354 – O Incrível Homem que Derreteu (1977)

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The Incredible Melting Man

1977 / EUA / 84 min / Direção: William Sachs / Roteiro: William Sachs / Produção: Samuel W. Gelfman, Peter Cornberg e Robert L. Fenton (Produtores Associados), Max Rosenberg (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco: Alex Rebar, Burr DeBenning, Myron Healey, Michael Alldredge, Ann Sweeney

 

O Incrível Homem que Derreteu é mais uma daquelas adoráveis gemas do sci-fi bagaceira. Dirigido por William Sachs e com produção executiva do ex-Amicus Max Rosenberg, essa película nojenta teve parcos 250 mil dólares de orçamento e tem como seu ponto alto, os efeitos especiais do tal homem que derreteu.

Isso, porque a maquiagem ficou a cargo do oscarizado Rick Baker, que quatro anos depois seria responsável pela espetacular transformação em Um Lobisomem Americano em Londres, e também tem em seu currículo ter participado da equipe de segunda unidade de Star Wars, os efeitos visuais de Videodrome – A Síndrome do Vídeo, do remake de O Lobisomem e do videoclipe Thriller, de Michael Jackson, entre outros.

Baker caprichou na mão, criando uma criatura gosmenta que vai literalmente derretendo e perdendo partes pelo chão, de dar náuseas em qualquer um. Para tanto, ele criou um molde de um tamanho maior ao da cabeça do ator Alex Rebar, que foi pintado de tom de pele e coberto com uma pegajosa mistura de xarope e pintura. A substância melequenta tinha que ser aplicada novamente toda vez que o monstro aparecia em cena.

Esse calor está de derreter!

Esse calor está de derreter!

Com o típico clima dos filmes de ficção científica das décadas de 50 e 60 (até o título lembra muito O Incrível Homem que Encolheu), O Incrível Homem que Derreteu não perde tempo enrolando o espectador e tentando inventar explicações, pois certamente todas elas seriam esdrúxulas. Uma missão espacial da nave Scorpio 7 é enviada para circular os anéis de Saturno, mas uma poderosa exposição a uma tempestade solar (que o coitado ainda exclama: “Maravilhoso, você não viu nada até ver o sol através dos anéis de Saturno”) mata os outros dois tripulantes e provoca um câncer de pele elevado a enésima potência no astronauta Steve West (Rebar).

Ao voltarem a Terra, o governo e o exército americano resolvem encobrir o fracasso da missão, sob batuta do general Michael Perry (Myron Healey), e o pobre astronauta ao recobrar a consciência vê que sua pele está completamente necrosada e ele literalmente está começando a derreter. Aquilo vai afrouxar os parafusos do sujeito, que escapará do confinamento do hospital matando graficamente uma enfermeira, e fugirá para os bosques, deixando um rastro de terror, mortes, um olho, orelha, um braço, e fluidos corporais por onde passa.

O doutor Ted Nelson (Burr DeBenning), amigo de Steve, começa uma caçada para tentar encontra-lo, porém sem nunca poder revelar sobre a real condição do astronauta para não causar uma péssima publicidade à missão espacial. Enquanto isso, completamente demente, o “Steve Derretido” continua sua contagem de cadáveres, decapitando um pescador e jogando sua cabeça na cachoeira, se alimentando de um pobre casal de velhinhos (sendo que a senhora era sogra do Dr. Nelson) – porque ele também virou um mutante canibal –, matando o rabugento general Perry e mais um outro jovem.

Alguém viu uma orelha por aí?

Alguém viu uma orelha por aí?

Nisso, junta-se o Xerife Neil Blake (Michael Alldredge) à busca, até que eles acabam encurralando a criatura putrefata em uma fábrica. ALERTA DE SPOILER. Pule os dois parágrafo ou leia por sua conta e risco.  Na perseguição final, o descontrolado Steve acaba jogando o xerife nos cabos de alta tensão (causando uma morte violentíssima), e mesmo quase tendo perdido toda sua humanidade, reconhece o Dr. Nelson como um amigo e o salva de uma iminente queda, só para que dois polícias que patrulhavam o local matem o médico com um tiro à queima roupa, quando ele tentava proteger o homem derretido.

Revoltadíssimo, Steve mata os dois polícias e começa a se rastejar para deixar a fábrica, até que sua doença degenerativa atinge o grau máximo e a criatura disforme começa a se liquefazer em carne, sangue e meleca no chão. Na manhã seguinte, um zelador da fábrica encontra aquela bagunça pútrida no local, e não dá simplesmente a mínima, começando a recolher os restos mortais e jogar em uma lixeira, enquanto um programa de rádio comenta sobre a nova missão para os anéis de Saturno, ainda escondendo do grande público o verdadeiro paradeiro dos astronautas da missão anterior. Final mais pessimista não há, pois simplesmente, MORRE TODO MUNDO DO FILME!!!!

Um deleite para os fãs de filmes de baixo orçamento, famoso por algumas reprises da televisão e principalmente quando foi lançado em VHS pela extinta Globo Vídeo. Claro, que os efeitos nocivos de o Incrível Homem que Derreteu não se comparam ao que sentimos no alto verão brasileiro, mas mesmo assim, vale muito o entretenimento.

Esse sujeito é um liso!

Sujeito mais escorregadio!

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando O Incrível Homem que Derreteu:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de O Incrível Homem que Derreteu está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Leia a minha resenha sobre O Incrível Homem que Derreteu aqui. […]

  2. Sandra disse:

    Adoro terror e ficção científica e você, além de nos presentear com essa lista de clássicos, transforma a leitura das suas resenhas e análises numa diversão única. Divirto-me lendo seus comentários irônicos. Seu blog é o melhor de tantos que já descobri sobre esses filmes . Parabéns!

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