448 – Amityville 2 – A Possessão (1982)

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Amityville II: The Possession

1982 / EUA, México, Itália / 104 min / Direção: Damiano Damiani / Roteiro: Tommy Lee Wallace (baseado no livro de Hans Holzer) / Produção: Stephen R. Greenwald e Ira N. Smith, José López Rodero (Produtor Associado), Bernard Williams e Dino de Laurentiis (Produtores Executivos) / Elenco: James Olson, Burt Young, Rutanya Alda, Jack Magner, Andrew Pine, Diane Franklin

 

Fato: Amityille 2 – A Possessão é infinitamente melhor do que o original, Terror em Amityville, lançado três anos antes. A primeira parte é tão superestimada, tão mentirosa e com sua coleção de péssimas atuações, que faz com que a superioridade da sequência seja gritante, e não só pelo viés sobrenatural e seu clima muito mais pesado, mas sim pela exploração dos horrores da vida real de uma família completamente disfuncional, como: incesto, estupro, abuso infantil e violência doméstica.

Os Montelli, vítimas da vez da casa mal-assombrada, que são livremente baseados nos DeFeo, família da tragédia da vida real que inspirou o livro de Jay Anson e deu origem ao primeiro filme da (longa) série – tática dos produtores para evitar qualquer tipo de processo – não são a amorosa família ítalo-americana, não. O patriarca, Anthony Montelli (Burt Young) é um sujeito rude, bronco, que bate na esposa, Dolores (Rutanya Alda) e tenta frequentemente estupra-la, bate no filho mais velho, o adolescente Sonny (Jack Magner), e bate nos filhos menores, Jan (Erika Katz) e Mark (Brent Katz). É um escroto.

Como se não bastasse todos esses problemas familiares por conta de um marido e pai abusivo, ele ainda renega a igreja, mesmo Dolores sendo católica fervorosa, e Sonny e a irmã púbere Patricia (Diane Franklin) tem um estranho relacionamento incestuoso, que se consumará quando acontecer a tal possessão do título. Ou seja, eles são um prato cheio para os espíritos demoníacos que residem naquela casa em Amityville, outrora terreno indígena profanado por uma antiga bruxa fugida de Salem. Ah, para completar, Anthony tem uma coleção de espingardas. Pronto, a receita para o desastre está concluída.

Quando um funcionário da empresa de mudança descobre um anexo no porão escondido atrás de um armário, que dá entrada para um fosso séptico, ele liberta os espíritos malignos dos índios que juraram amaldiçoar todos aqueles que viverem naquele lote. Sonny então é possuído por essa entidade, e será o executor de toda sua família, assim como a história dos DeFeo. Bom, fato também que daqui para frente veremos uma cópia de O Exorcista, mas diga: qual filme de possessão vindo depois do clássico de William Friedkin não se aproveitou de seus elementos consagrados?

BANG! Você está morto!

BANG! Você está morto!

O antagonista ao possuído Sonny será o padre Adamsky (toda vez que eu ouvia o nome do pároco me vinha essa música na cabeça), papel de James Olson, que irá combater a própria burocracia dentro da Igreja para tentar salvar a alma do rapaz, inocentá-lo no tribunal e livrá-lo do domínio do Coisa-Ruim. Todo o aparato de “filmes de exorcismo” vem à tona, com a deformação facial e vocal do possuído, escárnio aos preceitos divinos, manifestações em sua epiderme implorando pelo salvamento de sua alma, objetos se mexendo, fogo sendo ateado, e adiante.

Na verdade, as conjecturas envolvendo a família Montelli são muito próximas do relacionamento problemático da família DeFeo, brutalmente assassinada por Ronald DeFeo Jr. em 1974 no número 112 da Ocean Avenue, segundo relatos e documentários sobre o ocorrido. Ronald pai, assim como Anthony, era autoritário e violento e batia na esposa. Claro que há toda uma licença poética para chocar o espectador, como o controverso caso de incesto entre Butch, como era conhecido DeFeo Jr. e sua irmã Dawn. E o grande ponto positivo do longa é explorar essas tensões familiares e os conflitos religiosos para depois partir para a possessão propriamente dita e os desdobramentos da prisão e condenação de Sonny após os assassinatos, até o embate entre o bem e o mal, que vai resultar em uma conclusão um tanto quanto cômica e anticlímax com o demônio feioso saindo fisicamente do corpo desmanchado de Sonny, mas tá valendo.

Produzido pelo lendário Dino de Laurentiis, em conjunto da American International Pictures, Amityville 2 – A Possessão tem o roteiro de Tommy Lee Wallace, diretor e escritor de Halloween III: A Noite das Bruxas, A Hora do Espanto 2 e It – Uma Obra Prima do Medo, e do italiano Dardano Sacchetti, colaborador habitual de Lucio Fulci, entre outros, de forma não creditada, baseado no livro Assassinatos em Amityville do parapsicólogo Hans Holzer. O picareta George Lutz, personagem o qual o escritor Jay Anson relatou em seu livro como fatos reais (que não eram reais coisas nenhuma, tratava-se de uma farsa) sobre os 28 dias em que a família Lutz viveu na casa palco das mortes, tentou processar Laurentiis, mas perdeu, conseguindo no máximo uma menção no pôster do longa explicando que o filme não tem nenhuma afiliação com eles.

Amityville 2 – A Possessão de longe é o melhor da cinessérie, que ainda tem filme sendo lançado até hoje!!!! O mais novo é um found footage de 2011, um documentário contando a vida de Daniel Lutz lançado em 2012 e está previsto mais uma versão da famosa e assustadora história para 2015. Parece que não querem deixar os espíritos zombeteiros que moram naquela casa descansar em paz, e por isso eles insistem em nos horrorizar com filmes péssimos até hoje.

Sai Diabo!

Vem ni mim, padre!

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] para Carpenter, e deveria ter dirigido a continuação, mas estava encarregado do roteiro de Amityville 2 – A Possessão. Segundo, Kneale pulou fora por não gostar do tratamento do roteiro, que envolveria mais gore e […]

  2. In my humble opinion: a gold medal to “Amityville II: The Possession” (1982, directed by Damiano Damiani); a silver medal to the recent “The Amityville Horror” (2005, directed by Andrew Douglas); bronze medals to “The Amityville Horror” (1979, directed by Stuart Rosenberg; fly away Jody, just… fly away!); this “Amityville 3D” (1983, directed by Richard Fleischer; it’s so C-H-E-E-S-S-Y, but I like) and “Amityville 4: The Evil Escapes” (1987, directed by Sandor Stern); a rusted trash basket to smash that “The Amityville Curse” (1988, directed by Tom Berry; just… boring!); and… that’s enough.

  3. andre dias disse:

    o filme da serie é o melhor excelente a tensão que tem o filme o suspense , os outros da serie achei fraco, só o remake de 2005 que foi legal também, filmes de terror hoje em dia ta ruim, nao tem aquele clima de tensao e suspense igual esse filme, e outra coisa o filme nao tem muitas partes de assombração só a musica do fundo e o suspense ja valeu pelo filme todo, falo abraços

  4. lmerce disse:

    Esse filme já me deu muito cagaço! Quando criança passava direto na tv aberta com o nome de Terror em Amityville, já que o primeiro se chamava A Cidade do Horror. E o filme é de fato aterrorizante! Do início ao fim!

  5. […] tem um valor histórico e sentimental que realmente não entendo de verdade (a sequência/prequela, Amityville 2 – A Possessão é infinitamente superior), Horror em Amitvyle se sobressai (eu DETESTO aquele epílogo da menina […]

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