372 – Halloween – A Noite do Terror (1978)

Halloween

1978 / EUA / 91 min / Direção: John Carpenter / Roteiro: John Carpenter, Debra Hill / Produção: Debra Hill, John Carpenter (não creditado), Kool Marder (Produtor Associado), Irwin Yabians (Produtor Executivo), Moustapha Akkad (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco: Donald Pleasence, Jamie Lee Curtis, Tony Moran, Chalres Cyphers

 

Alguns dos psicopatas assassinos mais célebres do cinema como Jason Voohrees, Freddy Krueger e Ghostface, têm muito que agradecer a Halloween – A Noite do Terror de John Carpenter. Pois sem Michael Myers para fazer escola, talvez nenhum desses outros vilões tivesse feito tanto sucesso. Fora que Halloween também é responsável por conceber as três regras básicas de sobrevivência dos filmes slasher: 1 – Não fume maconha; 2 – Não faça sexo; 3 – Nunca, absolutamente nunca, diga “eu já volto”.

Halloween – A Noite do Terror foi um definidor de gêneros. A figura implacável de Michael Myers serviria como estereótipo para todos os outros que viessem depois e se tornou o responsável por colocar os filmes de terror de uma vez por todas no imaginário popular adolescente, quando as suas facas, cutelos, machados e afins, tornam-se instrumentos de uma pesada punição contra jovens estudantes que só querem se divertir, beber, usar drogas, acampar, trepar e dar festas. Por isso Myers é o irmão mais velho e sério dos serial-killers dos slasher movies que seriam produzidos a rodo na década seguinte, até levar o cinema de horror ao seu fatídico esgotamento criativo e quase falência.

Carpenter é o pupilo mais dedicado de Alfred Hitchock. O voyeurismo, a crescente tensão acompanhada de uma minimalista trilha sonora (faixa tema inesquecível criada pelo próprio Carpenter e que se tornaria um clássico, que você consegue ouvir aqui), o assassino metódico que espreita nas esquinas. Tudo aqui é devidamente inspirado no mestre do suspense. Halloween é seu macabro tributo ao diretor inglês. Sem contar que Jamie Lee Curtis, em seu deu debute no cinema, é filha de Janet Leigh, a Marion Craine de Psicose. Os nomes de alguns personagens do filme também são abertamente inspirados em Hitchcok, como Tom Doyle de Janela Indiscreta e Sam Loomis de Psicose.

Que roupa eu uso nesta noite de Halloween?

A trama é bem simples: Michael Myers é um garoto psicopata de seis anos que mata sua irmã na noite de Halloween. Simples assim. Depois de 15 anos internado em um manicômio, Myers consegue escapar e volta para a sua cidade natal, a fictícia Haddonfield, típica pacata cidadezinha americana, para tocar o terror e perseguir os adolescentes também no dia 31 de outubro. Um ínterim: Uma coisa que nunca entendi nos filmes adolescentes americanos é porque eles sempre colocam atores com seus 20 anos para interpretar colegiais. Como é o caso de Jamie Lee Curtis nesse filme. Tipo, credibilidade zero, né? Enfim…

Nas sequências posteriores, acaba-se descobrindo que Laurie Strode, a personagem de Jamie Lee Curtis, perseguida pelo vilão, é na verdade sua irmã. Outro personagem principal é o Dr. Loomis (interpretado por Pleasence), que ficou todo esse tempo estudando o assassino e parte em seu encalço quando ele foge, tentando impedir uma tragédia, já que como ele mesmo diz em determinado momento do filme para o oficial da lei: “A morte chegou em sua pequena cidade, Xerife”.

A cena de abertura já é fantástica, com toda a sequência filmada pelo ponto de vista do garoto, através de uma máscara de palhaço, enquanto pratica sua execução. A grande inquietação do filme é que Carpenter desconstrói a premissa que o subúrbio em si e o interior de nossa própria casa, são lugares seguros. E Myers sempre aparece no limite do vídeo, como uma sombra nos arbustos, dirigindo um carro, escondido na escuridão, acompanhado por uma pesada respiração ofegante, passando a horripilante sensação de onipresença ao espectador, e mostrando a ele como suas vítimas são completamente indefesas.

Michael Myers, o irmão mais velho dos assassinos de filmes slasher

E no final em aberto do filme, quando descobre-se que Myers não é um simples humano, e sim uma força assassina incompreensível, reside a analogia entre o bem e o mal, sendo que o bem é personificado aqui pela virginal e pura Laurie, que enquanto suas amigas estão mais preocupadas com o baile de formatura e em transar com os namorados, ela mantém-se irredutivelmente casta, cuidando das crianças do bairro na noite em que todos querem se divertir. E qual sua recompensa, assim como a recompensa de todas as virgens e moralistas dos filmes de terror vindouros? A sobrevivência. Por isso, Jamie Lee Curtis ganhou o status de Scream Queen definitiva, graças ao papel de mocinha que viria a reprisar em diversas outras produções, como A Morte Convida Para Dançar, por exemplo.

Algumas curiosidades: Halloween foi filmado em uma cidade da Califórnia durante pleno verão. Para passar a ideia de outono, já que a trama acontece no Dia das Bruxas, os produtores tiveram que pintar algumas folhas e espalhar pelas ruas e calçadas durante as gravações. A máscara sem expressão de Myers foi um improviso, encontrado em uma loja de fantasias pela produção do filme. Um dos filmes que Laurie e as crianças assistem é O Monstro do Ártico, que quatro anos depois, seria refilmado por Carpenter, e ganharia o título de O Enigma de Outro Mundo aqui no Brasil. Halloween – A Noite do Terror é um dos maiores sucessos comerciais do cinema independente de todos os tempos. Teve um orçamento irrisório de 320 mil dólares e faturou mais de 60 milhões nos cinemas ao redor do mundo.

Como de praxe, deixo o último parágrafo para falar desse mal que infesta o cinema de terror: o remake. Dessa vez o responsável por assassinar um clássico, com a mesma frieza que Myers assassina suas vítimas, foi o cantor metido a diretor Rob Zombie. Em 2007 ele fez sua versão execrável batizada por aqui de Halloween – O Início, que ainda rendeu uma sequência pior ainda em 2009. Já a franquia original ganhou mais sete continuações. Destaque para Halloween 2 – O Pesadelo Continua, que se passa cronologicamente logo após o término do primeiro filme e Halloween H20 – Vinte Anos Depois, lançado 20 anos após o original, que ignora todas as sequências e segue do ponto de partida deixado pelo filme de Carpentar, com a volta de Jamie Lee Curtis ao papel de Laurie Strode, agora mais velha, tendo que combater Myers e ajudar seu filho e outros adolescentes a escapar com vida.

A rainha do grito!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Hallowenn – A Noite do Terror está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] 13 pega o que Halloween – A Noite do Terror de Carpenter começou e dá vida ao subgênero slasher com elementos muito bem definido que seriam […]

  2. […] o melhor filme do diretor, e olha que ele tem vários outros filmes de terror no currículo, como Halloween – A Noite do Terror , Christine – O Carro Assassino e A Bruma Assassina. Indispensável. Nem todos os cães merecem o […]

  3. […] Sexta-Feira 13 e Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, juntando-se aos setentistas Michael Myers de Halloween e Leatherface de O Massacre da Serra Elétrica. Outro desses personagens que também se tornaria um […]

  4. […] Krueger há pouco mais de dez anos, e o roteirista Kevin Williamson era um verdadeiro devoto de Halloween – A Noite do Terror de John Carpenter, tendo aprendido certinho tudo que ele quis passar naquele filme. Soma-se isso um […]

  5. […] beber umas cervejas (ou sucos), beliscar alguns petiscos, jogar pinball e assistir ao clássico Halloween – A Noite do Terror, do mestre John Carpenter, que será exibido nos telões do andar de cima da […]

  6. mnasom disse:

    Ja assisti halloween 1 2 3 4 5 6 h2o ressureicao halloween inicio e II varias e varias vezes,concordo que rob zombie reduziu a zero a serie,substituiu o suspense psicologico pelo sangue e violencia explicito.O primeiro que assisti foi halloween 2 o pesadelo continua numa antiga sessao de cinema do sbt, ha muito tempo atras.Hj com o advento da internet banda larga ficou acessivel assistir os classicos.

  7. […] todos eles. E inegável sua influência, principalmente para que John Carpenter nos brindasse com Halloween – A Noite do Terror quatro anos mais tarde, e servisse de inspiração rasgada para Mensageiro da Morte em 1979, que […]

  8. […] em começo de carreira, após o baita sucesso de seu filme anterior, Halloween – A Noite do Terror, e preparando terreno para seu melhor filme (na minha humilde opinião), O Enigma de Outro Mundo, […]

  9. […] nas cenas de dança? Esse clássico do cinema slasher dos anos 80 pode ser definido como Halloween – A Noite do Terror encontra Carrie – A Estranha e encontra Os Embalos de Sábado à […]

  10. […] 13 pega o que Halloween – A Noite do Terror de Carpenter começou e dá vida ao subgênero slasher com elementos muito bem definido que seriam […]

  11. […] 13 pega o que Halloween – A Noite do Terror de Carpenter começou e dá vida ao subgênero slasher com elementos muito bem definido que seriam […]

  12. Eduardo Farias disse:

    Excelente resenha para este clássico absoluto do horror! Agora fico no aguardo do Halloween II (1981) e do Halloween III (1982) que, mesmo não tendo nada a ver com Michael Myers, tem o seu charme. Abraço!

  13. […] o que já dá uma baita chancela para a coisa realmente ficar boa, o filme começa exatamente onde Halloween – A Noite do Terror terminou, mesmo se passando três anos do lançamento do seu antecessor. Há até uma rápida […]

  14. […] também é uma bela homenagem ao cinema de horror. Logo seu começo já é uma mistura de Halloween – A Noite do Terror, de John Carpenter e Psicose de Alfred Hitchcock, em uma cena em que um garoto veste uma máscara […]

  15. […] fato. Todos eles seguem aquela mesma cartilha de regras impostas lá atrás por John Carpenter em Halloween – A Noite do Terror, todos eles têm garotas com peitinhos de fora, adolescentes com hormônios em ebulição, roteiros […]

  16. […] filme do diretor, e olha que ele tem vários outros clássicos filmes de terror no currículo, como Halloween – A Noite do Terror, A Bruma Assassina e Christine – O Carro Assassino . […]

  17. […] Talvez tão icônico quanto o toque minimalista criado por Carpenter como a música tema de Halloween – A Noite do Terror, seja aquele sintetizador eletrônico em loop chato pra burro com aquela voz de criancinhas […]

  18. […] Sexta-Feira 13 e Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, juntando-se aos setentistas Michael Myers de Halloween e Leatherface de O Massacre da Serra Elétrica. Outro desses personagens que também se tornaria um […]

  19. […] Padre Loomis (que deve ser irmão gêmeo do Dr. Sam Loomis, vivido também por Donald Pleasence em Halloween – A Noite do Terror) é chamado a uma igreja para iniciar uma série de investigação após a morte de um dos […]

  20. […] intenção da quarta parte da franquia iniciada brilhantemente pro John Carpenter no seminal Halloween – A Noite do Terror, de 1978. Sabemos que depois de uma ótima sequência, Halloween 2 – O Pesadelo Continua, que se […]

  21. […] tios de Laurie Strode (a personagem de Jamie Lee Curtis lá no Halloween – A Noite do Terror original) moram na antiga casa dos Myers com a mocinha da vez, Kara Strode (Marianne Hagan) que tem […]

  22. Cinéfilo disse:

    Então cara, acho que no decorrer da própria resenha você juntou as pistas sobre a “trama bem simples”, que na verdade carregava toda a simbologia do mal judaico-cristão entregue sem didatismo: o assassinato da família na noite em que tradicionalmente ele (o mal) está livre pelas ruas e encontra um menininho incauto. Tanto que o garoto fica catatônico, como que sem alma, e faz um profissional (Loomis) que deveria presumidamente usar a razão, concluir que ele tinha os olhos do mal.

    Mas, o que achou do H20? Pergunto aqui porque não vi a resenha dele, e particularmente achei bem razoável, só não vou comentar mais aqui pra não misturar. Falou

    • Oi Cinéfilo. É que cronologicamente não cheguei ainda no H20, mas eu também acho bem razoável. Na real compactuo com alguns que acharam acertada a ideia de ignorar completamente da parte 4 em diante e seguir em fazer H20 após os dois primeiros (e únicos que realmente prestam!).

      Abs

      Marcos

  23. […] Krueger há pouco mais de dez anos, e o roteirista Kevin Williamson era um verdadeiro devoto de Halloween – A Noite do Terror de John Carpenter, tendo aprendido direitinho tudo que ele quis passar em seu seminal filme. Soma-se […]

  24. […] nos slasher movies, baseados no conjunto de regras instituídos por John Carpenter em seu Halloween – A Noite do Terror, aqui o agora estudante de cinema (óbvio) disserta com o personagem de Arquette sobre o as três […]

  25. […] nos idos de 1978, John Carpenter lançava seu seminal Halloween – A Noite do Terror, onde introduziu no cânone do cinema de terror o serial killer Michael Myers e ditaria as regras […]

  26. […] dos outros, isso sem contar as infindáveis cineséries, tipo Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e Halloween, gerando tubos de dinheiro e arrastando uma grande quantidade de público aos […]

  27. […] as outras cineséries, como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, O Massacre da Serra Elétrica ou Halloween, a franquia derivada de Brinquedo Assassino sempre teve seu idealizador por trás, escrevendo, […]

  28. […] Paulo e está de bobeira nessa noite, vai rolar Maratona John Carpenter no Cine Phenomena, exibindo Halloween – A Noite do Terror, À Beira da Loucura e Os Aventureiros do Bairro Proibido. Inteira é R$ 10 e meia R$ 5 para os […]

  29. […] de sequências malfadadas e devidamente ignoradas na cronologia da franquia (que só considerava Halloween – A Noite do Terror e Halloween 2 – O Pesadelo Continua), Myers voltou à ativa no decente Halloween H20 – 20 Anos […]

  30. MARCOS disse:

    Na parte 2, num diálogo é dito que Laurie nasceu dois anos após Myers ser internado, ou seja, em 1965. Laurie teria no filme 13 anos, pois, o filme passa-se em 1978. Jamie Lee Curtis tinha 19 anos na época. Que erro!

  31. […] de vista de Glen/Glenda, que remete tanto a Psicose, na cena do chuveiro, quanto, e principalmente, Halloween – A Noite do Terror de John Carpenter. E as mortes são das melhores da franquia, sangrentas e inventivas, fazendo o […]

  32. […] algo desenvolvimento puramente para entreter? O que dizer de Uma Noite Alucinante? Ou até mesmo Halloween – A Noite do Terror? Claro, pode-se argumentar que Halloween reflete a natureza do mal, mas em última análise, é uma […]

  33. […] é vivido por George Rose e William Hart, por Donald Pleasence (famoso pelo papel do Dr. Loomis, de Halloween – A Noite do Terror). Ambos igualmente ótimos, diga-se de passagem. Para conseguir uma grana fácil, ambos começaram […]

  34. […] Will Sandin, o pequeno Michael Myers de Halloween – A Noite do Terror: […]

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