401 – Alien – O Monstro Assassino (1980)

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Contamination / Alien Contamination / Toxic Spawn

1980 / Itália, Alemanha Ocidental / 95 min / Direção: Luigi Cozzi / Roteiro: Luigi Cozzi, Erich Tomek / Produção: Claudio Mancini, Ugo Valenti (Produtor Associado) / Elenco: Ian McCulloch, Louise Marleau, Marino Masé, Siegfried Rauch, Gisela Hahn

 

É chover no molhado dizer aqui no blog o quanto o cinema italiano é deliciosamente picareta. Alien – O Monstro Assassino é um dos momentos mais sublimes que a cópia spaghetti de um sucesso americano conseguiu alcançar. E nada melhor uma versão macarrônica de Alien – O Oitavo Passageiro de Ridley Scott ser dirigida pelo mesmo sujeito que fez o Star Wars italiano (aka Star Crash)!!!!!

Luigi Cozzi, inveterado fã de ficção científica, dirige essa pérola do splatter italiano que bebe na fonte de Alien descaradamente, mas por ser uma versão pobretona, não se passa no espaço, e sim aqui na Terra, em locações que vão de um navio abandonado na baía de Nova York até uma fábrica de café na América do Sul!!!!

O famigerado produtor Claudio Mancini querendo receber um trocado fácil na bilheteria não hesitou na ideia de dar a cadeira de diretor para Cozzi fazer seu próximo filme de sci-fi, mas com isso veio junto no pacote uma porrada de imposições e de ideias absurdas para conseguir aproveitar ao máximo as ideias do filme de Ridley Scott. Pra começo de conversa, a produtora de Mancini ficava no mesmo prédio da produtora de Zumbi 2 – A Volta dos Mortos de Lucio Fulci, e impressionados com o caminhão de dinheiro que o filme fazia na Itália, resolveu meio que copiar seu começo, apostar na mesma quantidade de sangue e nojeira abundante e ainda trazer o ator principal, Ian McCulloch, que aqui usa uma peruca para esconder as pavorosas entradas que exibiu no filme de Fulci.

Nojeita extraterrestre

Nojeita extraterrestre

Problemas capilares à parte, o roteiro que nasceu originalmente inspirado em A Síndrome da China com Jane Fonda com toques de espionagem à la James Bond traz um navio aparentemente vazio chegando próximo ao porto de Nova York (falei da inspiração em Zumbi 2 né?) e o tenente da polícia nova-iorquina, Tony Aris (Marino Masé, péssimo que até doi) é chamado tarde da noite para investigar seu interior. Junto com uma equipe médica ele vai descobrir que a tripulação inteira está destroçada e o navio está repleto de estranhos ovos embalados dentro de caixas de café (da empresa UniverX). Um desses ovos vai eclodir e adivinhe o que acontece com a sua substância interior ao entrar em contato com as pessoas? Seu peito vai explodir, é claro.

Mas não pense que será uma explosão igual a do personagem de John Hurt na antológica cena do copiado, não. A explosão espalha tripas, sangue e vísceras para todos os lados, revirando todos os órgãos internos do cidadão ao avesso e praticamente repartindo ele em dois (não antes dele inchar como se fosse um balão se enchendo de ar). Resumo da ópera: todo mundo é contaminado por aquele líquido nojento e somente Aris sobrevive. Após um longo período de descontaminação ele é recrutado pela Coronel Stella Holmes (papel de Louise Marleau, outra imposição do produtor, uma vez que Cozzi queria Caroline Munro, sua estrela em Star Crash) para continuar a ajudar na investigação, onde descobrem uma bocada em NY repelta daquelas terríveis caixas de café cheio de ovos mutantes.

Após ser determinado pelos cientistas que a origem daqueles ovos era alienígena, a Cel. Holmes lembra-se que já havia visto um desenho deles certa vez, quando o astronauta Hubbard (Ian McCulloch), um dos primeiros homens a pousar em Marte, voltou à Terra alegando ter encontrado uma terrível forma de vida alien em uma caverna inóspita cheia de ovos em pleno Planeta Vermelho (mas que aqui é Planeta Branco e cheio de geleiras). Cena essa que faira H.R. Giger querer se suicidar de vergonha por ter inspirado algo parecido. Acontece que seu parceiro astronauta, Hamilton (Siegfried Rauch), dominado por aquela terrível força hipnótica, desmentiu Hubbard que acabou sendo expulso do Exército, por conta da Cel. Holmes, e caiu em bebedeira e desgraça.

Não, não é o ovo de Alien - O Oitavo Passageiro.

Não, não é o ovo de Alien – O Oitavo Passageiro.

Aí então a trama fica ainda mais estapafúrdia, quando na verdade Hamilton e uma sirigaita chamada Perla de la Cruz (Gisela Hahn) estão cultivando os ovos em uma plantação de café na Colômbia e exportando para o mundo todo, a fim de acabar com a raça humana de uma vez por todas. Típico vilão megalomaníaco! Hubbar, Holmes e Aris vão para a América do Sul tentar impedir o maligno plano do vilão e irão se deparar com a terrível criatura alienígena ciclópica gigante, que é uma coisa pavorosa de borracha imóvel com um olho brilhante e coberto de gosma e gelatina (que parece a dupla de alienígenas de Os Simpsons), sempre filmado em cortes rápidos e de perto para que não fosse visto os sujeitos puxando seus membros para ela se mexer. Se por acaso você levava um pouco a sério o filme até aqui, é a hora que tudo vai para o buraco e só basta rir até seu estômago doer.

Mas há dois detalhes que transformam esse filme em um clássico trash dos mais interessantes. O primeiro, como já destacado, é a sangreira em profusão, crédito para a maquiagem de Pierantonio Mecacci. Os peitos dos cidadãos explodindo violentamente são de uma brutalidade gráfica tremenda (foram usados trajes volumosos com sacos de sangue por baixo das roupas das vítimas, que quando pressionados, estouravam e expeliam seu conteúdo gore), e inclua nessa conta uma terrível cena quando a gosma é injetada em um rato de laboratório e ele explode em pedaços. Imagine se fosse feito com os beagles do Instituto Royal? O segundo é a trilha sonora climática da banda de rock progressivo Goblin, do brasileiro Claudio Simonetti, famosa pela trilha de diversos filmes do Dario Argento.

Adivinhe se o Alien – O Monstro Assassino não entrou para a famigerada lista dos nasty videos do DPP após aprovada a Video Recordings Act e foi banido no Reino Unido? Mas claro que foi. E quando lançado em VHS nos EUA, foi pesadamente cortado (11 inacreditáveis minutos) para ganhar uma classificação R, com os títulos de “Alien Contamination” e “Toxic Spawn”. Ainda bem que quando lançado em DVD foi em sua versão uncut e essa que temos disponível para baixar nessa Internet de meu Deus, com todo seu esplendor de gore, gosma e nojo.

Kang ou Kodos?

Kang ou Kodos?

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Alien – O Monstro Assassino:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Alien – O Monstro Assassino não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

8 Comentários

  1. Filipe Roque disse:

    Mas e quanto aquela outra cópia do filme de Scott,Alien 2 – Sulla Terra

  2. Marcus Vinícius disse:

    Vi esse filme no Horrorcast. E PARABÉNS por voltar com os vídeos, já estava com saudade assim que vi o aviso que o google tinha excluído o seu canal. Bem vindo de volta!

  3. Paulão Geovanão disse:

    Já cantava Raul Seixas: “… Ei! Anos 80, charrete que perdeu o condutor…”

  4. Paulão Geovanão disse:

    É isso aí! Os anos 80 foram phodásticos.

  5. […] Passageiro de Ridley Scott (só que muito mais na pegada de seus rip offs italianos, como o tosco Alien – O Monstro Assassino de Luigi Cozzi) e O Enigma de Outro Mundo de John Carpenter (claríssima inspiração para […]

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