408 – The House on the Edge of the Park (1980)

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La casa sperduta nel parco

1980 / Itália / 91 min / Direção: Ruggero Deodato /Roteiro: Gianfranco Clerici, Vincenzo Mannino / Produção: Franco Di Nunzio, Franco Palaggi / Elenco: David Hess, Annie Belle, Christian Borromeo, Giovanni Lombardo Radice, Marie Claude Joseph, Gabriele Di Giulio

    

The House on the Edge of the Park sempre será inevitavelmente tachado como cópia italiana de Aniversário Macabro de Wes Craven. Principalmente por conta do título (o nome original de Craven é The Last House on the Left), a presença do ator David Hess e a história recheada de brutalidade, sadismo, tortura e estupro. Mas acho que no final das contas, são duas obras que tem suas coincidências, mas também suas disparidades, e devem ser vistas de maneira independente.

Pois bem, o diretor Ruggero Deodato já é velho conhecido dos fãs de filme de horror por conta de seu trabalho chocante e polêmico em Cannibal Holocaust. Aqui nesta película, ele deixa um pouco a violência gráfica e o gore desmedido de lado (o que pode até chatear os mais reaças) e parte para um suspense forte com requintes de crueldade, quando dois punks resolvem fazer um grupo de amigos endinheirados de refém e promover jogos sexuais e sessões de agressão física e tortura. Mas como é um filme italiano, o final terá lá sua reviravolta estrambólica da vez.

Logo no começo da fita, Deodato já nos mostra ao que veio, mostrando uma cena tensa com uma trilha sonora adocicada do mestre Riz Ortolani, falecido recentemente, que já havia feito esse tipo de brincadeira de sentimentos musicais no próprio Cannibal Holocaust. Alex (Hess) persegue uma garota de carro em um parque e acaba por estuprando e matando-a brutalmente. Corte de cena e Alex, que trabalha como mecânico, interceptador e vendedor de carros roubados nas horas vagas e seu comparsa, Ricky (Giovanni Lombardo Radice), são convidados para uma festinha privé na casa dos aristocráticos Tom (Christian Borromero) e Lisa (Annie Belle), clientes que precisavam que seu carro fosse arrumado tarde da noite e impede os dois de sair para alguma discoteca festejar.

Tá, por aí já começa a inverossimilhança do filme, pois quem em sua sã consciência, e tudo bem que estamos falando do começo dos anos 80, chamaria dois sujeitos como Alex e Ricky para uma festa na sua casa? Nesse angu tem caroço ou é apenas ingenuidade e furo de roteiro? Aguardem até o final da fita. Chegando lá, Alex fica louquinho para pegar Lisa, e Ricky faz papel de idiota perante os outros ricaços, sendo motivo de xacota e trapaceado no pôquer. Alex então saca qual é a dos metidos que queriam humilhá-los e transforma a festinha em um pesadelo, fazendo os cinco de reféns, torturando-os física e psicologicamente e abusando sexualmente das garotas. O que é pretexto para toneladas e toneladas de frames de garotas nuas em pelo (e olhe, coloque pelo nisso!).

Oh Cindy...

Oh Cindy…

Filme vai, filme vem, a tensão vai aumentando, assim como o suspense, os reféns tentam ludibriar Ricky, principalmente Glenda (Marie Claude Jospeh), por quem o rapaz ficou amarradão, rola sexo aqui, acolá, os homens moles são feitos de saco de pancada e até aparece uma nova refém, a ninfeta Cindy (Brigitte Petronio), loirinha virgem e inocente que quase tem sua pureza deflagrada pelo escroque Alex, além de ser severamente cortada por golpes de sua navalha enquanto o sádico cantarola a música “Cindy, Oh Cindy” (que já ganhou até versão do Beach Boys), que por sinal, é uma das melhores cenas do filme e mostra que Hess sabia interpretar um cara mau como ninguém.

Daí vem o final e você precisa usar toda a suspensão de descrença que você seja capaz para conseguir engoli-lo. ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Na verdade, tudo não passou de um embuste que Tom preparou para atrair Alex para sua casa e executar seu mirabolante plano de vingança, já que a garota violentada e morta no começo do filme era sua irmã. E usar a desculpa de que os dois invadiram sua casa e suas mortes foram em legítima defesa. É inteligente e estúpido ao mesmo tempo, mas o problema é que os panacas nunca tiveram as rédeas da situação, daí milagrosamente o roteiro cheio de buracos se encarregou de nada sair do controle e ninguém ser morto.

E com toda sua dose de perversão e violência, claro que The House on the Edge of the Park, foi parar na lista dos nasty videos do DPP e proibido de ser exibido na Inglaterra. E olhe que coisa, só conseguiu ser exibido por lá em 2002, com nada mais nada menos que 11 minutos e 43 segundos de corte. Ou seja, não sobrou nada de interessante para se ver no filme. E todo filme que era banido e entrava na famigerada lista do BBFC claro que ganhava um marketing adicional por se envolver nessa polêmica. Até hoje.

The House on the Edge of the Park foi sim idealizado tentando pegar carona no sucesso de Aniversário Macabro de Craven, lançado quase dez anos antes, mas tem seus próprios méritos e vai se distanciando do exemplar americano na condução extensa e muito mais violenta da tortura, estupro e assassinato e também no que concerne a vingança. Detem certo mau gosto com justiça poética e é só para os fãs mesmo do cinema exploitation, apesar de ser muito bem dirigido e conduzido por Deodato até seu final, e contar com a explosiva atuação de David Hess, que faleceu em 2011.

Noite de jogatinas, bebedeiras e torturas!

Noite de jogatinas, bebedeiras e torturas!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de House on the Edge of the Park não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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