345 – Eaten Alive (1977)

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1977 / EUA / 91 min / Direção: Tobe Hooper / Roteiro: Alvin L. Fast, Mardi Rustam / Produção: Mardi Rustam, Alvin L. Fast (Co-produtor), Larry Hully, Robert Kantor, Samir Rustam (Produtores Associados), Mohammed Rustam (Produtor Executivo) / Elenco: Neville Brand, Carolyn Jones, Mel Ferrer, Marilyn Burns, William Finley, Robert Englund


Tobe Hooper era uma das maiores promessas do gênero em seu começo de carreira. Oriundo de um cinema transgressor, cru, vil, com toques sádicos e tom quase documental e caseiro de filmagem, o diretor havia chocado o mundo inteiro com seu seminal O Massacre da Serra Elétrica em 1974. Três anos depois, mais uma vez ele apresenta uma pérola do cinema marginal: Eaten Alive.

Hooper em seus dois primeiros filmes, quis deixar muito claro a perversidade humana, levando a insanidade de seus vilões a níveis estratosféricos, sempre utilizando personagens atormentados do interior de um Estados Unidos abandonado (quase sempre o Texas, seu estado natal), sem o menor pudor e dilema moral em trucidar as suas vítimas, independente de cor, credo, raça e idade. Primeiro com Leatherface, e agora com o redneck psicótico Judd (Neville Brand), dono de um hotel de beira de estrada que cria um crocodilo africano em seu pântano e mata seus hóspedes para servi-los de jantar ao “animalzinho de estimação”.

Sim, essa história bizarra é o conduíte da trama simples de Eaten Alive, porém muito bem conduzida, com Hooper conseguindo tirar o máximo de seus atores com interpretações viscerais e exageradamente macabras, no caso de seus vilões, ou torturando suas vítimas e colocando-as em um nível de estresse emocional gigante, entre elas, mais uma vez a pobre atriz Marilyn Burns, a Sally de O Massacre da Serra Elétrica, que é raptada, amarrada, brutalizada e grita como uma louca o filme quase inteiro… de novo!

Bichinho de estimação

Bichinho de estimação

Judd é um sujeito que tem uma perna de madeira, não bate bem da cabeça, usuário de cocaína e mentalmente perturbado. Isso logo percebemos em sua primeira aparição para o público. Um caipira descontrolado que administra uma espelunca que nem dá para se chamar de hotel, que tem um fixação pelo seu crocodilo e ataques de histeria e descontrole com qualquer um que o importune ou que faça algo que sua, hã, conduta moral, ache inapropriado, como, por exemplo, a ex-prostituta que resolve largar a vida dura depois de recusar um programa com um jovem Robert Englund, e vai parar no hotel.

Ela é a primeira a sofrer na mão de Judd e ser vítima de seu ataque psicopata, virando snack de crocodilo. Na sequência, uma família completamente disfuncional se hospeda no mesmo hotel (pelo jeito não há nenhum outro na região mesmo) e o cartão de boas vindas é o réptil devorar o cachorrinho da filha pequena, que gera um ataque histérico da criança e uma crise de descontrole no casal. O marido é o próximo a ser vítima da foice que Judd usa para ceifar a vida de suas vítimas, antes do crocodilo fazer uma boquinha.

E por aí vai. Cada personagem que aparece no hotel, como o pai e a irmã da prostituta desaparecida do começo do filme, ou mesmo Bud, interpretado por Englund, não tem praticamente nenhuma importância na trama, apenas ser assassinado e devorado vivo (daí o título original do filme). E o tal crocodilo tem uma baita de uma fome, vou te contar. Porque ele se alimenta de pelo menos umas cinco pessoas e um cachorro!

Não dê um pio!

Amordaçada, ninguém poderá ouvir você gritar

Tudo isso, com cenas bastante sangrentas, principalmente quando Judd ataca e decepa os desafortunados com sua foice. Algumas cenas do ataque do animal também são bem convincentes apesar da mixórdia de orçamento, mas outras são completamente toscas, para nosso deleite. Mas inteligentemente, ciente da limitação de dinheiro, Hooper evita closes no crocodilo, escondendo mais o bicho do que mostrando-o, até mesmo nas cenas quando ele arrasta suas vítimas para o fundo do pântano, aprendendo com Tubarão, de Spielberg, de dois anos antes.

Além disso, claro que Hooper utiliza alguns dos seus principais recursos, aperfeiçoando algumas técnicas experimentais que utilizou em seu primeiro longa, como estourar a matiz de cores (por exemplo, em determinadas cenas, o ambiente fora do hotel é todo de um vermelho vivo, que parece mesmo que aquele local é um pedaço quente do inferno) e a fotografia escura, suja e granulada, dando aquele aspecto cru, ideal para os espectadores das grindhouses. Foi até indicado naquele ano para o principal prêmio do cinema fantástico, o prêmio Saturno.

Claro, que não é melhor que O Massacre da Serra Elétrica, mas Hooper aqui conseguiu segurar a onda da expectativa após a obra-prima que foi seu debute na direção e entregou mais um excelente e perturbado filme, dando a impressão de que realmente estávamos diante de um futuro gênio do horror. Ledo engano, já que sua carreira  entrou em profunda decadência e ostracismo no decorrer dos anos, mesmo alcançando certo respaldo comercial, principalmente após dirigir, pero no mucho, Poltergeist – O Fenômeno.

Entrar na foice

Ceifador de vidas

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Eaten Alive não foi lançado no Brasil

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

9 Comentários

  1. Alexandre disse:

    Acho que o maior problema de diretores como Tobe Hooper é lidar com grandes produções. Basta lembrar que os dois filmes que Hooper dirigiu após Poltergeist, Força Sinistra e Invasores de Marte, apontam para o declínio desse diretor. É o caso de se pensar até aonde vai o limite da criatividade, se ela está condicionada aos desejos e imposições dos produtores ou se o improviso, determinado pela falta de dinheiro, é fundamental para a criação de um filme. LógIco que cada caso é único.

  2. […] menos não daquele que antes havia dirigido o seminal O Massacre da Serre Elétrica e até mesmo Eaten Alive. O que se vê é um filme de Steven Spielberg, que produziu a fita e manteve o diretor no cabresto […]

  3. […] E há de se pensar: o que diabo se passa com os caipiras americanos, pois geralmente eles sempre são psicopatas canibais nos filmes de terror? O diretor Kevin Connor dirige essa fita como um influenciado pelo cinema setentista do Tobe Hooper (que por sinal, originalmente fora cotado para dirigi-lo, quando o projeto ainda era da Universal, antes de ser vetado pelo estúdio). A trama de rednecks canibais, apesar de mais sutis (entenda isso como quiser) que a família de Leatherface, claramente tem um que de O Massacre da Serra Elétrica, e a ideia de utilizar um motel beira de estrada onde os hóspedes são transformados em vítimas, também lembra o seu filme seguinte, Eaten Alive. […]

  4. […] E há de se pensar: o que diabo se passa com os caipiras americanos, pois geralmente eles sempre são psicopatas canibais nos filmes de terror? O diretor Kevin Connor dirige essa fita como um influenciado pelo cinema setentista do Tobe Hooper (que por sinal, originalmente fora cotado para dirigi-lo, quando o projeto ainda era da Universal, antes de ser vetado pelo estúdio). A trama de rednecks canibais, apesar de mais sutis (entenda isso como quiser) que a família de Leatherface, claramente tem um que de O Massacre da Serra Elétrica, e a ideia de utilizar um motel beira de estrada onde os hóspedes são transformados em vítimas, também lembra o seu filme seguinte, Eaten Alive. […]

  5. […] bem conhecemos o gênio de Tobe Hooper né? Desde O Massacre da Serra Elétrica e Eaten Alive, sabemos que ele nunca mais conseguiu fazer nada que preste (eu não gosto de Poltergeist e todo o […]

  6. Que decepção, pô Marcus confiei na sua critica, como sempre mas que porra de filme tosco é esse???? O cenário do hotel não perde em nada pra qualquer cenário do Chapolin Colorado kkkkkkkkkkk Se já não fosse péssimo temos as perucas, ahhhhh porquê usar perucas tão artificiais e porquê usá-las?? Tobe Hooper cagou demais realizando essa comédia, é ruim de dar ódio e o crocodilo atacando aquela menina insuportável é vexatório. A única coisa legal do filme é realmente a atuação caricata e sádica de Neville Brand, nem Marilyn Burns escapa da cagada, reprisando quase que integralmente Sally, gritando como uma louca e mais uma vez sendo torturada. Bom essa é minha opnião e o legal são as discordâncias, até porquê vc detesta Poltergeist e eu sou fascinado!!!! Continuo acompanhando o blog, abraço.

    • Oi Alexandre… Hahahahahahha, poxa foi mal… Mas é isso aí, o legal mesmo é cada um dar sua opinião sobre os filmes, aí aqui vira um espaço interativo!

      Grande abraço.

      Marcos

  7. Angel disse:

    link quebrado =(

  8. Pedro.amm disse:

    link invalido

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