407 – Criaturas das Profundezas (1980)

Humanoids-from-the-Deep

Humanoids from the Deep / Monster

1980 / EUA / 80 min / Direção: Barbara Peeters, Jimmy T. Murakami (não creditado) / Roteiro: William Martin, Frank Arnold & Martin B. Cohen (história) / Produção: Martin B. Cohen, Hunt Lowry (Co-Produtor), Roger Corman (Produtor Executivo) / Elenco: Doug McClure, Ann Turkel, Vic Morrow, Cindy Weintraub, Anthony Penya, Denise Galik

   

Lá no finalzinho dos anos 70, o italiano Sergio Martino brindou o mundo com sua pérola trash, intragável cópia da Ilha do Dr. Moreau e campeão de reprise da Sessão das Dez do SBT, A Ilha dos Homens-Peixe. Na América, o filme foi distribuído pela New World Pictures, produtora do Rei dos Filmes B, Roger Corman, e editado para incluir mais violência para o público yankee.

Pois parece que Corman gostou tanto da história desses monstros humanoides anfíbios, e misturada com a inspiração dos filmes sci-fi da década de 50, principalmente O Monstro da Lagoa Negra de Jack Arnold, eis que surge a gema inominável Criaturas das Profundezas.

Se você é fã da podreira em seu mais baixo nível, efeitos de maquiagem tosquíssimos, muito sangue e mulher pelada, definitivamente Criaturas das Profundezas é seu filme. Juro que ele até tenta passar uma mensagem ecológica, de testes científicos utilizados por uma inescrupulosa fábrica que tenta alterar geneticamente os peixes de uma cidadezinha pesqueira, e também tenta calcar uma parta da sua história no preconceito contra os povos indígenas, mas nem tente levar isso adiante. O que importa mesmo é a quantidade de gore no ataque desses mutantes marinhos e na incessante busca de mulheres para eles se reproduzirem.

Dirigido por Barbara Peeters (após ter sido recusado por Joe Dante, que havia dirigido Piranha anteriormente para Corman) – e mais tarde eu volto na picuinha que rolou entre ela e o produtor executivo – a trama já foi adiantada de grosso modo no parágrafo acima. A cidade costeira de Noyo, na Califórnia está mal das pernas, com a pesca de salmão cada vez mais escassa, e parece que a solução de todos os problemas é aderir ao progresso, com a instalação de uma fábrica da companhia Canco no local, que com certeza destruiria todo o ecossistema, mas entregaria peixes maiores e em abundância.

Bleeeeeeeergh

Bleeeeeeeergh

Há um grupo liderado pelo infame Hank Slattery (Vic Morrow) que é totalmente à favor da indústria, e outro, do descendente indígena Johnny Eagle (Anthony Pena) que não gosta nem um pouco da ideia, e isso irá gerar atritos eternos entre os dois até o final do filme. No meio termo, está o herói da vez, o pescador Jim Hill (Doug McClure), que começa a perceber as misteriosas mutilações, mortes e o desaparecimento de garotas na praia e com a ajuda da cientista da Canco, Dr. Susan Drake (Ann Turkel), descobre as terríveis experiências da companhia que geraram uma mutação desordenada em celacantos, que era alimentos dos salmões e voilá, deram origem a essas bestias criaturas marinhas.

O grande deleite mesmo é quando esses bichos feios de dar dó vestidos em roupas de borracha e cobertos por algas marinhas saem dos oceanos para destroçar humanos e cães com suas afiadas garras e estuprar as garotas. Engraçado é nunca deixar de reparar é que quando ele ataca as vítimas do sexo feminino, de forma certeira, o primeiro golpe é arrancar a parte de cima de seus biquínis, deixando seus belos seios à mostra. Afinal, as criaturas não são nem um pouco bobas. E criaturas essas criadas por ninguém menos que Rob Bottin, que ganharia o Oscar® de efeitos visuais mais tarde. Fora que só três trajes foram criados, e em apenas uma cena os três monstros aparecem juntos, que é exatamente no clímax onde eles atacam a feira anual de Noyo e causam um verdadeiro pandemônio. Coisas de filmes B, sabe?

E não há como passar incólume ao final espetacular de Criaturas das Profundezas. ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Uma das garotas estupradas pelos mutantes sobrevive ao ataque só para ficar grávida dos anfíbios anabolizados, e na cena final, mostra-la em uma mesa de operação com uma dessas criaturinhas, ao melhor estilo Alien – O Oitavo Passageiro, rompendo sua barriga, gunchinando enquanto um jorro de sangue voa para todo o lado. Simplesmente espetacular!

Socorro!

Água muuuuuuito salgada

Na verdade Criaturas das Profundezas foi um celeiro de nomes que se tornariam bem famosos na indústria do cinema e da TV futuramente. Entre eles, o compositor que faz a trilha sonora, James Horner, aquele que fez a OST de Titanic (e ganhou o Oscar® por isso) e a futura produtora do seriado The Walking Dead, Gale Anne Hurd, que trabalhou como assistente de produção aqui. Mas o grande entrevero envolvendo a equipe de filmagem foi de Corman com a diretora Barbara Peeters. Filmado em 16 dias e com um plot de suspense e ciência, Corman não gostou do resultado final e resolveu incluir (para nossa alegria), mais sangue e sexo.

Peeters foi veementemente contra, dizendo que era apenas para mostrar mais nudez (ah, jura?), torna-lo exploitation e principalmente por conta da história dos monstros estuprarem garotas, e foi demitida por Corman (mesmo com as filmagens terminadas), com as cenas adicionais dirigidas por Jimmy T. Murakami (de forma não creditada). E o melhor é que essas mudanças no conteúdo visual do filme não foram avisadas para a maioria dos envolvidos, tendo gente passado carão até na pré-estreia (como foi o caso da atriz Ann Turkel). E ainda ambas bravejaram para que seus nomes fossem tirados dos créditos do filme, o que não adiantou muito. Turkel até apareceu em um programa de TV sentando o cacete em Corman e o culpando por aquela afronta.

Agora cá entre nós? Criaturas das Profundezas já é ruim de doer, com uma história chula, atores medíocres, direção pavorosa e efeitos especiais bisonhos. Agora imagine a porcaria que seria sem a violência e a nudez? A meu ver, Corman tinha toda a razão. É que acabou pisando no calo de algumas garotas lutando pelos direitos femininos e contra e exploração da nudez das mulheres e coisa e tal, porque realmente são cenas passíveis de ofensa. Mas são essas cenas toscas que o tornou um daqueles cults da bagaceira. Sem nada disso, seria somente um filme dos mais chatos e dispensáveis. Hail Corman!

Afogando o ganso!

Afogando o ganso!

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Criaturas das Profundezas:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Criaturas das Profundezas não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Allan disse:

    Opa! Chegaram os anos 80, onde o trash come solto!

  2. Marcus Vinicius disse:

    Mais um classico do Horrorcast, e NADA DE HORRORCAST NOVO. Ta demorando, hein.

    • Oi Marcus. É porque como você deve saber, nosso canal do Youtube foi deletado pelo Google/Warner. Então estamos subindo todos os Horrorcast antigos para não encavalar e arrumar a casa, e aí iremos voltar com os episódios novos.

      Peço desculpas pela demora, mas infelizmente fomos boicotados pelo Youtube. Tenha uma pouquinho de paciência que logo voltaremos à ativa!

      Obrigado.

      Abs

      Marcos

  3. […] ele gostou tanto da ideia desses monstros subaquáticos que no ano seguinte lançaria sua gema Criaturas das Profundezas, obviamente inspirado pelo clássico trash de Martino, mas com aquele toque especial de Corman, com […]

  4. […] A Ilha dos Homens-Peixe, clássico da Sessão das Dez do SBT nos anos 80 e o sensacionalmente tosco Criaturas das Profundezas do mestre dos filmes B, Roger […]

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