447 – O Último Tubarão (1981)

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L’ultimo squalo / The Last Shark / Great White / The Last Jaws

1981 / Itália / 89 min / Direção: Enzo G. Castellari / Roteiro: Vincenzo Mannino, Marc Princi, Ramón Bravo (não creditado), Ugo Tucci (história) / Produção: Maurizio Amati, Ugo Tucci, Sandro Amati (Produtor Associado), Edward L. Montoro (Produtor Executivo) / Elenco: James Franciscus, Vic Morrow, Micky Pignatelli, Joshua Sinclair, Giancarlo Prete, Stefania Girolami

 

O Último Tubarão é a deliciosa picaretagem italiana rip off de Tubarão e até mais ainda de Tubarão 2, sequência do arrasa-quarteirão de Steven Spielberg lançado três anos antes. E é impossível para quem é da minha geração não se lembrar da fita sendo exibida à exaustão na finada Sessão das Dez no SBT.

Eu quando era moleque era simplesmente fascinado por essa bagaceira (e achava o máximo, pois não tinha senso crítico ainda), afinal Tubarão é o filme da minha vida, então qualquer filme que tivesse um grande peixe assassino como vilão era querido por mim. Tenho que confessar de forma envergonhada, que O Último Tubarão de Enzo G. Castellari tem um lugar especial em meu coração por conta desse saudosismo.

Mas o filme é uma daquelas porcarias lamentáveis sem precedentes. Completamente camp, porém sempre se levando a sério demais, como qualquer plágio italiano de um filme americano de sucesso, encontramos uma estrutura narrativa completamente chupinada dos dois filmes anteriores da Universal, tanto que as imensas similaridades levaram o estúdio a meter um processo em cima dos produtores, que até levou o longa a ser retirado de alguns cinemas ao redor do mundo, como na Austrália, por exemplo.

Um grande branco resolve transformar a praia de South Bay em seu bufê particular, às vésperas de uma importante competição de regata. Um dos surfistas é atacado pelo leviatã logo na clássica abertura do longa, enquanto pratica suas manobras no windsurf embalado por um ítalo disco classudo. Para investigar o acontecido, o escritor Peter Benton (qualquer semelhança com o nome Peter Benchley, escritor do livro Tubarão é mera coincidência, tá?), papel do galã James Franciscus e o pescador Ron Hamer (qualquer semelhança com Quint, personagem de Robert Shaw do filme de Spielberg também é mera coincidência, tá?), papel de Vic Morrow, descobrem que apenas um único animal na terra poderia ter feito aquele estrago.

Bonecão!

Bonecão dos sete mares

Só que o inescrupuloso prefeito da cidade, William Wells (Joshua Sinclair) que concorre ao cargo de governador, não quer publicidade ruim e resolve seguir em frente com a regata, instalando apenas uma rede contra tubarões das mais vagabundas, que o peixe estraçalha logo em sua primeira investida. Claro que a regata será um pandemônio e vários windsurfers serão mortos, incluindo aí o braço direito do prefeito Wells, Matt Rosen, tudo captado pelas sensacionalistas lentes do jornalista Bob Martin (Giancarlo Prete), mais preocupado em levar a tragédia para as redes nacionais.

Somente neste momento da fita que finalmente vemos o tosquíssimo animatrônico do tubarão com sua cabeça para fora da água e boca que nunca fecha. Se Spielberg evitou mostrar Bruce o máximo possível, Castellari então não deveria nunca ter mostrado seu “Bruno” de tão ridículo que ele é. Pior ainda são as tomadas aquáticas quando é mostrado claramente um tubarão de brinquedo (às vezes até com olhos puxados, como se fosse realmente Made in China), principalmente na hilária cena onde ele, inteligentíssimo, prende nossos dois heróis em uma caverna submarina (porque eles foram procurar um grande branco em uma caverna tão estreita, já que o animal mal poderia caber lá dentro, nunca saberemos), batendo com seu focinho nas pedras para provocar um desmoronamento.

Ainda haverá um drama familiar para Benton, quando sua filha e um bando de adolescentes cabeças-duras resolvem caçar o tubarão por conta própria e a mocinha acaba acidentalmente caindo do barco e tendo sua perna arrancada. O escritor resolve levar para o lado pessoal, e ele e Hamer partirão para uma caçada final, que não terá um resultado muito bom para o experiente pescador que passou a vida inteira caçando tubarões, segundo ele. Mas as duas melhores cenas do filme envolvem filmagens reais de tubarões comendo carne, e não a réplica feita de espuma e isopor.

Andou na prancha, cuidado, tubarão vai te pegar

Andou na prancha, cuidado, tubarão vai te pegar

Só que nada, absolutamente nada, supera a nababesca sequência onde o prefeito Wells vai caçar o tubarão de helicóptero para melhorar sua imagem depois do fiasco da regata. Primeiro ele joga um saboroso pedaço de picanha no mar (desde quando tubarão se alimenta de carne bovina? Não sabia que tinha boi no mar), mas o monstro consegue arrancar a roldana do helicóptero e derruba o prefeito na água, que é devorado da cintura para baixo enquanto tenta se pendurar no helicóptero para se salvar. Para melhorar, o piloto chega com o veículo mais próximo da água e o tubarão abocanha o helicóptero e o leva para o fundo do mar (em uma cena de um tubarão de brinquedo arrastando um helicóptero de brinquedo dentro em um tanque).

Mas sabe o que diferencia este tubarão de todos os outros existentes tanto no cinema quanto na fauna aquática? A sua incrível capacidade de jogar jatos de água, como se fosse uma baleia e lançar pranchas e botes pelos ares! Pior predador marinho EVER!

Aqui no Brasil, O Último Tubarão também foi uma febre nos cinemas, afinal Tubarão fazia um baita sucesso nas intermináveis reprises da Sessão da Tarde então boa parte do público correu para os cinemas, enganados, pensando assistir a mais uma parte da saga da Universal. Mas foi mesmo o lendário Silvio Santos quem colocou essa trasheira tipicamente italiana na memória de milhares de jovens, ao exibi-lo “pela primeira vez na televisão” (e dezenas de outras vezes também).

Nhac!

Nhac!

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando O Último Tubarão:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de O Último Tubarão não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Marcus Vinícius (seu maior comentador) disse:

    Notei que no site Boca do Inferno, muitos filmes que eu vejo aqui que também têm resenhas lá recebem críticas mais positivas, principalmente essas versões italianas, como O Último Tubarão, Demons-Filhos das Trevas, Zumbi 2 – A Volta dos Mortos… Menos Manos: The Hands of Fate. Esse o Boca reconheceu que é ruim. Há

    • Oi Marcus.

      Como pode ter alguma coisa de positivo em O Último Tubarão, fora o saudosismo?

      Bem, opiniões são diferentes entre todos que escrevem sobre cinema. Eu tenho uma, o Boca do Inferno tem outra. O importante é ter seu estilo e escrever o que você pensa e acha, não só para agradar leitores, ser pedante, ou concordar com outros! 😉

      Abs

      Marcos

  2. Andrigo Mota disse:

    wow..o site mudou oi foi meu navegador q bugo?

  3. […] sabem o que é o mais legal, mas assim, O MAIS LEGAL de tudo? Você lembra do infame O Último Tubarão do picareta Enzo G. Castellari, que até rendeu o primeiro Horrorcast de 2014? Pois bem, a […]

  4. […] claramente sendo identificado como um peixão de borracha e espuma flutuando no mar (até O Último Tubarão de Enzo G. Castellari é melhor!) ainda temos o fato do tubarão RUGIR como um leão. Esse gutural […]

  5. […] isso temos que concordar. Tá certo também que não estou contando o clássico dos clássicos, O Último Tubarão de Enzo G. Castellari, trasheira classe A dos bons tempos da Sessão das […]

  6. […] por ter sido roubadas cenas de outros filmes de tubarão (incluindo aí do Spielberg e a maioria de O Último Tubarão de Enzo G. Castellari). É um dos piores filmes já feitos. Mas o problema é que uma tranqueira […]

  7. ticoololdman disse:

    Confesso também que assisti a exaustão essa pérola. Obviamente que nem sabia da existência de tal expressão.: “Senso Crítico”.

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