449 – Basket Case (1982)

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1982 / EUA / 91 min / Direção: Frank Henenlotter / Roteiro: Frank Henenlotter / Produção: Edgar Ievins, Arnold H. Bruck (Produtor Executivo) / Elenco: Kevin Van Hentenryck, Terri Susan Smith, Beverly Bonner, Robert Vogel, Diana Browne

 

Os anos 80 foram muito frutíferos para produções trash de alta qualidade (não é contraditório?). Sam Raimi abriu a porteira com seu A Morte do Demônio para um estilo de filme que misturava o splatter italiano, porém sem a pegada niilista, com altas doses de humor e escracho, pegando orçamentos ridículos e trabalhando essa limitação em prol do roteiro inovador e utilizando efeitos especiais e de maquiagens toscos, que tornava esses filmes verdadeiras obras cultuadas. Um dos melhores exemplares dessa safra do cinema de horror é Basket Case, do diretor Frank Henenlotter.

Henenlotter é um diretor americano, oriundo de Long Island, Nova York, entusiasta e fã dos filmes exploitation exibidos nas grindhouses durante os anos 70, que resolveu seguir carreira e desenvolver filmes que fossem transgressores, com bastante sangue e violência gráfica, mas com toques mordazes de humor ácido. Com uma ninharia de 33 mil dólares, ele entrega um dos filmes mais toscos, sem noção e apaixonantes do gênero.

Basket Case traz a fraternal história de Duane Bradley (Kevin Van Hetenryck), um jovem que acaba de se mudar para Nova York e alugar um quarto em uma espelunca de hotel, andando de um lado para o outro com uma enorme cesta de vime (daí o título do filme). Dentro dessa cesta ele carrega Belial, seu irmão siamês, retirado cirurgicamente, que é violento, instável e completamente deformado, que mais parece um chiclete mastigado com cabeça, tronco e braços!!!

Duane nasceu com o irmão preso em seu corpo, devido a uma má-formação genética. O nascimento deles resultou na morte de sua mãe durante o trabalho de parto, e seu pai inconsolável pela criatura que havia nascido acoplada em seu filho, o rejeita, fazendo com que eles sejam criados por sua tia. Anos mais tarde, o pai de Duane (e de Belial, consequentemente) resolve contratar uma junta médica, formada pelos doutores Judith Kutter (Diane Browne), Harold Needleman (Llyod Pace) e Julius Lifflander (Bill Freeman), para realizar a cirurgia de separação, sem o consentimento dos dois, e se livrar de uma vez por todas daquela aberração grotesca.

We <3 Belial

We <3 Belial

A operação clandestina é um sucesso e Belial é jogado no lixo, deixado a sua própria sorte. Porém Duane o resgata e começa a acatar as ordens da criatura, comunicando-se com ele telepaticamente, e juntos arquitetam uma vingança sangrenta, executada por Belial, contra todos os responsáveis pela separação dos dois irmãos. Mas o grande problema é que Belial, dominando por um incontrolável instinto ciumento assassino, começa a interferir nos relacionamentos de Duane com outras pessoas, afastando e tentando matar qualquer um que se ponha no caminho dos dois, incluindo Sharon (Terri Susan Smith), a recepcionista de um dos médicos que vira interesse amoroso de Duane.

Sério, esse filme é fantástico, apesar de toda a premissa completamente nonsense. As cenas em que Belial aparece é de rolar no chão de rir, tamanho a podreira. Principalmente quando é usado uma figura de barro, com seus movimentos filmados em stop-motion ou então é mostrada apenas a mão de borracha da criatura (manipulada pelo próprio diretor). E as mortes são extremamente violentas, com muita profusão de sangue (que são até bem feitas, tendo em vista toda a limitação técnica e financeira de Henenlotter), que é o que os fãs dos filmes B mais adoram nesse tipo de produção.

Alguns detalhes curiosos do filme, é que ele levou quase um ano para ser concluído, já pela famosa falta de verba, e também pelo fato de ser gravado somente nos finais de semana, e a maioria dos créditos finais são falsos, já que a equipe era extremamente pequena e enxuta, e para não ficarem repetindo os nomes, os produtores decidiram inventar nomes fictícios. E por incrível que pareça, todas as sequências rodadas dentro do Hotel Broslin, onde Duane fica hospedado com a coisa e somos apresentados a quase todos os personagens secundários do longa, foram rodadas em diferentes locações e colocadas juntas de forma exímia na edição, parecendo que foram feitas em um local apenas.

Basket Case fez um baita sucesso, muito graças a popularização do VHS já nesse começo dos anos 80, e até ganhou duas continuações, também dirigidas por Henenlotter. O diretor ainda entregaria outras duas pérolas do cinema trash: O Soro do Mal e Frankenhooker – Que Pedaço de Mulher, antes de cair de vez no ostracismo, por não se sujeitar a imposições criativas e regras das produtoras e distribuidoras, preferindo desistir dos seus filmes ao ter esse tipo de cabresto em sua obra. Isso prova o quanto Hollywood é injusta com seus inventivos diretores.

Minha vingança será maligna!

Minha vingança será maligna!

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Basket Case:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Basket Case não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Guilherme disse:

    Marcos, dá uma checada no download fazendo favor; aqui pra mim está abrindo uma página dizendo que devo baixar um software para poder fazer o download, e estou achando isso meio estranho.

  2. Guilherme disse:

    Agora deu. Valeu, Marcos!

  3. Alice disse:

    Como eu amo esse site e tudo que ele posta, parabéns!

  4. […] Henenlotter é um retardado do caralho. E levantemos as mãos aos céus por isso. Depois de Basket Case, sua seminal bagaceira lançada em 1982, o diretor volta mais uma veze suas lentes para a trasheira […]

  5. […] parabéns, ó! Voltando, Henenlotter entrou de vez no “ramo” ao entregar a pérola da trasheira Basket Case, já dando uma prévia das suas intenções para com o cinema de terror, fazendo dos assuntos […]

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