363 – Tentáculos (1977)

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Tentacoli / Tentacles

1971 / Itália, EUA / 102 min / Direção: Ovidio G. Assonitis / Roteiro: Steven W. Carabatsos, Tito Capri, Jerome Max / Produção: Ovidio G. Assonitis, E.F. Doria, A. Caponetto (Produtor Associado) / Elenco: John Huston, Shelley Winters, Bo Hopkins, Henry Fonda, Delia Boccardo, Cesare Danova

 

E lá vamos nós com mais um filme que surge por conta do sucesso de Tubarão de Steven Spielberg. A terrível ameaça marinha da vez é um polvo gigante em Tentáculos, canastrice ítalo-americana dirigida por Ovidio G. Assonitis (sob o pseudônimo de Oliver Hellman – quase a verdadeira maionese) e co-produção da não menos canastra American International Pictures de Samuel Z. Arkoff, com distribuição pela MGM.

Eu vi esse filme pela primeira vez no Cine Trash da Band, uma película que até destoava um pouco das demais exibidas no programa de TV que era “o terror das tardes” apresentado por Zé do Caixão. Para ilustrar, em uma mesma semana que esse filme foi exibido, tivemos também Palhaços Assassinos do Espaço Sideral (óbvio) e Basket Case II. E na Internet da vida você consegue encontrar a versão dublada pela Herbert Richards que era exibida na TV aberta brasileira.

Oportunismo é a palavra da vez nesse delicioso filme mambembe, retrato da tosquice marítima oriunda do arrasa-quarteirão de Spielberg. Assonitis (que já havia plagiado O Exorcista no sem vergonha Espírito Maligno), aqui mais uma vez dá o tom a uma trama que se move em torno de um cefalópode que começa a fazer vítima atrás de vítima no balneário de Ocean Beach. O jornalista Ned Turner (vivido pelo veterano John Huston) fica intrigado com as mortes e resolve investiga-las para publicar no jornal local.

Mas para isso, irá levantar uma cruzada solitária contra a inescrupulosa Trojan Construction, empresa do Sr. Whitehead (vivido por Henry Fonda, que só aceitou participar do filme se não precisasse sair do jardim de sua casa), dona de um duto submarino que vinha sido construído no local, responsável pela mutação que fez o octópode sair de sua caverna e tomar gosto por carne humana, sugando sua vítimas até seus ossos, após sua terrível investida de nanquim. Auxiliado pelo oceanógrafo Will Gleason (Bo Hopkins), não demora a eles descobrirem a culpa do maldito animal marinho, que é uma verdadeira e impiedosa máquina de matar.

Abraço de polvo

Abraço de polvo

Sério, a contagem de cadáver aqui é violenta. O polvo gigante come tudo que vê pela frente: bebês, marinheiros, jovens curtindo um passeio de barco, mergulhadores profissionais, crianças que participam de uma regata (que obviamente as autoridades não tentam impedir, pois sabe como é, a imagem ficaria arranhada e o pânico alardeado se fosse ventilada a simples ideia de um animal marinho predador em suas praias afastaria potenciais turistas. Acho que já vi isso em algum lugar, mas não consigo me lembrar onde…) e até a esposa de Gleason, Vicky, vivida por Delia Boccardo. Nisso Assonitis e os roteiristas não economizaram esforços.

Esses esforços deixaram para serem economizados nas cenas de ataque do polvo, claro. Quanto menos mostrar o monstrengo, melhor, afinal ele é dos mais toscos. Algumas cenas de um polvo de verdade, mas aqueles de aquário, filmados de perto para dar a impressão de gigante, são misturadas com outras utilizando um animatrônico safado (e aquela cabecinha com olhos que vira e mexe aparece fora da água?) e até com direito a um polvo já comprado morto, para a cena do embate final com uma orca que consegue ainda ser mais bisonha. Claro, nada que se compare ao malfadado polvo sem motor de A Noiva do Monstro de Ed Wood, onde Bela Lugosi teve que manipular os próprios tentáculos de borracha do bicho, ou o animal de massinha de apenas seis tentáculos de Ray Harryhausen em O Monstro do Mar Revolto, produzido por Sam Katzman (já que estamos falando de picaretas mesmo).

Salva-se mesmo são as excelente tomadas subaquáticas dirigidas por Nestor Ungaro, para não jogar o filme literalmente no fundo das fossas abissais (ah não, quem vive nas fossas abissais é a lula gigante…) do cinema de horror. Outro ponto curioso é a trilha sonora de Stelvio Cipriano, repleta de momentos esquizofrênicos com músicas que destoam quase que completamente de um filme de terror, com um caricato toque de sintetizador safado que precede algumas cenas de suspense/ ataque do polvo.

Claramente há em Tentáculos um sério problema de ritmo, afinal, estamos falando de um molusco invertebrado como vilão, e não um peixe aerodinâmico como em Tubarão e seus rip offs ou de um poderoso cetáceo como em Orca – A Baleia Assassina. Mas não deixa de ser uma boa diversão, podreira bem vinda, reflexo de tempos mais bacanas e despretensiosos do cinema de terror.

Fruto do mar

Fruto do mar

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Tentáculos não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda (porcamente traduzida no Google Translator) aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Aquele dos anos 90 é um remake desse???

  2. Aquele dos anos 1990 é um remake desse?

  3. Ahhhh. Massa. Obrigado pela resposta.

  4. […] Assonitis (que gosta de um eco-horror aquático, pois havia dirigido anteriormente o também trash Tentáculos), por, digamos, “divergências criativas”. Depois de ter tomado um pé na bunda, Cameron foi […]

  5. […] foi produzida por Ovidio G. Assonitis, conhecido dos fãs do horror por pérolas como Tentáculos e Piranha 2 – Assassinas Voadoras. Também é o primeiro filme como diretor do ator David Keith […]

  6. Diego Lobato disse:

    Assisti na década de 90 uma minissérie chamado ” A Fera do Mar” que passou nas madrugadas da globo durante a década de 90, teve 4 capítulos e era uma lula gigante, e até que era bem legal, depois a Globo mutilou e começou a passar como filme na ‘Sessão da Tarde”.

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