432 – O Lago dos Zumbis (1981)

url

Le lac des morts vivants / Zombie Lake

1981 / França, Espanha / 90 min / Direção: Jean Rollin / Roteiro: Julián Esteban, Jesús Franco / Produção: Marius Lesoeur e Daniel White, Sean Warner (Co-Produtor), Daniel Lesoeur (Produtor Associado) / Elenco: Howard Vernon, Pierre-Marie Escorrou, Anouchka, Antonio Mayans, Nadine Pascal, Youri Radionow

Existem filmes ruins de zumbi. E existe O Lago dos Zumbis. Mas também, o que se esperar de uma fita produzida pela Eurociné, dirigida por Jean Rollin (com o pseudônimo de J.A. Laser) e escrito por Jesús Franco (também sob pseudônimo, A.L. Mariaux)?

Podre até dizer chega, com uma mixórdia de orçamento, erros grotescos de continuidade, crateras no roteiro, atuações ridículas, maquiagem de quinta categoria, O Lago dos Zumbis é um culto ao trash em todo seu esplendor. Absolutamente NADA se aproveita nessa tranqueira, exceto, se você for um punheteiro de plantão, as dezenas de cena de nudez gratuita presentes no filme.

Na verdade toda essa patifaria, como se não bastasse o currículo de bizarrice dos envolvidos, é culpa de um histórico conturbado de produção. Jess Franco seria o diretor dessa pérola, só que o espanhol doido desapareceu logo após o início das gravações. Sem conseguir encontrar o picareta, a Eurociné contratou Rollin de última hora para terminar o longa.

Brincando de caldinho!

Brincando de caldinho!

Bem, o francês por conta disso nunca levou o filme a sério, nem chegou a ler o roteiro (o produtor explicava todas as manhãs o que ele deveria filmar) e deu no que deu. Rollin chegou a afirmar mais tarde que se arrependeu amargamente de ter aceitado a empreitada. Bem, dada as circunstâncias, ele tentou fazer o melhor que pode, até por já estar familiarizado com o gênero, já que dirigiu anteriormente As Uvas da Morte, que é Cidadão Kane perto disso aqui.

Mas como estamos falando de Jean Rollin, que ganhava a vida entre um trash e um pornô, não necessariamente nessa ordem, a fita abre com um nu frontal logo de cara, para mostrar ao que vem. Uma gatinha fica pelada da silva e vai tomar banho em um lago imundo cheio de vitórias-régias flutuando, quando é atacada por um zumbi que vive nas profundezas, não antes de ser observada nadando por um bom tempo em ângulos ginecológicos.

Quando os aldeões da cidadezinha à volta do lago começam a ser atacados pelos mortos-vivos, logo descobrimos que os corpos putrefatos pertencem a um bando de soldados nazistas (expediente já usado em Ondas da Pavor, e mais tarde novamente em Oásis dos Zumbis, esse dirigido de fato por Franco, e até no recente Zumbis na Neve), pegos em uma emboscada por membros da resistência francesa, mortos e jogados no fundo do lago, sem sequer um enterro digno.

Lanche da tarde

Jet’ aime!

Passam-se dez anos e eles resolvem sair da reles existência molhada em busca de vingança, sem nenhuma maldita explicação aparente. Cabe ao prefeito, interpretado por Howard “Dr. Orloff” Vernon e uma cambada de incompetentes, impedir o massacre zumbi. Porém ao invés de explorar apenas o canibalismo nas mais safadas cenas de gore de todo o cinema de terror, Rollin mete um drama pessoal no meio da trama, já que um dos soldados alemães engravida uma moça do vilarejo antes de ser morto. Ela morre no parto e dá luz à Helena (Anouchka, filha do produtor Daniel Lesoeur – atriz mirim que nem vou zoar o quanto ela é péssima, porque vai que é doença), que irá desenvolver uma relação de afeto com o pai morto-vivo, e vice-versa.

O Lago dos Zumbis em sua hora e meia é um festival de bizarrices, com uma cena mais tosca que a outra. Começa com os zumbis pintados de verde, com uma maquiagem pobre de dar dó. Depois há alguns momentos estapafúrdios, como zumbis lutando de faca, as cenas do lago nitidamente filmadas dentro de uma piscina, a procissão onde os moradores deixam uma garota morta na frente da prefeitura, incluindo o impassível pai (que pelo menos tem a decência de esconder a calcinha da filha morta), os zumbis bebendo água, as sequências durante a Segunda Guerra e o bombardeio na cidade ao melhor estilo Trapalhões e a emblemática cena onde uma vã com sete garotas do time feminino de basquete (mas que jogam vôlei) param perto do lago só para todas elas ficarem nuazinhas em pelo e irem nadar, virando alvos dos zumbis, em um festival de peitos, bundas e xoxotas embaixo d’água.

Sabe aqueles filmes que de tão ruim, tornam-se bons? Bem, não é exatamente o caso de O Lago dos Zumbis, mas com todas essas “qualidade indiscutíveis” que citei acima, ele acaba se tornando um daqueles cults interessantes pelo calibre tão baixo que um filme conseguiu chegar. Fora que vez ou outra chega a ser divertido, se você estiver no espírito. Vale pelo registro.

Impróprio para banho

Impróprio para banho

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando O Lago dos Zumbis:

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de O Lago dos Zumbis aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

4 Comentários

  1. […] de O Lago dos Zumbis, bagaceira da Eurociné sobre zumbis nazistas mortos em um lago, que deveria ser dirigido por […]

  2. Acho mais jogo baixar o Zombiethon, que tem as cenas best of dessa tralha aí, hahaha

  3. […] Leia a minha resenha sobre O Lago dos Zumbis aqui. […]

  4. Rodolfo Perez disse:

    mas a punheta é garantida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: