364 – Trama Sinistra (1977)

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The Uncanny

 19677 / Canadá, Reino Unido / 89 min / Direção: Denis Héroux / Roteiro: Michel Parry / Produção: René Dupont, Claude Héroux, Milton Subotsky, Harold Greenberg, Robert A. Kantor e Richard R. St. Johns (Produtores Executivos) / Elenco: Peter Cushing, Ray Milland, Joan Greenwood, Donald Pleasence, Samantga Eggar, John Vernon

 

Um time de peso com vários veteranos do cinema de horror para nos mostrar o quanto os gatos são… malignos. Esse é o mote de Trama Sinistra, simpático filme sobre a perversidade felina dividido em três contos e uma história que serve como elo de ligação destes episódios, ao melhor estilo das antologias de terror.

Até porque um dos produtores do filme é Milton Subotsky, um dos fundadores da saudosa Amicus, produtora de filmes de terror inglesa responsável por uma série de filmes portmanteau, trazendo diversos contos rápidos de horror em um mesmo longa, popularizando essas sinistras antologias, por meio de clássicos do gênero como As Profecias do Dr. Terror, A Casa que Pingava Sangue, Contos do Além e A Cripta dos Sonhos. Mas não se confunda que este aqui não é uma realização da Amicus, e sim uma co-produção entre Reino Unido e Canadá, produzida pela The Rank Organisation.

O time de peso que falei lá no primeiro parágrafo traz nada mais nada menos que Peter Cushing, o Cavalheiro do Horror, famoso por seu papel de Van Helsing e do Dr. Frankenstein nas franquias de Drácula e Frankenstein da Hammer, Ray Milland, que já havia trabalhado com Roger Corman em O Homem dos Olhos de Raio-X e Obsessão Macabra (dentro do ciclo Poe do diretor) e Donald Pleasence, imortalizado como o Dr. Sam Loomis da cinesérie Halloween.

Blofeld?

Blofeld?

A trama sinistra de A Trama Sinistra (que nomezinho miserável) lançado em VHS pela saudosa CIC Vídeo e mais tarde em DVD com o título de A Maldição dos Gatos, traz Cushing como Wilbur Gray, um escritor paranoico das teorias das conspiração que procura o editor Frank Richards (Milland) para tentar publicar seu mais novo livro, que serviria como um alerta para toda a humanidade de que os gatos são criaturas demoníacas, vingativas, assassinas e exercem um poderoso controle sobre os homens. Para tentar provar seu ponto e convencer o editor, que obviamente acha que ele é um lunático e até tem um gato persa branco chamado Docinho, ele irá contar três histórias, devidamente repletas de provas, que estão em seus manuscritos.

O primeiro segmento, “Londres 1912”, o melhor de todos, traz uma senhora moribunda, Sra. Malkin (Joan Greenwood) que é uma verdadeira acumuladora de gatos e resolve mudar seu testamento para deixar toda sua fortuna para os bichanos, ao invés de seu sobrinho, Michael (Simon Willians) único parente vivo. Ao descobrir o plano, a empregada Janet (Susan Penhaligon) que é amante de Michael, em um ato de ganância decide roubar o testamento, seguro em um cofre que ela sabe a senha e destrui-lo, para se casar então com o rico sobrinho da megera. Mas ela é pega no pulo e então precisa matar a Sra. Malkin sufocada com o travesseiro. O exército de gatos não gosta nem um pouco do que é feito com a dona e ataca Janet, ferindo-a gravemente e fazendo com que ela se tranque na despensa. Já sem ter o que comer, Janet consegue escapar do local, mas ao invés de simplesmente sair do casarão, resolve ainda pensar na grana depois de ser quase morta, e voltar e destruir o testamento deixado no quarto. Não espere um final feliz nem para ela e nem para Michael.

O segundo conto, “Quebec Province 1975”, que é uma bobagem sem tamanho, traz uma órfã, Lucy (Katrina Holden) que perdeu os pais em um trágico acidente de avião e se vê obrigada a morar com a tia Sra. Blake (Alexandra Stewart) e o marido, e encontra na prima mais velha, a pentelha Angela (Chloe Franks), uma verdadeira inimiga: arrogante, mesquinha, desnaturada e ciumenta. Lucy só tem um amigo, seu gato preto xodó Wellington, o qual a menina não desgruda nem um momento. Angela transforma a vida da pobre garota em um inferno, com sua mãe sempre lhe passando a mão na cabeça, até que um dia, influenciando os pais com mentiras, eles resolvem levar o gato para sacrificá-lo. Mas Wellington retorna à casa e conta para Lucy o que aconteceu (sim, ela “conversa” com o gato) e a menina pega emprestado os livros de bruxaria e satanismo da mãe, preparando um encanto tosquíssimo onde Angela diminui de tamanho, e começa a ser perseguida pelo gato, em uma referência a O Incrível Homem que Encolheu de Jack Arnold.

Atirei o pau no gato...

…Mas o gato não morreu…

“Hollywood 1936” é a terceira e última história, deliciosamente divertida e com um viés cômico, onde Donald Pleasence vive Valentine De’ath, um ator de filmes de terror na década de 30 que substitui a lâmina de um pêndulo falso (em uma clara alusão ao conto “O Poço e o Pêndulo” de Edgar Allan Poe) por uma verdadeira, para assassinar sua então esposa, e poder ficar com a amante mais nova Edina (Samantha Eggar) e dar-lhe o papel principal no filme. Só que a falecida tinha uma gata que começará a arquitetar um terrível plano de vingança contra o assassino de sua antiga dona, ainda mais depois que os dois desalmados jogam sua ninhada descarga abaixo.

Claro que a gataiada não irá querer que seus atos malignos sejam descobertos e organizam um complô felino para atacar Cushing assim que ele deixa a casa de Richards, que por sua vez, parece sofrer de algum tipo de controle mental por parte de seu gato persa, Docinho, que estabelece um misterioso contato telepático com o dono e o obriga a queimar o manuscrito, ganhando ainda um copo de leite na sequência. O personagem de Milland ainda completa: “Eu faço tudo que você sempre pede”.

Trama Sinistra é uma daquelas antologias divertidas que não deve se esperar muito. Algumas situações beiram o ridículo, principalmente no segundo conto, e no ataque de gatos de pelúcia contra os seres humanos, dando-lhe aquele característico ar tosco setentista, mas também, não pode se esperar muito de um filme que fale sobre vingança de gatos, certo? Por mais sinistro que o animal possa ser para alguns e ajudado a cultivar essa pecha em filmes e livros de terror. Mas o elenco estelar, onde todos estão afiados, incluindo aí o triunvirato Cushing-Milland-Pleasence, vale todo o entretenimento.

Cushing e a ailurofobia

Cushing e a ailurofobia

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Trama Sinistra está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. oscar_b disse:

    Eu tenho a sensação que para criar nomes de filmes no Brasil os responsáveis colocam alguns termos comuns do genêro, colocam em um saquinho e sorteiam três. O que sair vai para o nome do filme

    • Hhahahahahahah… É bem por aí, Oscar.

      Pior que eu já trabalhei em distribuidora de filmes, e na verdade quem decide é o comercial. O título tem que ser vendável para o público tanto de cinema quanto de locadora, e essa era a única coisa que importava.

      Abs

      Marcos

  2. oscar_b disse:

    Então… mas é que nesse saquinho só tem os termo vendáveis (estabelecidos pelo Comercial).
    Curiosidade, você trabalhava no Comercial? já que na postagem sobre o filme “Sede de Sangue” vossa senhoria afirmou que atribuiu o título ao filme.

    • Não, eu era assessor de imprensa de lá. Mas eu que dava a sugestão de títulos. Eu tinha que dar, sei lá, uns dez nomes, e o comercial sempre escolhia o pior deles. No caso de Sede de Sangue foi meio que uma batida de pé que eu dei porque só dei essa opção e falei que era a única que se encaixava no filme, e condizia com o título (Thirst).

  3. […] por Peter Cushing, por conta da fama sanguinolenta do diretor, e que já havia lidado com gatos em Trama Sinistra) é um psíquico que tenta se comunicar com os mortos, possui um leve mediunidade e ainda por cima […]

  4. Roberto G. Morrone disse:

    Sensacional. Quem sabe, através desse blog maravilhoso, eu encontre alguns filmes que estou procurando. Alguns que vi na TV aberta, nos anos 1980, mas cujo título não me lembro de jeito nenhum.

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