343 – Alucarda (1977)

alucarda

Alucarda, la hija de las tinieblas / Alucarda

 1977 / México / 85 min / Direção: Juan López Moctezuma / Roteiro: Alexis Arroyo, Tita Arroyo, Juan López Moctezuma, Yolanda López Moctezuma (baseado na obra de Sheridan Le Fanu) / Produção: Max Guefen, Juan López Moctezuma, Eduardo Moreno / Elenco: Tina Romero, Susana Kamini, Claudio Brook, David Silva

 

Pense em um filme satanista, completamente herege, nunsploitation (exploração de freiras), pornô softcore, misturando elementos de O Exorcista, A Profecia e o conto Carmilla de Sheridan Le Fanu. Interessou, né? Esse é Alucarda, filme de terror mexicano de língua inglesa, dirigido por Juan López Moctezuma.

Profano até dizer chega, feito para chocar mesmo, Alucarda é daqueles filmes adorados pelos fãs do cinema trash e exploitation, marca registrada do que foi os anos 70 e a liberdade criativa em transgredir que o cinema nunca mais recuperou com o passar dos anos. Amigo e colaborador de Fernando Arrabal e Alejandro Jodoroski, com quem criou o Teatro Le Panique, movimento estético e inovador de atuação inspirado no transe e na histeria, Moctezuma conta sua fábula religiosa alegórica com muita, mas muita nudez feminina, possessão demoníaca pesada e baldes de sangue.

Alucarda é um bebê que já nasce amaldiçoado logo no começo da fita. Após sua mãe ser morta no parto, ela é entregue para o convento, onde cresce junto com outras freiras, cobertas dos pés a cabeça deixando só o rosto para fora, parecendo múmias, nesse colégio católico para órfãs. Tudo vai as mil maravilhas até a chegada de Justine (Susana Kamini, que passa mais tempo do filme em cenas de nu frontal do que vestida), recém-órfã inocente que logo desperta um interesse lésbico em Alucarda, já adulta interpretada por Tina Romero.

As duas se tornam melhores amiguinhas quando em um passeio idílico ao campo conhecem um corcunda cigano que as introduz no mundo sobrenatural, despertando a incontrolável força demoníaca que repousava em Alucarda. Daí para frente, somos jogados em cenas de sexo sugeridos entre as duas, com conotações vampíricas, e até a participação delas em um sabá com mais um monte de mulheres (todas nuas em pelo, óbvio…e muito pelo, por sinal), fazendo um bacanal a Baphomet que até aparece na jogada com seus chifres e barba de bode (lembrando muito uma cena clássica de As Bodas de Satã, da Hammer).

Threesome

Threesome com o Coisa-Ruim

Depois disso, em uma das missas, Alucarda e Justine surtam de vez, tomadas pelo controle do capeta, e começam a questionar as freiras e Deus, rogando pragas e falando todo tipo de blasfêmia que vão deixando as freiras incontroladas. Daí surge a figura do padre Lázaro (David Silva), que mais parece um inquisidor do Século XV, que vê demonização em todo e qualquer lugar e promove um ritual de expiação dos pecados das duas, onde Justine é presa em uma cruz (adivinhe como? Completamente pelada), as freiras todas entram em um transe coletivo histérico e a jovem acaba sendo morta com seu corpo perfurado por agulhas, para que o mal saísse de uma vez por todas. Alucarda escapa da mesma sorte graças a interferência do médico Dr. Oszek (Claudio Brook), homem da ciência e da razão.

Mas razão até a página dois, quando depois de toda a confusão e de ter levado Alucarda para sua casa (que já começa a se engraçar por sua filha cega, Daniela) ele presencia uma freira que volta a vida após ter sido completamente cremada, sendo morta apenas depois de ser mutilada. E a melhor parte então vem no final, quando o padre, o médico e as freiras vão até o covil de Justine, que ressurge de uma tumba cheia de sangue e avança ensanguentada (e nua, só para constar), como uma Carrie – A Estranha endemoniada, em um freira atacando sua jugular a dentadas. O terceiro ato se reserva a caça à Alucarda, que rapta a filha cega do médico, dando origem a um confronto sobrenatural final no convento.

Com todos esses elementos muito bem explorados, Moctezuma faz um filme interessantíssimo com um orçamento paupérrimo, mas com muita violência gráfica, sangue e toques sobrenaturais incríveis, além de consegue tirar o melhor dos seus cenários pobres, utilizando muito bem o jogo de luz e sombra, e principalmente a interpretação intensa de seus atores, que até fazem papeis duplos, como Tina Romero, a sombria Alucarda e sua mãe no começo do filme e Carlos Brook, que interpreta tanto o Dr. Oszek quanto o corcunda cigano.

Alucarda é um daqueles filmes que não tem como ficar passivo. É uma pérola do cinema de terror mexicano e da América Latina. Um dos admiradores confessos do filme é Guillermo Del Toro, para você ter ideia. Uma daquelas produções malditas, que se fosse lançado de modo comercial, feitos nos EUA, seria um reconhecidíssimo clássico inesquecível do horror. Uma obra prima da heresia à putaria.

Molhadinha de sangue

Molhadinha de sangue

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Alucarda não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

8 Comentários

  1. geo2323 disse:

    É você, Satanás?

  2. […] de ser um dos mais chocantes do nunsploitation (é filme colegial perto de Satanico Pandemonium ou Alucarda) e econômico até demais tantos nas cenas de nudez quanto de sacanagem, tirando a personagem Irmã […]

  3. […] deste gênero, temos A Freira Assassina, Atrás dos Muros do Convento, A Monja e o Demônio, Alucarda e Imagens de um Convento, sem contar algumas adições recentes como Nude Nuns With Big Guns, de […]

  4. Matheus L. CARVALHO disse:

    Um filme excelente!
    Uma verdadeira obra-prima!
    Maravilhoso, perverso e lindo.

    Nota 10,0

  5. Julio disse:

    Link invalido , poderia reupar ?

  6. Não esta disponível,o link esta invalido

  7. Tersis disse:

    Esta música é uma homenagem ao filme Alucarda, prestada pela banda de Death Metal brasileira OFFAL:

  8. Ariadne disse:

    Tipo o filme começa quase como uma propaganda contra o cristianismo, depois dá uma virada de casaca broxante. Eu tava até gostando… :v

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