da agonizante Bette Davis na cama, ainda mais se você já teve algum ente querido de idade em um estado parecido com aquele.

A Mansão Macabra ganhou o prestigiado Saturn Awards como melhor filme de terror em 1977 (concorrendo com Carrie – A Estranha e A Profecia) e é um daqueles filmes esquecidos e ofuscados por todas essas outras produções de casas mal assombradas. E a curiosidade é que este é um dos preferidos de Stephen King (que convenhamos, deve ter usado como inspiração para escrever sua obra prima).

Bom, fã do horror, este é o último post de 2013. Quero agradecer demais a você por ter acompanhando o blog durante todo este ano que se encerra (e aqueles que conheceram no decorrer do caminho), e por ter também assistido aos episódios do Horrorcast, do TOP CINCO e do HORRORVIEW e desejar um ótimo 2014 (e esperando nos vermos novamente no ano que vem). As postagens entrarão em um breve hiato, mas voltam com tudo já em janeiro, afinal ainda tem filme à beça para escrever até que essa lista chegue até o final.

Grande abraço!

Marcos

Que meda!

Que meda!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Mansão Macabra não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

12 Comentários

  1. Adoro esse filme e é um dos poucos que não trata sobre casa mal assombrada; essa casa é BEM assombrada pra cacete! Ótima escolha e post. 8)

  2. mnasom disse:

    to baixando,acho q nunca assisti esse filme 🙂

  3. […] de casas mal-assombradas lançadas antes, como Desafio do Além, A Casa da Noite Eterna ou A Mansão Macabra. Mas como disse, é um clássico, faturou 86 milhões de dólares de bilheteria, e gerou um número […]

  4. Vulpine disse:

    Louca para assistir!

  5. Lu disse:

    A mariana Ximenes é a cara da Karen Blabk

  6. Charles disse:

    Vendo esse filme ontem, lembrei só por flashes de tê-lo assistido na televisão nos anos 80, não recordava nem a história e nem o final (diferentemente de outros que eu vi na mesma época, esse foi para o fundo do baú da memória). Cara, é muito sinistro, eu estou até agora chocado, rs. O desfecho não sai da cabeça, é horripilante o “Sra. Allardyce?” do personagem Ben e o que vem depois (e quem mandou eu assistir de madrugada com a luz apagada?). Com certeza o Stanley Kubrick bebeu dessa fonte para compor “O Iluminado” (clássico de arrepiar, conheço poucas pessoas que não ficaram impressionadas com esse filme). Definitivamente, não se faz mais filmes de terror como no passado (assisti, por exemplo, o tal “Poltergeist 2015” recentemente e não encontro outra definição para ele a não ser “vergonha alheia”, ridículo é pouco). Eu já vi um monte de filmes de terror, um monte, e digo que “A Mansão Macabra” (Burnt Offerings) é um dos filmes mais assustadores que assisti até hoje.

  7. […] na fonte de outras obras imortais como Os Inocentes, Desafio do Além, A Casa da Noite Eterna e A Mansão Macabra, mas adquirindo o seu próprio toque […]

  8. MARCOS disse:

    Acabei de assisti-lo no youtube. O filme é totalmente inconclusivo do inicio ao fim. Você fica mais com perguntas do que respostas. E aquela aparição do chofer da funerária que aterroriza o Ben desde criança… Cruzes! Muito bom esse filme.

  9. Daniele disse:

    Essa tal senhora Allardyce me fascina, filme perfeito!

  10. karen black e muito gata alem de otima atriz.

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