360 – A Sentinela dos Malditos (1977)

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The Sentinel

 1977 / EUA / 92 min / Direção: Michael Winner / Roteiro: Jeffrey Konvitz, Michael Winner / Produção: Jeffrey Konvitz, Michael Winner / Elenco: Cristina Raines, Chris Sarandon, Martin Balsam, John Carradine, Ava Gardner, Burgess Meredith

 

Nos anos 70 foi muito comuns filmes que exploravam questões religiosas, principalmente tratando-se do catolicismo, e que serviam como pano de fundo da eterna batalha entre Deus e o Diabo. Assim foi com O Exorcista, A Profecia e com o menos badalado, porém eficiente e assustador, A Sentinela dos Malditos.

Dirigido por Michael Winner, que também escreveu o roteiro ao lado de Jeffrey Konvitz, autor do livro que o filme se baseia, A Sentinela dos Malditos aborda o tema da conspiração demoníaca, e em muito lembra O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, principalmente utilizando a ambientação de um apartamento em um prédio velho, alugado pela personagem principal, com vizinhos sinistros conspiradores satânicos.

O filme chegou a chocar bastante as plateias nos anos 70, com uma história bastante densa que causou polêmica por explorar além dos preceitos demoníacos, uma ordem obscura da Igreja Católica. O ritmo é lento no começo onde as informações começam a ser jogadas aos poucos para o espectador, para explodir em um final verdadeiramente apavorante e perturbador que vale qualquer acidente de percurso e buraco no roteiro. Outro ponto extremamente positivo é a quantidade de atores consagrados em um mesmo filme, misturado com jovens talentos e participações especiais de outros que se tornariam bem conhecidos do público.

Gangue do inferno

Gangue do inferno

Alison Parker (Cristina Raines) é uma bem sucedida modelo que namora o advogado Michael Lerman (Chris Sarandon, de A Hora do Espanto e Brinquedo Assassino). Os dois tem um passado traumático: Alison tentou suicídio após testemunhar seu pai participando de uma orgia com duas mulheres, e Michael perdeu a esposa, que também cometeu suicídio, em circunstâncias misteriosas passíveis de investigação criminal. Após a morte do pai com câncer, Alison decide que precisa de um espaço só seu e resolve alugar um apartamento no Brooklyn, apresentado pela corretora Srta. Logan (Ava Gardner).

O apartamento mobiliado é lindo, maravilhoso, aluguel uma pechincha. Está tudo perfeito exceto pelos moradores, um mais bizarro que o outro. O mais “normalzinho” é o Padre Halliran (John Carradine) cego e recluso que mora no último andar em estado parcialmente catatônico. Dentre os mais excêntricos, está o espevitado velhinho Charles Chazen (interpretado por Burgess Meredith, o Pinguim, vilão especialmente convidado do seriado do Batman dos anos 60), que possui uma gata, a Jezebell e Mortimer, um periquito vindo do Brasil; o casal de lésbicas Gerde Engstrom (Sylvia Miles) e Sandra (Beverly D’ Angelo); as irmãs Lilian (Jane Hoffman) e Emma Clotkin (Elaine Shore), Malcom Stinett (Gary Allen) e sua esposa Rebecca (Tresa Hughes) e a idosa Anna Clark (Kate Harrington).

Pois bem, após se mudar, Alison começa a sofrer de sérios ataques de dores de cabeça e ser importunada pelos vizinhos todas as noites, que ficam andando de um lado para o outro no andar de cima, impedindo que a garota durma bem. Ao reclamar com a corretora, para contar sobre o barulho, vem a primeira bomba do filme: a Srta. Logan explica que apenas Alison e o padre moram naquele prédio, e todos os outros quartos estão vazios…PAN!!! E como se não bastasse, todos aqueles vizinhos são assassinos e criminosos que já estão mortos.

Frio na espinha

Frio na espinha

Preocupado com o estado de saúde da moça, que passa a ter desmaios, alucinações frequentes e ler e escrever em latim, Lerman começa uma investigação paralela e passa a ligar os pontos para desvendar uma sinistra conspiração da Igreja Católica e a função do Padre Halliran naquele prédio, que é ser uma espécie de sentinela para impedir que um exército de demônios, que têm o lugar como porta de abertura do inferno, invada a terra.

Não vou contar mais para não encher o texto de SPOILERS, mas vale muito a pena ficar ligado na cena final do filme, quando os tais demônios dão as caras, como deformidades bestiais terrivelmente assustadoras, além claro de todos os outros moradores espíritos que já citei aqui. É realmente impactante, todos com excelentes efeitos de maquiagem. Há também outras cenas bem intensas, como quando Alison se depara com o fantasma de seu pai caminhando pelos corredores do apartamento ou quando ela visita o casal de lésbicas pela primeira vez e Sandra começa a se masturbar do nada em sua frente.

Vale também ficar de olho nas pontas em A Sentinela dos Malditos, como de Christopher Walken como um auxiliar do detetive Gatz (Eli Wallach), que investiga Lermer por achar que ele tem culpa no cartório, e também com Jeff Goldblun como um fotógrafo, ambos em um dos seus primeiros papeis como ator, que mal abrem a boca para falar durante todo o filme.

Freira sinistra!

Freira sinistra!

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

15 Comentários

  1. Guilherme disse:

    Simplesmente um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, e, certamente, um dos mais subestimados também. Assistam e comprovem.

    Parabéns aí, Marcos, por compartilhar esse filmaço de terror com toda a galera aficionada no gênero.

    Guilherme

  2. Juliano Reis disse:

    Assistir ao filme e não acho que é um dos melhores filmes de terror produzido, mas também não é dos piores. No meu conceito é um filme bom (nota 6). Vale a pena assistir.

  3. Vinter disse:

    um dos melhores filmes de terror que eu já assisti !!!
    eu vi pela primeira vez quando tinha uns sete ou oito anos e aquela cena que ela enxerga o fantasma do velho pai surgindo do nada no apartamento me deixou cagado de medo por muito tempo…eu quase mijava na cama de medo de levantar para ir ao banheiro imaginando aquela figura aparecendo no corredor da minha casa.
    clássico do terror da época que eram feitos para assustar mesmo.

  4. Guilherme disse:

    Exatamente, Vinter, essa talvez seja a melhor cena de todo o filme, em termos de provocar medo no espectador. O espectro do pai sai de uma, ao que parece, passagem secreta da casa e vai andando; quando achamos que ele não percebeu a presença da filha ali no mesmo recinto, ele pára no meio do caminho e fica ali, imóvel, de costas para “nós”. Minha nossa senhora!!, eu me arrepio todo só de lembrar, e olha que já sou bem grandinho hoje. Rs!! Essa cena ficou gravada na minha cabeça de forma indelével, e certamente vai me atormentar para o resto da vida. Rs!! Mas não que isso seja ruim, até muito pelo contrário, é um medo que aterroriza mas que deleita ao mesmo tempo, e que, por isso mesmo, faz com que gostemos tanto de assistir a filmes de terror, ou mais precisamente, bons filmes de terror, né. Aliás você foi muito feliz na sua colocação dizendo que esse é daqueles filmes de terror de uma época em que eles apavoravam mesmo a gente pra valer, bem diferente da maioria dos filmes de hoje que vivem apelando para a violência explícita totalmente gratuita, que causa muito mais repugnância do que realmente medo.

  5. Guilherme disse:

    O que vou dizer agora contém SPOILER, portanto é recomendável que quem ainda não assistiu ao filme não leia de forma alguma, pois vai estragar grande parte do prazer de ver o filme, já que revela uma informação da trama que é de extrema importância para o impacto que o filme vai causar no espectador no momento. Caso você até ache necessário excluir esta minha postagem, Marcos, vou entender perfeitamente, viu; então você decide aí se deve ficar aqui ou não.
    Bom, o que eu queria falar é que existe outra parte do filme que também me fez gelar a espinha. É quando descobrimos que todas aquelas pessoas que moravam ali no mesmo edifício da protagonista, e com as quais esta interagia diariamente, já haviam morrido há muito tempo. Pqp!! Não é preciso dizer mais nada, né. E há também a sequência final, que já é bem mais explícita, mas que também não deixa de causar um certo medo, com todas aquelas pessoas deformadas – que sabemos serem encarnações de demônios – aparecendo de todos os cantos do apartamento e rapidamente abarrotando o lugar.
    É, este filme, pelo menos na minha opinião, é uma obra-prima inconteste no gênero do terror; é uma pena que ele tenha passado tão desapercebido da maioria dos fãs. Todavia espero que um dia ele receba seu devido reconhecimento.

  6. […] de filmes clássicos do horror como Sombras da Noite (o original, não a babaquice de Tim Burton), A Sentinela dos Malditos, Fome de Viver, Scanners – Sua Mente Pode Destruir, Viagens Alucinantes, e nada mais nada menos […]

  7. oscar_b disse:

    Olá Pessoal

    Primeiramente eu, que passei a acompanhar mais intensamente filmes de horror em razão deste blog, acho legal a capacidade de filmes do genêro têm de esclarecer a história nos 15 minutos finais. No caso deste filme eu fiquei uma boa parte do filme perdido e em dúvida se realmente aquela história iria ter algum sentido no final.
    Quanto ao filme em si, achei bem interessante e inovador como este filme aborda a dicotomia entre o bem e o mal, achei genial a idéia de que o responsável por decidir este duelo sempre é uma pessoal que ter propensão de tomar a decisão do lado do mal.
    A única coisa que eu acho que o filme poderia trabalhar mais é o envolvimento da igreja na história (os padres praticamente não falam nada no filme) e também explicar o porquê daquele prédio específico ser o posto do sentinela.
    Mas sem dúvida que é um belo filme. Valeu pela indicação

  8. […] da equipe do consultor de efeitos especiais Dick Smith, responsável pela maquiagem de O Exorcista, A Sentinela dos Malditos e Viagens Alucinantes, entre […]

  9. […] se esconder pelos lados de Topanga, na Califórnia em uma noite qualquer. Lisa (Cristina Raines, de A Sentinela dos Malditos) é uma fumante inveterada, que resolve sair à noite as escondidas, depois de proibida pelo […]

  10. […] se esconder pelos lados de Topanga, na Califórnia em uma noite qualquer. Lisa (Cristina Raines, de A Sentinela dos Malditos) é uma fumante inveterada, que resolve sair à noite as escondidas, depois de proibida pelo […]

  11. Victor B. disse:

    Boa crítica.Uma curiosidade:aquelas pessoas deformadas que aprecem no final eram daquele jeito mesmo,não há maquiagem envolvida.

  12. Paulo Leite Cunha Neto disse:

    Marcos, a parte final não tem maquiagem não hehe É uma das coisas mais bizarras desse filme!! Todas são pessoas deformadas que o diretor juntou andando pelo país em freak shows. Coisa que ultimamente seria impensável e tomaria mil processos hehe Dá toda uma outra dimensão a esse clássico! Vale a pena rever e gelar a espinha só com essa cena 😀 Um abraço.

  13. Marcelo disse:

    Galera, boa tarde!!!!
    Me lembro de um filme que assisti quando criança e que me deixou sem dormir por meses!
    Uma sociedade secreta (o nome é parecido com Góronzon ou Córonzon) deseja reencarnar o diabo em uma pessoa, mas para que isso aconteça, algumas regras devem ser seguidas:
    A pessoa em questão deve ter nascido em um determinado mês, deve estar segurando um artefato e etc.
    A escolhida é uma mulher mas no final o namorado/marido dela é que é o escolhido… e o diabo reencarna!
    Alguém sabe o nome deste filme???
    Abraços a todos!!!!
    Parabéns pelo site!!!!! SENSACIONAL

  14. Hugo disse:

    Filme de terror setentista , com elementos típicos do gênero da época , abordando religião e a maldade humana ,com o sobrenatural apenas de pano de fundo , Sentinela dos Malditos lembra O bebê de Rosemary em alguns aspectos , como o clima , ambientação e também apresenta vizinhos estranhos nada confiáveis .O Roteiro é razoável , mas o clima que o filme possui é suficiente para você experimentar esse filme.

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