342 – A Profecia (1976)

The Omen

1976 / EUA , Reino Unido / 111 min / Direção: Richard Donner / Roteiro: David Seltzer / Produção: Harvey Bernhard, Mace Neufeld (Produtor Executivo), Charles Orme (Produtor Associado) / Elenco: Gregory Peck, Lee Remick, Harvey Stephens, David Warner

 

A Profecia, assim como O Exorcista de William Friedkin, é um dos mais importantes grandes filmes de terror dos anos 70 onde o tema principal é focado em uma trama religiosa envolvendo o diabo, ou nesse caso, seu filho, que vem a terra como o Anticristo para destruir tudo que nos é sagrado. Impossível alguém que não tenha assistido ou sequer ouvido falar deste clássico inestimável, e que vez ou outra não chamou aquela criança encapetada carinhosamente de Damien.

Dirigido por Richard Donner, e com um gasto de aproximadamente 6 milhões de dólares só em publicidade pela 20th Century Fox (Tubarão havia feito escola), A Profecia não recebeu a atenção de público e crítica merecido em seu lançamento (mesmo tendo faturado 60 milhões de dólares só nos EUA), talvez por vir na contramão do que havia sendo produzido no universo do terror nos Estados Unidos naquele momento, até pelo filme se passar na Europa, mais precisamente na Itália e na Inglaterra, e isso sempre afugenta americanos do cinema. Mas foi o suficiente para colocar a figura de Damien, o menino endiabrado, vivido de forma convincente até demais pelo pequeno Harvey Stephens, nos anais do cinema.

Tudo começa quando o filho do embaixador americano Robert Thorn (interpretado por Gregory Peck), um influente político e amigo particular do presidente dos EUA, morre no parto. Prevendo que sua esposa ficaria inconsolável, ele descobre através de um padre que uma senhora também morrera ao dar à luz e havia um bebê órfão na maternidade, dando sopa por ali. Em comum acordo, eles decidem esconder a história e Thorn e sua esposa Kathy (Lee Remick) criam a criança como se fosse deles. Só que na verdade o menino é o Anticristo, nascido do ventre de um chacal, que só está na terra para fazer todas as suas maldades e assegurar que o fim do tempos realmente aconteça.

Para isso, ele conta com uma legião de acólitos ao seu lado, como a sinistra Sra. Baylock (Billie Whitelaw), que vem tomar conta de Damien após a babá anterior se enforcar em sua festa de aniversário, assim para toda a criançada ver, e o rottweiller que será o guardião do garoto. E todos que resolvem se intrometer na história, para tentar ajudar o embaixador Thorn a elucidar a história do filho, acabam morrendo de forma trágica, como, por exemplo, o padre Brennan (Patrick Troughton) que é empalado após uma tempestade ou o fotografo Jennings (David Warner) que é decapitado.

Esse bebê é um anjinho! SQN!

Talvez o tema mais controverso de A Profecia é que fica claro o quanto Deus abandonou a humanidade e que era hora perfeita para Satã tentar dominar o mundo e virar as coisas a seu favor. E era  bem esse era o clima de pessimismo e desilusão que dominava os anos 70. Tanto que não foi apresentada nenhuma outra solução religiosa para os personagens principais que não fosse a morte da criança, que deveria ser executada pelo seu próprio pai (enquanto todos que assistem ao filme esperam que Gregory peque! Hein? Hein? Que infame!). E o pior é que até vários padres estão mancomunados e envolvidos na conspiração apocalíptica, então quer dizer que a coisa está feia mesma.

E como não dissociar A Profecia da excelente trilha sonora de Jerry Goldsmith? Definitivamente é um dos pontos altos da fita, com a música tema Ave Satani, ganhadora do Oscar de Melhor Trilha Sonora e que se tornou um clássico absoluto para os fãs dos filmes de terror, com aquele canto gregoriano do mal evocando o ritual de uma missa negra e suas frases em latim como sanguis bibimus / corpus edimus / tolle corpus Satani / ave, ave Versus Christus! / ave Satani! que gelam a espinha.

Outro ponto importante de A Profecia é que com ele, tenho certeza que assim como eu, uma cambada de moleque aprendeu o significado do tal 666, o número da besta, alardeado no longa metragem e até a forma mais plausível de descobrir que Damien é mesmo filho do tinhoso, pois ele deve ter a marca tatuada em seu couro cabeludo desde a nascença. Fora que o seu nascimento que foi o estopim dos acontecimentos que poderão nos levar a danação eterna foi no sexto dia do sexto mês, às 6h da manhã.

A saga de Damien que começou em A Profecia rendeu ainda mais dois filmes que continuam seguindo a vida do filho do coisa-ruim durante sua adolescência (na parte 2) e sua vida adulta (na parte 3), quando torna-se um dos empresários mais poderosos do mundo (interpretado aqui por Sam Neill) e quer eliminar a concorrência da segunda vinda de Cristo para a Terra. Ainda ganhou uma continuação extraoficial feita para a televisão, com uma menina agora no papel de Anticristo e um remake (sempre tem um remake né?) sofrível lançado em 2006, para pegar a carona na data 6/6/6.

Eita, moleque sinistro!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de  A Profecia está atualmente fora de catálogo.

Compre o Blu-ray aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=dMmy3wAKa0I]


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] a produções que estavam por vir nessa década, como O Massacre da Serra Elétrica, O Exorcista, A Profecia e O Despertar dos […]

  2. […] bem perceber uma influência proposital de produções como O Bebê de Rosemary, As Bodas de Satã, A Profecia e Suspiria (inclusive a semelhança física das atrizes). É uma celebração àqueles cinéfilos […]

  3. izabel disse:

    Eu gostaria muito da primeira versão do fime A profecia, o riginal, não remake,
    Se puder me ajudar agradeço

  4. Izabel disse:

    Boa tarde Marcos, agradeço muito pela resposta, estou tentando baixar o arquivo, mas ele baixa muito rápido e só tem 42,24 KB, será que não esta havendo algum erro?

  5. izabel disse:

    Oi Marcos, obrigada mais uma vez consegui baixar o filme, mas infelizmente, este não é o original de 1976, ele é um remake lançado em 2006.
    Acho que nunca mais vou conseguir o original.
    Valeu mesmo obrigada.

    • Marcos Brolia marcosefe disse:

      Izabel, acho que está havendo algum engano. Esse filme é o de 1976, original, dirigido por Richard Donner e com Gregory Peck no elenco.

      Não é o remake de 2006.

      Por via das dúvidas eu baixei o torrent novamente para me certificar, e comprovei realmente que é o filme o original, o mesmo que eu faço a resenha aqui no blog.

      Você deve estar fazendo alguma confusão. É só assistir o filme completo aqui nesse links abaixo do Youtube, que você vai comprar com o que baixou e ver que está com o filme original + legenda no seu computador! 😉

      https://www.youtube.com/watch?v=kkm2rMZXPyg

      Att:.

  6. izabel disse:

    Original e Remake: A Profecia

    Eu criei um post no começo do ano, comentando sobre os dois filmes que representam a primeira parte da saga Sexta-Feira 13. Agora, resolvi retomar essa sessão e, para isso, convidei alguém especial: o Marcelo, do blog Diz que Fui por Aí. Como o admiro, como companheiro de conversas e também como admirador de filmes, convidei-o para vir aqui. Como curiosidade, vale ressaltar que em mais de dois anos, o Marcelo é o primeiro blogueiro a participar com uma resenha ou um artigo.
    ________________________________________________________

    Advertência: o artigo abaixo possui um grande número de relevações sobre o enredo.

    Para os que não me conhecem, meu nome é Marcelo Antunes, proprietário do blog “Diz Que Fui Por Aí…” e colaborador no “Um Oscar Por Mês”. A convite do Luís, escrevi um texto sobre a primeira versão do filme A PROFECIA, levado às telas em 1976, para uma nova sessão do “Literatura e Cinema”, cujo propósito é analisar algumas obras que, alguns anos depois, foram refilmadas. O próprio Luís abriu a sessão, em janeiro passado, com o original e o remake de Sexta-Feira 13. Hoje, ele será o responsável pelo texto da versão de 2006, de A Profecia.

    “Refazer” filmes não é nenhuma novidade no cinema. Algumas vezes eles funcionam, outras não. Devo confessar que, de modo geral, o segundo caso me ocorre mais constantemente. O que Gus Van Sant fez com Psicose? E Tim Burton com o Planeta dos Macacos?

    Quem sabe, numa postagem futura, elucidaremos essas questões? Material é o que não falta! Por ora, no entanto, nosso olhar se debruça sobre THE OMEN – original e cópia.

    Há 34 anos, a 20th Century Fox levava às telas aquele que é, apontado por muitos, como um dos grandes filmes de terror de todos os tempos: A Profecia (The Omen, no original). Baseado no romance homônimo de David Seltzer – que também escreveu o roteiro – , o longa estreou, numa bem sacada estratégia de marketing, em 06 de junho de 1976. Trinta anos depois, quando uma nova versão foi lançada, a estreia ocorreu em 06 de junho de 2006, numa clara alusão ao número 666.

    Sinopse: Katherine Thorn (Lee Reemick) é a esposa do diplomata americano Robert Thorn (Gregory Peck), que dá a luz à uma criança natimorta. Convencido por um padre, o político decide adotar um bebê recém-nascido – tudo arranjado para que Katherine não desconfie de nada – a quem chamam de Damien. O tempo passa, os Thorn mudam-se para a Inglaterra – onde Robert é nomeado embaixador – e Damien se revela uma criança diferente das demais. No seu quinto aniversário, sua babá suicida-se durante sua festa, jogando-se de uma das janelas da casa da família, após discursar em sua homenagem. A cena é capturada por Keith Jennings (David Warner), um paparazzo que, mais tarde, desempenhará importante papel na trama. Esse é apenas o primeiro dos acontecimentos estranhos que envolvem o garoto que, segundo Brennan, um desesperado padre que procura Robert, é o filho de Lúcifer.

    1. Personagens e suas funções na história.

    No original: Damien – O filho do capeta que tem como objetivo dominar o mundo; Robert Thorn – Adotar Damien como filho no lugar daquele que havia morrido. No desenrolar da trama, Robert vê-se obrigado a matar o próprio rebento; Katherine Thorn – Torna-se mãe do menino-capeta sem saber de quem realmente se trata. Acaba sendo vista como possuidora de problemas psquícos; Mrs. Baylock – Misto de babá e guardiã do Anticristozinho.
    No remake: a família Thor praticamente é a mesma do filme original. Robert, Kathy e o jovem Damien foram exatamente recriados a partir dos personagens primeiros, sem que suas personalidades fossem modificadas. Robert, tal como na história de 1976, é o responsável pela adoção de Damien e a primeira pessoa a notar o comportamento estranho (e a potencial origem obscura do garoto) é Kathy, a mãe. A somar, há Mrs. Baylock, a babá de Damien: com o intuito de instruir a formação satânica do garoto, ela surge como uma figura misteriosa, disposta a tudo para cumprir sua missão.

    2. Direção e desempenho do elenco.

    No original: A direção de Richard Donner é acertadíssima. Seu grande mérito foi exatamente contar a história “remando contra a maré” do que estamos acostumados a ver em filmes do gênero. Para os que preferem um terror regado a sangue e muitos gritos, A Profecia pode soar estranho. O longa-metragem assusta e incomoda com cenas que de explícitas pouco têm. A ligação da criança com o demônio não é mostrada obviamente em momento algum e isso só fica claro, para o espectador, através de situações e personagens como a aterrorizante babá Mrs. Baylock, numa grande atuação de Billie Whitelaw. As atuações de Lee Remick e Gregory Peck – voltando à ativa, depois de algum tempo ausente da telona – também são extremamente verossímeis. Como se esquecer da cena em que Katherine é atacada por macacos ou a que Thorn e Jennings estão em um cemitério, um dos momentos mais reveladores da história? Ah, claro, não esquecendo também do pequeno Harvey Stephens que, embora não tenha seguido carreira, provou ter sido a escolha perfeita para viver o pequeno Anticristo.
    No remake: devo dizer que esse é ponto problemático da obra refeita. Os atores não parecem muito entrosados e suas interpretações parecem bastante superficiais. Julia Stiles se mostra pouco expressiva, numa atuação miúda e apática; Liev Shreiber tem um desempenho um pouco maior, mas mesmo assim não chega a surpreender como Robert Thorn, vivido por Gregory Peck no original. O grande destaque é Mia Farrow, que refez Mrs. Baylock de forma tão acertada quanto Billie Whitelaw em 1976. O intérprete de Seamus Davey-Fitzpatrick, o anticristo, não acrescenta muito à trama como ator, o seu visual inocente e contraditoriamente perigoso foi bem aproveitado.

    3. Desenvolvimento do roteiro.

    No original: Embora alguns trabalhos de David Seltzer não deponham a seu favor – taí O Mistério da Libélula que não me deixa mentir – o roteiro de The Omen é quase perfeito, daqueles que “descem redondo”. A trama cumpre o seu papel e “prende” o espectador intensamente, a cada nova cena, até o surpreendente final.
    No remake: por ser uma refilmagem bastante fiel à obra original, praticamente tudo o que acontece na versão de 1976 também acontece na nova versão. Vale ressaltar que foram feitas adaptações interessantíssimas, principalmente aquelas vistas no início do filme, quando os padres discorrem sobre os eventos recentes que podem indiciar a chegada do anticristo.

    4. Efeitos sonoros e visuais.

    No original: Com uma fotografia sombria que casa perfeitamente com o clima da história e edição e efeitos especiais que, embora modestos, dão um show, um dos grandes destaques do longa-metragem é, sem dúvida, a incrível trilha sonora de Jerry Goldsmith – inspirada na ópera “Carmina Burana” – ganhadora do Oscar. Pois é. Atire a primeira pedra quem não sentiu calafrios ouvindo “Ave Satani” (nomeada a melhor canção original) – um daqueles clássicos casos em que a música desempenha papel de protagonista na trama?
    No remake: o tom sombrio foi adotado como elemento de acréscimo às cenas tensas. A trilha sonora não me parece muito marcante, mas não posso dizer que ela é falha, já que consegue transmitir bons momentos de tensão ao espectador. Com a vinda da tecnologia, novos efeitos puderam ser utilizados e assim algumas cenas se tornaram mais superficiais – talvez porque passaram a exigir mais dos atores. Para comprovarem o que eu disse, basta comparar as cenas em que Katharine Thorn se acidenta despencando da escada: a de 1976, realizada com Lee Remick se jogando contra uma parede (ou seja, ela estava em pé e seu movimento era horizontal) é bem mais expressivo que a de 2006, na qual Julia Stiles simplesmente fez uma expressão estranha e os técnicos responsáveis se ocuparam em fazê-la se movimentar digitalmente.

    Opinião do Marcelo.
    • A qual filme eu prefiro: A versão de 1976, evidente.
    • O remake de A Profecia é válido? Sinceramente, penso que certos filmes não necessitariam ser feitos uma única vez, imagine duas. Não é o caso de A Profecia, evidente. Mas não entendo o porquê de uma refilmagem. Talvez a data, o aniversário redondo da produção, tenha inspirado recontarem a história. Sei lá.
    • O remake faz jus ao filme original? Nenhuma das continuações do filme estão à altura do original, inclusive o remake.

    desculpe Marcos, você foi tão atencioso comigo, mas eu só insisti por causa deste texto que li.
    Tenha um bom dia
    Ogrigada.

  7. izabel disse:

    Desculpe também pelo texto que postei, fique a vontade para apaga-lo.

    • Marcos Brolia marcosefe disse:

      Oi Izabel.

      Imagine, não irei apagar nenhum texto não! 😉

      Bom, agora é só aproveitar então A Profecia original (o remake eu detesto na verdade…).

      E continue acompanhando o blog e comente à vontade!

      Att:.

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    Junto c O EXORCISTA , O ILUMINADO e BB DE ROSEMARY os 4 Melhores filmes de terror !

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