351 – A Ilha do Dr. Moreau (1977)

THE-ISLAND-OF-DR-MOREAU-1977

The Island of Dr. Moreau

 1977 / EUA / 99 min / Direção: Don Taylor / Roteiro: Al Ramrus, John Herman Shaner (baseado na obra de H.G. Wells) / Produção: Skip Steloff, John Temple-Smith, Samuel Z. Arkoff (produção executiva), Sandy Howard (produção executiva) / Elenco: Burt Lancaster, Michael York, Nigel Davenport, Barbara Carrera

 

No meio entre a clássica versão de Erie C. Kenton de 1932 e a bomba de John Frankenheimer de 1996, A Ilha do Dr. Moreau de 1977 é a segunda adaptação do livro de ficção de H.G. Wells (A Máquina do Tempo, Guerra dos Mundos) e possui visivelmente a marca indelével dos anos 70 e o dedo de seu produtor executivo, Samuel Z. Arkoff.

Essa versão dirigida por Don Taylor é aquela que provavelmente a minha geração tomou conhecimento da história sobre o cientista maluco que faz experiências em uma ilha remota tentando transformar animais em seres humanos, tendo lá na sua memória uma vaga lembrança desse filme sendo exibido na televisão aberta (lembranças que para mim sempre se misturavam com O Planeta dos Macacos e o clássico dos clássicos, A Ilha dos Homens-Peixes).

Nessa fita, Burt Lancaster assume o papel de Moreau, que tem em sua companhia na ilha, além do seu fiel braço direito, Montgomery (Nigel Davenport), Maria (Barabara Carrera), a sua mais perfeita criação, e as demais criaturas que regrediram ao seu estado animalesco e vivem entocados em uma caverna, párias para a sociedade perfeita que o megalomaníaco cientista gostaria de criar.

Andrew Braddock (Michael York) é o náufrago que chega até a ilha e descobre as horrendas experiências genéticas que Moreau anda realizando, e claro, se enrabicha com Maria sem suspeitar que ela também é um fruto do trabalho de laboratório do cientista. Assim como no livro e no filme anterior, há também um Mestre da Lei, responsável por continuar a doutrinação das bestas, citando incessantemente a Lei desenvolvida por Moreau para tentar criar um conjunto de regras que os permitem viver em sociedade e não caiam na tentação de regredir ao estágio animal.

Aberta a temporada de caça aos homens-animais

Aberta a temporada de caça aos homens-animais

Quais são as principais diferenças entre essa versão e A Ilha das Almas Selvagens, de 1932? Pois bem, começamos com três coisas que não há no original, por questões óbvias de idade de lançamento: violência, sangue e os peitinhos da personagem feminina aparecendo. Aqui, somos brindados com uma selvageria mais explícita das feras, com cenas até que bastante sangrentas para um filme de classificação PG-13, incluindo o linchamento de Moreau nas mãos de suas criações.

Além disso, claro a maquiagem é superior devido aos maiores recursos técnicos da época, apesar de mesmo assim serem bem fajutas, lembrando uma mistura de O Planeta dos Macacos, aquele seriado de A Bela e A Fera (com a Linda Hamilton, lembra?), e do herói japonês Lion Man (lembra desse também?). Outra coisa para ser citada é o uso em profusão de animais selvagens no filme. Tem onça, pantera, hiena, tigre, leão, búfalo. Um verdadeiro zoológico. E na cena final onde a revolta das criaturas estoura e eles começam a destruir a propriedade de Moreau, é um verdadeiro pastelão, com os animais sendo libertados e uma sequência frenética de ataques, tombos e urros, dando um significado visual bem específico para a palavra balbúrdia ou furdúncio.

Mas certamente a maior diferença do filme anterior é que aqui, Moreau não satisfeito em transformar animais em gente, resolve fazer o processo inverso e aprisiona o pobre Andrew, injetando DNA animal nele para que ele transforme-se em uma fera também. Assim, aos poucos, o náufrago azarado vai adquirindo pelos nas mãos e seu rosto vai sendo transformado, além de começar a se deixar levar pelo seu instinto, quebrado somente quando sua capacidade de raciocínio prevalece, frustrando os planos do velho doutor.

E a alardeada Mulher Pantera do filme de Kenton mal dá as caras em sua forma animalesca nesta versão de A Ilha do Dr. Moreau. Se não prestarmos atenção direito em uma cena final dentro do barco ao escapar da ilha, quando é dado um close nos dentes pontiagudos nascendo na boca de Maria e seus olhos de felina, nem ficamos sabendo que ela é também um produto by Moreau. Bom, não pode se esperar muito de uma adaptação de Wells produzida por Samuel Z. Arkoff. Vale mais pelo saudosismo.

É a lei!

Ali. É um humano! Pega! Pega!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Ilha do Dr. Moreau não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Paulão Geovaninho disse:

    A ilha do Dr. Moreau versão CATS

  2. […] história original e leva na bagagem os efeitos de maquiagem de filmes como O Planeta dos Macacos, A Ilha do Dr. Moreau, Grease – Nos Tempos da Brilhantina, O Resgate do Soldado Ryan e Forrest Gump – O Contador de […]

  3. […] Thomar R. Burman (responsável pelo Sloth, de Os Goonies, e alguns conhecidos filmes de terror como A Ilha do Dr. Moreau, Dia dos Namorados Macabro, A Mão e Halloween III: A Noite das Bruxas) e ponha na conta do cara […]

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