384 – Zoltan – O Cão Vampiro de Drácula (1978)

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Dracula’s Dog / Zoltan, Hound of Dracula

 1978 / EUA, Itália / 90 min / Direção: Albert Band / Roteiro: Frank Ray Perilli / Produção: Albert Band, Frank Ray Perilli, Phillip Collins (Produtor Executivo) / Elenco: Michael Pataki, Jan Shutan, Libby Chase, John Levin, Reggie Nalder, José Ferrer

 

Outro daqueles filmes que passavam no SBT durante a minha infância (e distribuído em VHS pela VTI Vídeo) e ficaram gravadas no meu imaginário. Sempre que eu via um dobermann, eu o chamava de Zoltan por causa dessa tosca película sobre cachorros vampiros (!!!???). Zoltan, o Cão Vampiro de Drácula tem uma história tão surrealmente ridícula, que acaba sendo o seu charme.

Quando você pensa que já viu de tudo eis que Drácula teve família e um cachorro de estimação. Na verdade Zoltan pertencia a um caseiro chamado Veidt Smith (Reggie Nalder). Certa noite, o cão salvou uma garota de ser sugada pelo Conde, e puto da vida, ele resolve transformar-se em morcego e morder o canino, tornando-o um cão vampiro. O pobre Smith é transformado em uma espécie de carniçal, escravo de Drácula servindo ao mestre e cuidando de seu recém adquirido animal de estimação. Criatividade à beça.

Passam-se algumas centenas de anos, e durante uma escavação na Romênia, o exército russo descobre o caixão de Drácula, e acidentalmente, um soldado liberta Zoltan do sono profundo após um terremoto, arrancando a estaca de seu coração. Pronto, o cachorro inteligentíssimo mata o soldado e também desperta Smith, que parte com o animal para os EUA, na busca do último descendente vivo de Drácula, um tal de Michael Drake (Michael Pataki), que vive uma vidinha pacata com sua esposa, dois filhos e um casal de pastores alemães que acabaram de dar uma ninhada de filhotes.

Com esse roteiro ridículo, daí para frente é só patifaria. O inspetor Branco (José Ferrer), uma espécie de Van Helsing da vez, também viaja até a América para alertar Michael, que foi acampar com a família e vive sendo atacado tanto por Zoltan, quanto por sua recém formada matilha de cachorros vampirescos, a fim de transformá-lo em um vampiro, e que assim o Conde possa ressurgir nele e comandar o cão e Veidt em suas buscas por jugulares pulsantes de sangue.

O "cãode" Drácula

O “cãode” Drácula

E o cachorro é do mal. Ataca outros animais, crianças, vagabundos, filhotes (até um dos filhotinhos de pastor alemão é transformado em cão vampiro, vejam só que crueldade), e quase destrói uma casa por inteiro. É uma verdadeira ameaça sinistra. Mas temos que tirar o chapéu para Zoltan: baita cão ator. As melhores atuações do filme são dele, na verdade (créditos para o treinador Karl Miller).

Duas cenas em particular “enobrecem” o ar trash do filme: Primeira quando Michael descobre em um velho baú uma foto antiquíssima do seu tetravô, o Conde em pessoa, posando de forma imponente com Zoltan ao seu lado. Opa, mas como assim, um vampiro (ou dois, se você contar o cão) aparecendo em uma foto? Que eu saiba a imagem deles não é refletida em espelho e não aparecem em fotografias, certo? A segunda quando insistentemente Michael é tido como o último descendente de Drácula, e por isso ele está sendo perseguido por Zoltan e o carniçal. Mas pera lá… E os filhos de Michael, Linda e Steve? Elas também são descendentes de Drácula então. Ou não, nasceram de chocadeira? Isso sem contar que eu não fazia ideia que Drácula vinha fazendo filhos e constituindo família por aí (na verdade, não fazia ideia nem que ele conseguia ter uma ereção, fazer sexo e fecundar alguém, já que é um desmorto, mas deixa isso pra lá).

Mas quer saber o que é o mais interessante? Estou lá revendo Zoltan, o Cão Vampiro de Drácula depois de um século (nunca havia visto de novo desde quando passava na TV aberta) e quem me aparece nos créditos responsável pelos efeitos de maquiagem? Stan Wiston! Ele mesmo, o gênio dos efeitos especiais, ganhador do Oscar®, responsável por nada mais nada menos que O Exterminador do Futuro, Aliens, O Resgate, O Predador, Jurassic Park e Homem de Ferro! É, todo mundo tem que começar por algum lugar. Winston foi metendo catchup e presas postiças na boca de um dobermann.

Mais legal e jocoso que tudo isso são os trocadilhos que podem ser usados em Zoltan, o Cão Vampiro de Drácula. Primeiro, que se não fosse esse “vampiro” no meio do título, ficaria “O Cão de Drácula”.  Agora leia tudo junto e rápido. Hein? Hein? Parece que o aristocrático conde seria um cão em alguma série de terror infantil sei lá, do Cartoon Network. Ou então, que por ele ser um cachorro vampírico, ele usa seus caninos de canino para sugar o sangue de suas vítimas incautas! Tá, eu parei por aqui.

Bom garoto!

Bom garoto!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Zoltan – O Cão Vampiro de Drácula não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    O Christopher Lee também não aceitou fazer esse filme do Drácula e aí colocaram um cachorro?

  2. Paulão Geovanão disse:

    Albert Band. Lendário.

  3. Giovani disse:

    Ótima postagem, apesar do roteiro ser muito tosco mesmo, ele consegue garantir uma boa diversão, como nas cenas do ”servente” do Drácula pronunciando “Zoltan” com um aquele sotaque o filme todo! eu ri demais kkkkk, os berros dos cachorros as vezes parecem ser de gente, outra vezes de dinossauros kkkkk.

  4. Dani disse:

    Tem muito tempo que eu procuro esse filme.
    Tomara que der certo esse torrent.
    Valeu!

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