416 – Predadores da Noite (1980)

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Virus / L’inferno dei morti viventi / Hell of the Living Dead / Night of the Zombies / The Gates of Hell

1980 / Itália, Espanha / 101 min / Direção: Bruno Mattei / Roteiro: Claudio Fragasso, José María Cunillés / Produção: Isabel Mulá, José María Cunillés (Coprodutor), Sergio Cortona (Produtor Executivo) / Elenco: Margit Evelyn Newton, Franco Garofalo, Selan Karay, José Gras, Gabriel Renom, Josep Lluís Fonoll

  

Um filme que junta Bruno Mattei e Claudio Fragasso na direção e roteiro, sem dúvida a mais picareta dupla do cinema italiano, só poderia resultar em um dos PIORES FIILMES DE ZUMBI já feitos em todos os tempos. Estou falando da über bagaceira Predadores da Noite.

Usando o nome de Vincent Dawn, Mattei é o mais ordinário, amador, incompetente, plagiador, incapaz, sem talento e execrável diretor oriundo da Itália. O cara simplesmente não entende nada de nada da função de diretor e é um cara que eleva o status de Ed Wood a gênio da sétima arte se comparados. Predadores da Noite tem absolutamente tudo que pode fazer um filme ser horrível: direção mambembe, “atores” canastras (entre aspas mesmo), fotografia e cenografia de péssima qualidade, erros crassos de continuidade, figurino esculachado, trilha sonora patética. Sabe, até cansa a ponta dos dedos escrever sobre todas as mazelas dessa fita na parte técnica, isso sem falar sobre o roteiro igualmente esdrúxulo com diálogos enfadonhos do parceiro de crime Claudio Fragasso.

Só que o pior é que além de ser trash até a medula, Predadores da Noite é simplesmente uma cópia de todos os outros filmes que vinham fazendo sucesso na Itália já bombardeada pelo splatter e pelo malfadado ciclo italiano canibal. Experimente pegar Zumbi 2 – A Volta dos Mortos de Lucio Fulci e jogar no liquidificador junto com Cannibal Holocaust e com toques de Despertar dos Mortos de George Romero e entregue para um salafrário fazer a mistura em uma coqueteleira de incompetência (uau, quantas metáforas). O resultado é essa pérola.

Ih, nojeeeeento!

Ih, nojeeeeento!

Então tá, logo no começo uma escusa organização chamada Hope Center está fazendo testes bioquímicos para criar um poderoso vírus (que mais tarde descobriremos que a real intenção dessa galera é dizimar o terceiro mundo para acabar com a superpopulação planetária, transformando-os em zumbis e que para isso eles se comam uns aos outros – mas essa ideia não merece o prêmio Nobel?) que escapa do controle do centro de pesquisa e se espalha por uma remota ilha da Nova Guiné, onde os habitantes tornar-se-ão zumbis devoradores de carne humana.

O pandemônio começa lá mesmo, quando uma ratazana miraculosamente entra na roupa selada de proteção de um babaca que media o nível de radiação de uma das salas onde o vírus era mantido em quarentena, devora o cara internamente e dá início ao acidente químico. Corta depois de algumas boas cenas de gore e estamos no consulado americano com um grupo de reaças revolucionários fazendo alguns diplomatas de reféns exigindo o fechamento de todos os Hope Centers ao redor do mundo. Uma equipe da SWAT com teoricamente os melhores e mais treinados homens para se fazer o trabalho, com seus macacões e bonezinhos azuis que parecem muito mais terem saídos de Atrapalhando a Suate com Os Trapalhões, terão que resolver aquela situação.

Após eles entrarem no local e milagrosamente não causarem nenhuma baixa civil e matar os terroristas, eles são enviados para uma missão na Nova Guiné, onde se deparam com um bando de cadáveres ambulantes e uma dupla de repórteres, Lia Rosseau (Margit Evelyn Newton) e o cinegrafista Vincent (Selan Karay) que estavam na ilha para rodar um documentário. Pois bem, em determinada altura, eles vão se encontrar com uma tribo nativa, que não acrescenta absolutamente porra nenhuma à trama, e está lá só para aproveitar o boom do cinema canibal e usando trechos do filme La valée de 1972, dirigido por Barbet Schroeder, além de cenas também chupadas do documentário Of the Dead. É ou não é uma picaretagem sem tamanho?

Sem pânico, mas tem zumbis atrás de você!

Sem pânico, mas tem zumbis atrás de você!

Os nossos “heróis” ainda vão parar em uma mansão no meio da ilha e depois escapam em um barquinho, na sequência final indo parar na tal fábrica da Hope Center que aparece lá no começo do filme, só para encontrar mais zumbis e todo mundo ser estraçalhado para desfilar as maquiagens e efeitos especiais gore mais toscos do cinema, cortesia de Giuseppe Ferranti e suas máscaras de látex e guache vermelho. Não deixe de se atentar quando a repórter é atacada e tem sua língua arrancada pelos zumbis, que enfia a mão na sua boca adentro enquanto outros mortos-vivos começam a espremer sua cabeça até os olhos do bonecão saltar para fora, em uma cena que deveria levar os responsáveis a serem linchados em praça pública de tão mal feita.

Quer mais picaretagem? Pois aí vai: sabe a banda Goblin, do brasileiro Claudio Simonetti, certo? Mattei ainda teve a coragem de roubar a trilha sonora que eles fizeram tanto para Despertar dos Mortos quanto para o conterrâneo Alien – O Monstro Assassino e enfiar em Predadores da Noite, sem autorização dos mesmos, o que quase gerou uma disputa jurídica entre os produtores e a banda de rock progressivo. Aí o pior de tudo é que uma bomba dessas consegue ser lançada comercialmente e um desgraçado como Mattei torna-se um diretor cultuado pela sua ruindade. O mesmo vale para o Claudio Fracasso, quer dizer, Fragasso.

E outra contribuição importantíssima para a manutenção do status quo desse lixo, a meu ver, é o diabo do título que ele recebeu aqui no Brasil. Por que cargas d’água ele se chama Predadores da Noite? Alguém sabe me explicar? Não é um filme de vampiros, é um filme de zumbis que também atacam a rodo durante o dia com o sol a pino no céu. Não que o original, traduzido literalmente como O Inferno dos Mortos-Vivos fosse melhorar muita coisa. Mas, vai entender…

Fominha

Mas é Friboi?

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Predadores da Noite:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Predadores da Noite não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

9 Comentários

  1. Marcus Vinicius disse:

    Eu vi o trailer e achei muito engracado. Se nao levar o filme a serio, ele passa bem como um antecessor de A Volta dos Mortos Vivos.

  2. […] qualidade ímpar, como Zumbi 2 – A Volta dos Mortos, de Lucio Fulci. Outros, ruins de doer como Predadores de Noite. Nesse Noites de Terror a coisa é tão ridícula que os zumbis apodrecidos aqui, vestindo o que […]

  3. […] Leia a minha resenha sobre Predadores da Noite aqui. […]

  4. Marília disse:

    Que viagem esse filme!!! Ri muito com “Os Trapalhões” da SWAT, a maquiagem tosca e a edição pilantra. Mas, por que raios esse povo nunca atira na cabeça??

  5. Tonino disse:

    :V :V :V Esse filme é um barato. Assisti dia desses. A cena do rato no começo já é antológica. Uma porcariazinha bem divertida.

  6. Braiam Caratti disse:

    Não existe legenda pra esse filme, essa aí está em espanhol. O jeito é esperar que ele saia em DVD e alguém upe pra nós.

  7. Rickardo Oliveira disse:

    Eu ri demais com esse filme. Uma tranqueira sem tamanhos. Os caras são tão INÚTEIS, que precisam até pegar a trilha sonora ( Sem nem ao menos pedir a permissão aos donos ) do CLÁSSICO Despertar dos Mortos do George Romero para colocar no filme. São várias coisas que você citou no post lembram os filmes clássicos de zombies. Uma edição tosca, que do nada pula para cenas de outros filmes que não tem nada haver. Deixando o filme bem confuso. Sem contar a maquiagem HORRÍVEL e Interpretações caricatas. Detalhe para os membros da SWAT que lembram e muito os Trapalhões. rsrsrs Marcos Brólia, esse filme chegou a ser exibido nos cinemas??

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