389 – Crocodilo – A Fera Assassina (1979)

Great Alligator poster

Il fiume del grande caimano / The Great Alligator / Alligator

 1979 / Itália / 90 min / Direção: Sergio Martino / Roteiro: Cesare Frugoni, Ernesto Gastaldi, Sergio Martino, Mara Maryl, George Eastman / Produção: Luciano Martino / Elenco: Barbara Bach, Claudio Cassinelli, Mel Ferrer, Romano Puppo, Fabrizia Castagnoli


Sempre falei aqui no blog o quanto sou fã do cineasta Sergio Martino. Quem acompanha meus posts sabe que já rasguei elogios a ele em diversos filmes que considero incríveis, como Lâmina Assassina, Todas as Cores da Escuridão, No Quarto Escuro de Satã e Torso. Mas aqui no infame Crocodilo – A Fera Asssssina, simplesmente não há um argumento sequer que defenda o cara.

Essa preciosidade figura entre um dos piores filmes do diretor certamente (e olha que ele tem umas bombas como A Ilha dos Homens-Peixe e Keruak, O Exterminador de Aço já na sua fase decadente). Ao bem da verdade, a “genialidade” de Martino é coisa discutível até, porque ele é um sujeito que sempre aproveitou dos sucessos da época e, polivalente como tal, sempre inseriu seus filmes dentro desse contexto para surfar na onda. Isso aconteceu com a explosão dos gialli no começo da década, depois com os filmes de canibal e agora com o mais novo hype do cinema de terror, que eram animais assassinos de todos os gêneros, filos e classes (obrigado aí, Spielberg).

Um ano antes de Alligator – O Jacaré Gigante de Lewis Teague, que é o suprassumo do “jacaré/crocodilo assassino no cinema”, Martino nos provoca uma síncope de riso com esse grande caimão de espuma que ataca um grupo de turistas em um resort tropical paradisíaco na África. Sério, não dá para não cair na gargalhada com um réptil tão tosco e mal feito. Ouso a dizer que é o pior animal feito durante esses prolíficos anos do eco-horror setentista (e o que é aquele olho mentiroso?).

Além de parecer que o bicho saiu de algum carro alegórico de uma escola de samba do grupo de acesso (de acesso, nem do grupo especial!), as cenas, digamos, subaquáticas, quando mostra nitidamente que o mesmo é um daqueles bonequinhos de jacaré de plástico sem movimento que a gente compra na feira, atacando um barco igualmente de brinquedo, dá vontade de arrancar os olhos das próprias pálpebras. Tanto que essa gema está presente no documentário “The 50 Worst Movies Ever Made”.

Hora do lanche

Hora do lanche

Pelo menos, na medida do possível, Martino tal qual um Spielberg spaghetti, tenta mostrar o mínimo possível do ridículo animal de borracha, mas chega uma hora que ou ele parte para as cabeças (literalmente) ou então o filme iria decepcionar ainda mais. Esses são os momentos execráveis de Crocodilo – A Fera Assassina. E por mais que seja contraditório, são os melhores momentos também, porque a história é das mais chinfrins, as atuações são canalhas e a trilha sonora esquizofrênica e completamente fora de tom para uma produção de terror com uns petardos de ítalo disco.

Surpreendentemente escrito a oito mãos por Martino, Ernesto Gastaldi, Cesare Frugoni e o picareta George Eastman (parceiro frequente de Joe D’Amato, para se ter ideia), a trama simplória envolve a biologia Alice Brant (Barbara Bach), o fotógrafo Daniel Nessel (Claudio Cassinelli) e Joshua (Mel Ferrer), dono do resort, às voltas com o perigoso réptil aquático que ataca o os turistas que partem para um passeio regado a muita música, cachaça e pegação no rio durante à noite. Como se não bastasse, eles ainda terão de se preocupar com os Kuma, tribo feita parcialmente de escrava pelo inescrupuloso dono do hotel e seus capangas, que resolvem se revoltar quando descobrem que o grande Kruma, o deus crocodilo deles, está puto da vida.

Claro que vamos ter lá uma ou outra mensagem subliminar embutida, como a ganância das grandes corporações turísticas que invadem o habitat natural de nativos transformando-os em peças de decoração ou atrações circenses e encalacrar a fauna e flora local com grades de proteção. E que no final, a natureza seguirá seu curso e irá se revoltar contra os seres humanos, assim como aqueles nativos feitos de idiotas, que também irão começar uma insurreição e até se prestar a fazer sacrifícios humanos. Fora os turistas que acham que podem tudo, esbanjam de dinheiro e álcool para que suas vontades sejam feitas, e vão pagar caro por isso, porque o lance dessa fera assassina não é se alimentar para encher o bucho não, e sim, destroçar a maior quantidade de humanos possíveis.

Mas não se sustenta. Por mais otimista, você nunca irá se lembrar deste filme por conta desta mensagem e sim por conta do quanto ele é ruim e como aquele jacaré é bisonho. Crocodilo – A Fera Assassina é só para os fortes!

Muito real!

Jacaré de borracha X carrinho de plástico

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Crocodilo – A Fera Assassina não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

6 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Oba! Anos 80 chegando! Minha decáda favorita para filmes de terror.

  2. […] e Morte Súbita. Mas ainda assim é um clássico e convenhamos que é muito melhor que as bombas Crocodilo – A Fera Assassina de Sergio Martino, Killer Crocodile de Fabrizio De Angelis, ou o execrável Crocodilo de Tobe […]

  3. […] Alligator – O Jacaré Gigante, clássico da Sessão das Dez, e esculhambado em trasheiras  como Crocodilo – A Fera Assassina de Sergio Martino ou Killer Crocodile do picareta Fabrizio de […]

  4. O arquivo expirou, tem como reupar? Valeu!

  5. Demencia13 disse:

    Se tem Italo Disco será que aparece o duo Righeira com sua clássica ‘Vamos a la playa ô ô ô ô ô. Mano, na boa, gosto de visitar este Blog porque aqui a gente encontra só os clássicos escondidos que ninguém conhece, ninguém viu mas que existem e estão apenas esperando para serem achados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: