433 – Um Lobisomem Americano em Londres (1981)

An American Werewolf in London

1981 / Reino Unido, EUA / 97 min / Direção: John Landis / Roteiro: John Landis / Produção: George Folsey Jr., Peter Guber e Jon Peters (Produtores Executivos) / Elenco: David Naughton, Jenny Agutter, Griffin Dune, John Woodvine

 

Dentro da proeminente trinca de filmes de llicantropos dos anos 80, Um Lobisomem Americano em Londres é a fita mais famosa e mais importante. John Landis é o responsável por um excelente filme que mistura sangue, selvageria e doses de humor, acompanhado da mais impressionante e imbatível cena de transformação feita até hoje.

1981 foi o ano do lobo em Hollywood. Quatro meses depois da estreia de Grito de Horror de Joe Dante nos cinemas, Landis traz sua versão mais clássica e linear da história do lobisomem, sem questionamentos morais, psicológicos e a ideia de uma sociedade secreta como seu antecessor. Fora que Um Lobisomem Americano em Londres é uma espécie de filme tributo a O Lobisomem, enxertando várias referências do original por quase todo o longa.

E Landis usa muito o subterfúgio do humor para contar uma história que por mais que seja simples, é na verdade extremamente trágica e brutal. E essa dose certeira, misturada com os impressionantes efeitos especiais e de maquiagem criados pelo oscarizado Rick Baker, transformaram Um Lobisomem Americano em Londres em um clássico.

Rapaz bonito!

David Kessler e Jack Goodman são dois viajantes americanos que estão fazendo um mochilão pelo norte da Inglaterra, até pararem no pequeno vilarejo de East Proctor (a cena de abertura é uma das mais clássicas do cinema de horror, com um plano aberto das belas paisagens da Irlanda, onde foi realmente rodada a cena, não na Inglaterra, tocando uma versão balada de Blue Moon). Com frio e fome, resolvem se aquecer e comer alguma coisa dentro de um pub na beira da estrada, chamado carinhosamente de O Cordeiro Massacrado (e com o desenho da cabeça de um lobo atravessado por uma lança em seu letreiro). Lá dentro eles encontram os tipos mais esquisitos possíveis, além de um pequeno altar na parede com velas e um pentagrama desenhado. Lembra de O Lobisomem com Lon Chaney? O pentagrama é o símbolo do lobo, e eles até conversam sobre isso, remetendo ao clássico da Universal. Ao perguntarem sobre o pentagrama, o clima fica pesado e eles começam a ser hostilizados, até resolverem sair do local sinistro e seguir viagem. Mas é noite de lua cheia, e eles são prontamente avisados para seguirem a  estrada e evitarem o pântano.

Mas o que os jovens americanos fazem? Saem da estrada e vão parar no pântano, é claro. Lá são atacados por um lobo gigante. Jack é violentamente estraçalhado enquanto David é atingido mas sobrevive, graças aos locais que acabam por matar a criatura. Passada algumas semanas em coma, David acorda em um hospital em Londres e se envolve com sua enfermeira, Alex Price, com quem vai morar junto após receber alta. Mas não antes de ter sonhos esquisitos, como de estar correndo nu pelos campos e devorando um cervo, ou vendo sua família sendo chacinada por uma alegoria nazista monstruosa (Kessler é sobrenome judeu). E claro, não antes de ver Jack voltar dos mortos e pedir para que ele se mate, pois sabe que a maldição do lobisomem cairá sobre ele, e até que a linhagem não seja quebrada, todos que forem mortos pela criatura ficarão vagando no limbo, sem alcançar o merecido descanso eterno.

A maquiagem de Jack é simplesmente espetacular. Da primeira vez que ele aparece a David como morto-vivo, ele está com a garganta e peito estraçalhados pelo ataque do lobo, todo ensanguentado e com nacos de carne pendurados na pele. Na segunda, ele já está em estado mais avançado de putrefação e seu corpo adquire uma tonalidade esverdeada. Na terceira, já está só o esqueleto com a carne toda podre deixando seu corpo. E Jack, é um dos alívios cômicos do filme, junto com outras vítimas assassinadas por David depois de sua primeira mutação, que aparecem para ele em uma surreal e divertidíssima cena dentro de um cinema pornô, onde enquanto um filme completamente nonsense está sendo exibido, cada um dá uma dica de como David deveria dar cabo de sua própria vida.

Vai que é doença…

A transformação de David em lobisomem sem dúvida é um dos momentos mais antológicos do cinema de terror. Tanto que levou o Oscar de melhor maquiagem naquele mesmo ano e deve ter feito Joe Dante e Rob Bottin morrerem de inveja. É extremamente visceral, dolorosa e incontrolável. E tudo escancarado para o espectador assistir, estupefato com aquilo que está vendo. Você vê o corpo de David se modificando violentamente com uma edição precisa, enquanto orelhas, presas e membros começam a se alongar, ouve-se o barulho de ossos trincando, sua coluna se partindo, boca e queixo se alongando para se transformar em um focinho e tufos espessos de pelo brotando pelo seu corpo. E diferente do homem lobo de Lon Chaney Jr., ou mesmo de Joe Dante, aqui o lobisomem é quadrúpede, e assume a forma de um terrível lobo gigante.

Londres por sua vez é quase um protagonista do filme, e isso faz parte da escolha ácida do humor de Landis, que desfila todos os tipos de estereótipos ingleses possíveis e imagináveis. Desde os sujeitos com aquele carregado sotaque cockney no pub O Cordeiro Massacrado, tomando cerveja stout e jogando dardos, passando pelos inspetores da Scotland Yard que mais parecem ter saídos de um quadro de Monty Python até o apático policial londrino que ouve David difamando sua pátria, gritando a todo pulmão em plena Picadilly Circus que a Rainha Elizabeth é homem e Shakespeare era francês.

Mas não se deixe enganar por todo a dose de bom humor. Um Lobisomem Americano em Londres tem suas belas cenas carregadas de suspense, muito sangue e até um momento de carnificina generalizada quando a criatura escapa do cinema e provoca o caos na cidade, na sequência final. Bons tempos em que esse filme passava no SBT…

Cuidado com a lua!

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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  1. […] e maldito. Tudo começou com a terrível morte de Dominique Dunne (irmã de Griffin Dunne, de Um Lobisomem Americano em Londres), atriz que interpreta Dana, a irmã mais velha da família Freeling, que foi estrangulada pelo […]

  2. […] visuais criados por Rick Baker, que no ano anterior havia levado o Oscar por seu trabalho em Um Lobisomem Americano em Londres. Mas Videodrome – A Síndrome do Vídeo é um filme que deve ser visto e revisto várias […]

  3. […] depois pela dupla de viajantes na taverna O Cordeiro Ensanguentado em uma das clássicas cenas de O Lobisomem Americano em Londres, de John […]

  4. […] começo de O Homem Lobo lembra bastante o começo de Um Lobisomem Americano em Londres, dada sua devida proporção. São dois jovens andando por um terreno inóspito, atacados por um […]

  5. Henrique Simão disse:

    Nossa, esse é bom hein?

    Lembro de assistir muito pequeno quando passava na SBT, e mesmo hoje, muito tempo após ter visto, ainda tenho o Jack estraçalhado e a transformação do David muito vivos em minha mente, icônicos até. Baixarei para rever esse clássico.

    Abraços!

  6. […] e maldito. Tudo começou com a terrível morte de Dominique Dunne (irmã de Griffin Dunne, de Um Lobisomem Americano em Londres), atriz que interpreta Dana, a irmã mais velha da família Freeling, que foi estrangulada pelo […]

  7. […] dirigir essa antologia, ao melhor estilo de filme portmanteau da Amicus, nomes com John Landis (Um Lobisomem Americano em Londres), Joe Dante (Piranha e Grito de Horror) e George Miller (Mad Max), além dele próprio, e roteiro […]

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  9. […] visuais criados por Rick Baker, que no ano anterior havia levado o Oscar por seu trabalho em Um Lobisomem Americano em Londres. Mas Videodrome – A Síndrome do Vídeo é um filme que deve ser visto e revisto várias […]

  10. […] Apesar de ser considerado um dos clássicos do gênero, marcado toda uma geração e ter o nome de Stephen King, que escreveu o roteiro baseado em sua própria obra, evolvido, a “fantasia” do lobisomem falha miseravelmente e quase enterra o filme. Principalmente em tempos onde poucos anos antes duas outras produções sobre licantropos revolucionaram o gênero e a forma de se mostrar a metamorfose de homem em lobo: Grito de Horror e O Lobisomem Americano em Londres. […]

  11. […] composta pelo casal Phil e Joanne Simpson (Gerrit Graham de A Visão do Terror e Jenny Agutter de Um Lobisomem Americano em Londres, respectivamente) e vai viver na casa deles junto com a adolescente rebelde Kyle (Christine Elise), […]

  12. […] filme é impressionante, cortesia do mago dos efeitos visuais Rick Baker (ganhador do Oscar® por Um Lobisomem Americano em Londres AND coprodutor), que nos entrega gremlins inteligentes, gremlins elétricos, gremlins aranha, […]

  13. fabricio fontenelle do nascimento disse:

    comprei esse dvd hoje , a muito tempo estava procurando esse filme para minha coleção , o melhor filme de lobisomem que eu já assisti

  14. […] de John Landis focar suas lentes na figura do lobisomem, no clássico absoluto do gênero, Um Lobisomem Americano em Londres, foi a vez da mítica figura do vampiro, ou melhor, da vampira, em Inocente […]

  15. […] e Hooper que também aparecem no longa, no primeiro segmento temos Wes Craven e David Naughton (Um Lobisomem Americano em Londres) como clientes do posto de gasolina e Sam Raimi como um funcionário assassinado, Deborah Harry (de […]

  16. […] verdade, fazia um bom tempo que um filme decente de lobisomem não era lançado (Um Lobisomem Americano em Londres e Grito de Horror mandam lembranças). E Lobo não foi o caso, porque eita filme RUIM isso aqui […]

  17. […] Rick Baker, que quatro anos depois seria responsável pela espetacular transformação em Um Lobisomem Americano em Londres, e também tem em seu currículo ter participado da equipe de segunda unidade de Star Wars, os […]

  18. […] efeitos especiais da criatura executados por Steve Johnson, que esteve na equipe de Rick Baker em Um Lobisomem Americano em Londres e Videodrome – A Síndrome do Vídeo, de Stan Wiston em O Predador, e mais A Noite dos Demônios, […]

  19. […] vez que Jackson não encontrou nenhum neozelandês que se encaixasse; Rick Baker, aquele mesmo de Um Lobisomem Americano em Londres foi o responsável pelos efeitos de maquiagem do Juíz; e tanto Michael J. Fox (que foi a primeira […]

  20. […] de ouro dos lobisomens no cinema ficou lá nos anos 80, principalmente por conta de filmes como Um Lobisomem Americano em Londres e Grito de Horror. De lá para cá, produções esporádicas surgiram sobre o licantropo e contamos […]

  21. […] de forma completamente errônea, de uma continuação só do melhor filme do subgênero já feito: Um Lobisomem Americano em Londres. Segundo por ser ruim de doer, só […]

  22. N. disse:

    Sempre quis ver este filme, irei vê-lo pela primeira vez.
    Agradeço pelo link e pela recomendação!

  23. […] o verdadeiro devorador dos cães das redondezas, que ataca a menina (em uma cena que lembra muito Um Lobisomem Americano em Londres). Por sobreviver ao ataque, obviamente ela ficará amaldiçoada e se transformará em um […]

  24. […] começo de O Homem Lobo lembra bastante o começo de Um Lobisomem Americano em Londres, dada sua devida proporção. São dois jovens andando por um terreno inóspito, atacados por um […]

  25. […] depois pela dupla de viajantes na taverna O Cordeiro Ensanguentado em uma das clássicas cenas de Um Lobisomem Americano em Londres, de John […]

  26. […] talvez desde A Hora do Lobisomem, baseado no livro de Stephen King, que sucedeu os clássicos Um Lobisomem Americano em Londres e Grito de Horror, os suprassumos do […]

  27. […] 08 – Um Lobisomem Americano em Londres (1981) […]

  28. […] que em Um Lobisomem Americano em Londres, A Maldição do Lobisomem também é citada, quando o personagem David Kessler, que vira lobisomem […]

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