357 – Orca – A Baleia Assassina (1977)

url

Orca

1977 / EUA / 92 min / Direção: Michael Anderson / Roteiro: Luciano Vincenzoni, Sergio Donati / Produção: Luciano Vincenzoni, Dino De Laurentiis (Produtor Executivo) / Elenco: Richard Harris, Charlotte Rampling, Will Sampson, Bo Derek, Keenan Wynn, Robert Carradine

 

De todos os spin offs e plágios gerados com o sucesso de Tubarão, de Steven Spielberg, Orca – A Baleia Assassina é o mais querido por esse que vos escreve. A picaretagem do mega produtor Dino de Laurentiis é um daqueles adoráveis filmes que animaram e popularam o imaginário da infância de um garoto dos anos 80.

Lembro-me claramente da primeira vez que vi essa pérola em minha vida. Eu estudava de tarde no colégio, e Orca – A Baleia Assassina seria reprisado na Sessão da Tarde da TV Globo, uma das centenas de vezes que foi exibida no canal. Pedi para minha mãe gravar no videocassete, para que eu pudesse assistir à noite quando chegasse em casa. Isso porque já tinha assistido Tubarão anteriormente e já tinha decretado que aquele era o filme da minha vida.

Pois bem, apaixonado pelo filme na infância, revê-lo anos e anos depois que ele caiu no esquecimento foi uma experiência única. Claro que seu senso crítico do fantasioso muda da água para o vinho (ou não…) e a partir daí o que começa a se sobressair é a podreira do filme, que não é um daqueles trash descarados, tem pretensos ares de superprodução, mas que cai na vala de erros de continuidade grosseiros (na tentativa de ludibriar o espectador), mas que também só puderam ser captados melhor pelo grande público (leia-se eu), somente depois de assistir (também na infância) outro dos mais famosos filmes trazendo o animal marinho: Free Willy.

Pobre Orca!

Cadê o Greenpeace quando se precisa deles?

Explico: foi em Free Willy que eu, que não sou cetologista e nem nada, descobri que quando uma orca vive em cativeiro, sua barbatana torna-se curva, ela meio que…hã…broxa. Assistindo Orca – A Baleia Assassina depois de ter essa valiosa informação em mente é que é impossível não segurar o riso quando a competente edição do filme mistura em cenas contíguas, imagens filmadas dos cetáceos nas costas de Malta e Terra Nova, com sequências captadas dentro dos tanques do Marine World em Redwood City na California. Ou seja, a orca está nadando com sua longilínea barbatana (alvejada por um arpão) e no momento seguinte, ela está com a mesma barbatana desmunhecada. Isso quando não é extremamente óbvio que você está vendo cenas do animal gravadas dentro de um tanque. Hilário!

Bem, entre cenas reais em mar aberto, dentro do parque aquático e com um animatrônico dos mais decentes até, Orca – A Baleia Assassina nada mais é que uma história de vingança. A vingança de um golfinho contra um pescador que matou sua esposa grávida de uma orquinha. NÃO, A ORCA NÃO É UMA BALEIA, isso é um erro crasso, ainda mais chamá-la de “baleia assassina”, pois ela na verdade É UM GOLFINHO. É tão crasso quando uma orca ser o símbolo do Santos Futebol Clube, cujo apelido é Peixe (pior ainda do que achar que é uma baleia é achar que a orca é peixe. Isso sim é ignorância – Recalque clubístico mode on). Depois do breve momento Animal Planet, a trama se desenrola em volta do Capitão Nolan (Richard Harris) que se torna um moderno Capitão Ahab obcecado pela sua Moby Dick, quando ele acidentalmente mata a orca fêmea grávida e o maridão cetáceo é testemunha ocular de tudo.

Isso porque o animal é monogâmico, vive com a mesma parceira o resto da vida mantendo grupos familiares extensos, é extremamente inteligente, violento, rancoroso e tem uma memória fotográfica espetacular. Ele até chora quando assiste a companheira moribunda abortando o pequeno feto no navio de Nolan!!! Pronto, é o bastante para toda a tripulação estar no caderninho negro (e branco) da orca, e o golfinho literalmente arrebentar uma cidade costeira do Canadá quase por completo, até que Nolan pegue seu barco, junto da estudiosa do assunto Rachel Bedford (Charlotte Rampling) e do esquimó Umilak (Will Sampson) – sempre há um esquimó em filmes com orcas, né? – e vá para uma caçada em mar aberto até os confins gelados do planeta (e seus icebergs de isopor), com consequências trágicas.

Blackfish

Blackfish

Impossível mesmo é deixar de comparar a narrativa com Tubarão. Por mais que estejamos falando de um mamífero e de uma trama de vingança, todo e qualquer filme com um animal marinho assustador será filho, neto ou bisneto de Bruce, o grande branco do filme de Spielberg. Ainda mais no começo quando avistamos um grande branco que é trucidado por uma orca (e fica emitindo gritinhos de desespero enquanto isso, sério, não sabia que tubarões gritavam) numa tentativa de Laurentis colocar o pau na mesa e bradar: meu animal marinho é mais poderoso que o seu, lá, lá, lá. O problema maior reside no terceiro ato, quando tal qual Brody, Quint e Hooper pegam seu barco (chamado Orca, por sinal) e saem à caça do terrível tubarão predador, imprimindo um ritmo de aventura ao longa. Nolan e sua equipe fazem exatamente o mesmo. Comparações inevitáveis.

Linda mesma é a tocante trilha sonora do gênio Ennio Morricone, usada nos momentos tenros e de drama tanto do animal quanto do ser humano (tirando aquele vocal brega e ridículo dos créditos subindo enquanto o bicho navega pelas frias geleiras do ártico). Fora que também é triste para danar. Sinceramente acho um de seus melhores trabalhos. Nota do blogueiro: escrevi esse texto ouvindo a OST do filme disponível no Youtube aqui.

Orca – A Baleia Assassina é para os saudosistas. Que viram a terrível vingança da natureza contra o homem pescador e maligno, que destrói uma família feliz por dinheiro na tentativa de captura, e simpatizaram com o cetáceo, mesmo depois também sentindo pena do pobre Nolan (cheio de metáforas sobre perdas). Mas muito mais que isso, o legal é reparar e se deleitar com as tosqueiras do filme, claro.

Venha para a titia Orca

Venha para a titia Orca

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Orca – A Baleia Assassina:

[youtube=http://youtu.be/ReWlDk3mvfI]

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de Orca – A Baleia Assassina aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Fabiano disse:

    Esse dvd que você linkou é o da péssima Continental (que pratica preços incoerentes com a qualidade oferecida). O filme acaba de ser lançado por outra distribuidora, bem mais em conta e de qualidade superior. Dá uma olhada: http://www.submarino.com.br/produto/114999238/dvd-orca-a-baleia-assassina?epar=googlepla&opn=GOOGLESEARCH&WT.mc_id=googleshopping&WT.srch=1&epar=bp_pl_00_go_G22006&gclid=CO_M-rW8q7wCFQxo7AodRRMAaw

  2. Tonino disse:

    O filme é tosco em vários sentidos mas tem seus méritos. É impossível não sentir pena do personagem Nolan no final. Quando assisti quando criança senti e o sentimento não mudou. Ele é morto por sua ignorância.

  3. Diego/RS disse:

    Cara, tava navegando à toa aqui num momento de ócio do trabalho e achei esse teu site… pô, muito bom! hehe!! Já dei uma olhada nas resenhas dos Tubarões, Alligator e agora este do Orca…
    Também era guri na década de 80 e obviamente vi esse filme uma centena de vezes e, não sei se confere, se é a memória pregando peça em decorrência das brumas do tempo, ou se é só pura maconha mesmo, mas a Orca não começava tipo a “apitar” (ou era parte da trilha sonora pra criar uma certa tensão!?) e refletir uma luz vermelha na cabeça ou nos olhos dela, quando olhava pra terra, parecendo irada com os homos sapiens e tals? rssss… Tenho quase certeza que tinha ao menos uma cena assim…
    Enfim… vou dar mais uma visualizada na galeria aí…
    Falou!

    • Hhahhahaha, hey Diego. Na verdade era isso mesmo… Ela soltava um daqueles jatos de água porque estava putinha, e tinha um brilho maldoso no olhar quando aparecia em close.

      Valeu, pelo elogio e por curtir o site.

      Abs

      Marcos

  4. […] Leia a minha resenha sobre Orca – A Baleia Assassina aqui. […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *