352 – O Império das Aranhas (1977)

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Kingdom of the Spiders

1976 / EUA / 97 min / Direção: John ‘Bud’ Cardos / Roteiro: Richard Robinson e Alan Cailou, Jeffrey M. Sneller e Stephen Lodge (história original) / Produção: Igor Kantor, Jeffrey M. Sneller, J. Brad Johnson (Produtro Associado), Henry Fownes (Produtor Executivo) / Elenco: William Shatner, Tiffany Bolling, Woody Strode, Lieux Dressler, David McLean, Natasha Ryan

 

Durante os anos 70, principalmente por conta do estrondoso sucesso de Tubarão, o subgênero eco-horror, onde a fauna resolve contra-atacar e mostrar sua fúria aos humanos, foi proliferando como uma verdadeira praga. Era corriqueiro o público se de deparar com filmes de terror onde os vilões eram aranhas, formigas, abelhas, ratos, piranhas, crocodilos, e isso sem contar os tantos e tantos spin offs do filme de Spielberg. E O Império das Aranhas é mais um exemplar deste gênero.

Uma espécie de avô do Aracnofobia, famoso filme dos anos 90 (que tem um dedo do próprio Steven Spielberg, reprisado várias vezes na Sessão da Tarde), O Império das Aranhas traz William Shatner no papel principal, que resolveu combater ameaças mais mundanas, como esses terríveis aracnídeos que passam a infestar uma cidade rancheira dos EUA, ao invés de males intergaláticos como Capitão Kirk da primeira geração da série e filmes de Jornada nas Estrelas.

Dirigido por John “Bud” Cardos e com um orçamento de 50 mil dólares, o filme, feito em época que o CGI não existia, utilizou CINCO MIL tarântulas de verdade nas filmagens. Leu direito aí? CINCO MIL!!! Ou seja, isso por si só para alguns já é motivo de pânico, terror e aflição ao ver aquelas aranhas peludonas andando nos membros e rostos dos corajosos atores e atrizes. Detalhe é que deste orçamento, 5 mil foram gastos nas bichinhas, porque os produtores ofereceram 10 dólares por espécime. Infelizmente (ou felizmente se você tem pavor de aranhas), eles não puderam alegar que “nenhum animal foi morto ou ferido durante as filmagens”, porque uma cacetada delas morreu, tanto por mudanças climáticas, quanto atropeladas e esmagadas na cena do pandemônio na cidade, ou por membros da própria equipe técnica. Fora o trabalhão de manuseio dos animais, já que todas tinham de ser guardadas separadamente após o fim do dia, pois as tarântulas são canibais e acabariam comendo umas as outras.

Malditas aranhas!

Malditas aranhas!

A história me lembra bastante a ambientação de outra dessas bombas animais setentistas que é A Noite dos Coelhos, exatamente pelo homem ter de lidar com uma praga que assola uma região desértica dos EUA, atrapalhando a pecuária local. Vale lembrar também da podreira mor quando se fala dessas criaturas de quatro patas que é A Invasão das Aranhas Gigantes, que igualmente se passa em uma dessas cidades no meio do deserto. Pelo jeito, deserto e aranhas estão intrinsecamente ligados no cinema de terror.

Pois bem, Shatner é o veterinário e caubói Robert “Rack” Hansen, que ao ser chamado para examinar a estranha morte de um gado premiado de uma fazenda da cidade, recebe a ajuda in loco da loiraça Diane Ashley (Tiffany Bolling, que ganhou o papel principal exatamente por não ter medo das aranhas), entomologista da Universidade de Flagstaff, no Arizona, para investigar a causa mortis. O que acontece é que eles se deparam com gigantescos ninhos de tarântulas crescendo desordenadamente por conta de um desequilíbrio do ecossistema da região, graças ao excessivo uso de pesticidas para acabar com as pragas. Sem ter o que comer, a insurreição aracnídea encontra uma nova fonte de alimento: o gado, cães e lógico, os humanos. Mas as autoridades não querem tomar nenhuma medida drástica, pois há uma feira do condado em duas semanas, e ninguém quer perder o dinheiro que turistas injetarão na cidade. Típico do eco-horror!

Pois bem, passando a chatíssima primeira metade do filme, onde somos obrigados a aguentar toda a canastrice de Shatner e seu estereótipo galã-caubói-machão dando em cima da Dra. Ashley, que obviamente irá cair nos seus encantos, e um drama dele ter perdido seu irmão no Vietnã, que deixou esposa (que agora é apaixonada pelo cunhado) e filhas para o irmão tomar conta, tudo regado a música country cafoníssima, o filme realmente engrena ao se aproximar de seu terceiro ato.

Kirk em um momento relax com sua cervejinha

Kirk em um momento relax com sua cervejinha

A infestação de aranhas foge do controle e veremos então a contagem de cadáveres aumentar, primeiro começando por Walter Coby (Woody Strode) dono da fazenda onde os ninhos surgiram, que é encontrado envolto em uma sinistro casulo de teia, seguindo pela ex-cunhada de Shatner, morta por várias picadas venenosas, ficando com o rosto completamente deformado, e a esposa de Colby, Birch (Altovise Davis), que atacada pelos animais, tenta se defender com um revólver e acaba decepando seus próprios dedos ao atirar na aranha que subia em sua mão.

Enquanto os heróis, a garotinha e mais um grupo de locais se refugiam em uma pousada, lutando por suas vidas, no centro da cidade um verdadeiro pandemônio se inicia, com as pessoas tentando fugir em pânico, sendo atacadas por uma vastidão sem fim de aranhas. Crianças, jovens e velhos acabam tendo um destino trágico. Elas não escolhem sexo, cor, credo, idade nem nada para fazer uma boquinha e enrolar os moradores em um emaranhado de teia. Fora acidentes causados pela própria fuga em massa dos moradores, como acontece com o xerife, que quase tem seu carro virado pelos revoltosos e acaba morrendo esmagado pela caixa d’água da cidade que cai em cima de seu veículo após um acidente. Mas o ponto mais positivo do filme é justamente o seu desfecho surpreendente, e a sinistra forma como ele é mostrado (mesmo que visualmente tosco, por se tratar de um óbvio desenho), mostrando como os humanos perderam essa batalha contra a natureza.

O Império das Aranhas é um dos mais famosos filmes deste subgênero dos anos 70, muito popular na época (faturou 170 milhões de dólares) e campeão de reprises na televisão aberta e fechada. Claro, que muito deste sucesso é por conta da presença de William Shatner no elenco. Mas fora isso, é um filme redondo, que impressiona pelo uso de aranhas vivas, conseguindo driblar a limitação financeira impondo no espectador um medo físico e real.

Aracnofobia

Aracnofobia

Serviço de utilidade pública:

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] é que a película é um filme B pomposo que não caiu na armadilha de ser um filme B, estilo O Império das Aranhas (e todos os outros com aracnídeos gigantes), exatamente por ter Spielberg na produção, vindo com […]

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