366 – O Ataque dos Tomates Assassinos (1978)

attack_of_killer_tomatoes_poster_01

Attack of the Killer Tomatoes

1978 / EUA / 83 min / Direção: John De Bello / Roteiro: Costa Dillon, John De Bello, Steve Peace, Rick Rockwell / Produção: John De Bello, Steve Peace, Mark L. Rosen (não creditado) / Elenco: David Miller, George Wilson, Sharon Taylor, J. Stephen Peace, Ernie Meyers, Eric Christmas, Ron Shapiro

 

O Ataque dos Tomates Assassinos é o suprassumo do trash. Sempre que você pensa nas palavras trash e filme na mesma frase, é quase unânime essa produção escrachada vir à mente. Fora que esse filme hilário, despretensioso e retardado já faz parte do imaginário popular até de quem nunca assistiu a essa pérola da tosquice camp.

E este é o seu grande trunfo. Ele não se levar nem um pouco a sério e estar recheado de piadas sacanas nas entrelinhas que obviamente passaram despercebidos por mim quando assisti pela primeira vez ainda pequeno (para quem não era criança nos anos 80 e 90 ou não se lembra, rolou uma febre dos tomates assassinos certa época, com direito a desenho animado na televisão e até jogo de videogame para o Nintendinho). Mas depois de vê-lo mais velho, ele certamente entra no mesmo patamar de comédias rasgadas como Apertem os Cintos que o Piloto Sumiu e Corra que a Polícia vem Aí.

Prova maior disso para mim foi quando tentei gravar um Horrorcast de O Ataque dos Tomates Assassinos, e simplesmente não consegui. Porque primeiro não conseguia ficar sem dar risada das idiotices extremas do filme. Segundo, porque não dá para sacanear um filme como esse, que já se sacaneia desde o primeiro segundo de metragem, com aquela infame frase de abertura: “Em 1963, Hitchcock fez um filme mostrando um selvagem ataque de criaturas aladas a seres humanos… As pessoas riram. Em 1975, 7 milhões de pássaros invadiram uma cidade americana, resistindo a todos os esforços para expulsá-los… Ninguém está rindo agora.”

Frutas, verduras e legumes matam!

Frutas, verduras e legumes matam!

Mal você sai dessa e já começam os créditos com uma música ao melhor estilo cantina italiana (“Attack of the killer tomatoes! / Attack of the killer tomatoes! / They’ll beat you, bash you, squish you, mash you / Chew you up for brunch and finish you off for dinner or lunch!”) com suas falsas propagandas, espaço de venda de anúncios publicitários, participação da Companhia Real de Tomates Shakespearianos, Costa Dillon aparecendo em sequência fazendo quatro funções diferentes na realização do longa (e assinado como Constantine James Dillon, C.J. Dillon e C. James Dillon) e constando que foi baseado no livro “Os Tomates da Ira”, paródia ao livro “As Vinhas da Ira” de John Steinbeck. Daí para frente é ladeira abaixo.

A trama diz respeito ao misterioso ataque dos tomates contra os seres humanos, que vai resultar em uma onda de mortes (inclusive nas praias, parodiando agora Tubarão) o que levará o governo e o exército americano a tentar acabar com o problema por duas frentes. A primeira, por meio de Jim Richardson (George Wilson), Secretário de Imprensa do presidente, que precisa abafar informações e fazer com que o caso não se torne publicidade ruim, e a segunda por meio de Mason Dixon (David Miller), que reunirá um time de “especialistas” para tentar colocar um fim ao ataque, contando com o mestre em disfarces Sam Smith (Gary Smith – que tem seus dois grandes momentos ao se disfarçar de Hitler, e o pior, ser confundido com ele – detalhe que ele é negro – e quando se disfarça de tomate para se infiltrar e conhecer melhor seus costumes), a nadadora olímpica cheia de anabolizantes Gretta Attenbaum (Benita Barton), o perito em mergulho Greg Colburn (Steve Cates, que passa o filme inteiro de pé de pato, snorkel e tanque de ar nas costas) e o paraquedista Wilbur Finletter (vivido pelo roteirista e produtor J. Stephen Peace).

Como se não bastasse esse tanto de gente incompetente junta, há ainda a repórter Lois Fairchild (Sharon Taylor) que é enviada pelo seu inescrupuloso editor para investigar essa história de tomates assassinos custe o que custar; uma conspiração governamental que pode conter a resposta sobre essa revolta dos tomates e seu aumento exponencial de tamanho; e uma verdadeira guerra civil, alimentada ainda mais por um presidente burocrata que passa o filme inteiro assinando papeis em branco e querendo explodir Nova York a todo custo com um bando de congressistas que lembram os melhores momentos do senado brasileiro.

Perseguição implacável

Se correr o tomate come…

Pronto, o cenário está armado para você ver algumas das imagens mais patéticas, nonsense e exageradas da sétima arte, como a reunião entre os membros do governo em uma sala minúscula, com a presença do proeminente Dr. Nokitofa (e seu sotaque); o ciborgue que só tem uma perna funcionando; o mestre em disfarce em um ritual tribal com os tomates ao melhor estilo documentário do National Geographic cometendo o terrível erro ao pedir para os frutos passarem o ketchup; e claro, obviamente não posso esquecer da canção número um da América, hit parade de todas as rádios, “Puberty Love”, de Matt Cameron (que mais tarde vejam só, seria baterista do Soundgarden e Pearl Jam!!!).

O filme só teve 90 mil dólares de orçamento (e parece muito superior que tantos filmes baratos feito no período, pelo fato de ter sido filmado com um negativo de maior qualidade que o usual) e dessa grana, vejam só, 30 mil foram perdidos na cena do acidente de helicóptero, que absurdamente foi real e desproposital. O piloto sofreu ferimentos leves, e os atores George Wilson e Jack Riley tirados do acidente rapidamente continuaram gravando o resto da cena enquanto o helicóptero pegava fogo no set ao fundo. Outro detalhe curiosíssimo é que uma das cenas em que um tomate gigante (feito de espuma) está usando um fone de ouvido, na verdade esses fones foram feitos com tampas de privada! E na cena da reunião no estádio de San Diego, a maioria dos extras que participaram foram propositalmente com suas piores roupas. Não era mérito do figurino do filme não.

Considerado pelo USA Today como um dos cinco melhores títulos de filmes de todos os tempos (e com razão) O Ataque dos Tomates Assassinos é diversão garantidíssima na certa. A não ser que você seja um chato recalcado de plantão que só goste de filmes iranianos que ninguém vê e passam naquelas mostras de cinema para intelectualoides. Como acho que não é o caso, senão você não estaria em um blog dessa baixeza e muito menos lendo um post sobre esse filme, então, aproveite para assisti-lo mais uma vez, dar risada e prestar atenção em todas as piadas subentendidas e críticas ao american way of life, seu governo e seu exército.

Tomatoes by Dr. Dre

Tomatoes by Dr. Dre

Serviço de utilidade pública:

O DVD de O Ataque dos Tomates Assassinos está atualmente fora de catálogo. Compre a coleção aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Persie disse:

    Marcos ri muito nessa parte : “A não ser que você seja um chato recalcado de plantão que só goste de filmes iranianos que ninguém vê e passam naquelas mostras de cinema para intelectualoides. Como acho que não é o caso, senão você não estaria em um blog dessa baixeza e muito menos lendo um post sobre esse filme…”
    Seu blog é cultura! Conheço intelectualoides que curtem todos os gêneros de horror que você apresenta no blog.

    • Opa, valeu pelo elogio, Persie! Fiquei muito feliz em saber que meu blog é cultura!

      Para gostar de O Ataque dos Tomates Assassinos tem que ter certa intelectualidade cinematográfica, claro! 😉

      Obrigado por comentar.

      Abs

      Marcos

  2. Paulão Geovanão disse:

    Ploft! Pisei no tomate hahaha

  3. Paulão Geovanão disse:

    Ploft! Ploft!

  4. Theo santos disse:

    Cara o trabalho de vocês é fantástico,meio chover no molhado dar essa opinião mas é verdade.Pior que gosto de filmes tidos como chatos,assim como amo as bagaceiras deliciosas que vocês trazem pra todos interessados nessa arte apreciarem .Acharia sensacional uma área da page em que houvessem só os posteres dos filmes que na sua maioria são fodapakarai. No mais abraço gurizada!

    • Oi Theo.

      Muito obrigado pelo comentário e elogios. Só um adendo, é trabalho de “você”, sou só uma pessoa que cuida e posta do blog. 😀

      Essa ideia de pôsteres é bem legal, mas infelizmente o esquema no wordpress não ficaria legal… :/

      Grande abraço.

      Marcos

  5. Carolina disse:

    Boa noite! Amo cinema desde que me conheço por gente..hehe! Sou jornalista e escrevo críticas no jornal onde trabalho. Seu blog é demais!! Parabéns! Fico muito feliz quando encontro alguém que goste tanto de cinema como eu…isso é difícil!! O legal é que você traz filmes não, somente, de sucesso, mas os nem tão bons assim. Afinal, quem curte cinema precisa conhecer (quase) tudo! Hehehe. Um abraço. Tem página no ‘Facebook’?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: