450 – Creepshow – Show de Horrores (1982)

creepshow_ver1_xlg

Creepshow

1982 / EUA / 120 min / Direção: George Romero / Roteiro: Stephen King / Produção: Richard P. Rubenstein, David E. Vogel (Produtor Associado), Salah M. Hassanein (Produtor Executivo) / Elenco: Hal Holbrook, Adrienne Barbeau, Fritz Weaver, Leslie Nielsen, E.G. Marshall, Ed Harris, Ted Danson, Stephen King

 

Um dos mais famosos filmes de terror de estilo mosaico, Creepshow – Show de Horrores (ou Arrepio do Medo, como também ficou conhecido nas reprises do SBT) traz a junção de dois mestres do horror, Stephen King, que escreve as cinco histórias do longa, e George Romero, responsável pela direção dos mesmos.

Como se não bastasse, Creepshow – Show de Horrores é outro daqueles filmes saudosistas da década de 80 que impressionou e divertiu toda uma geração, a qual esse que vos escreve faz parte. A concepção da ideia do longa é King prestar uma homenagem a uma das suas maiores inspirações da infância, os quadrinhos de terror publicados pela editora EC Comics na década de 50, entre eles o famoso HQ Tales from the Crypt, que ganhou sua versão cinematográfica pela Amicus, Contos do Além, e mais tarde adaptado pela HBO como uma famosa série televisiva e The Vault of Horror, que também foi levado pelas telas pela Amicus como A Cripta dos Sonhos, entre outros.

Os quadrinhos da EC Comics revolucionaram o mercado editorial com sua riqueza de detalhes em suas ilustrações e seus roteiros inventivos, e seu conteúdo era recheado de histórias de mistério, assassinato, monstros das trevas, fantasmas, criaturas pegajosas, zumbis, fantasmas, e sempre com muito sangue e violência. Líder absoluto de vendas, várias crianças na época tinham o hábito de ler essas histórias de noite, antes de dormir, em seus quartos escuros, iluminados apenas pelo feixe de uma lanterna, exatamente como o garoto Billy (que é vivido por Joe Hill, o próprio filho de King). E muita da repreensão paternal na vida real ocorria também como retratada no prólogo e epílogo do filme.

Com uma dose cavalar de ignorância e intolerância e o crescimento do moralismo coxinha americano, somado com a explosão da delinquência juvenil que eram frequentemente relacionado aos quadrinhos, o psiquiatra Fredric Wertham iniciou uma verdadeira guerra ideológica contra os gibis, principalmente após a publicação do seu livro “A Sedução do Inocente”, que trazia um estudo detalhado do mal que as HQs representavam aos jovens da nação (que inclusive começou a levantar a polêmica do suposto relacionamento homossexual entre Batman e Robin e como isso era prejudicial aos adolescentes). Respingando no Senado americano, uma espécie de censura foi aplicada, resultando na criação de um código chamado Comics Code Authority, onde todas as HQs deveriam passar por um rígido controle (leia-se censura) e conter esse selo de aprovação na suas capas, o que levou a EC Comics ao declínio e a extinção das suas revistas em quadrinhos de terror.

Ufa, todo esse ínterim apenas para posicionar você leitor na importância dessas HQs para toda uma geração, e como todo o enredo de Creepshow – Arrepio do Medo é uma belíssima homenagem de King e de Romero aos homens que popularizaram os quadrinhos de terror e influenciaram toda uma gama de escritores e cineastas. E os cinco contos do filme são na verdade retirados das páginas da revista que o garotinho Billy está lendo, mesclando cenas bem bacanas de atores reais com desenhos, como se fossem dos quadrinhos.

A primeira história, “Dia dos Pais”, traz o causo de Nathan Grantham (Jon Lorner), um velho autoritário e demente que foi morto por uma de suas filhas, Bedelia (Viveca Lindfors), após aporrinhá-la por conta de um bolo de dia dos pais, e também após ele ter mandado matar o amor de Bedelia durante uma caçada. Todos os anos, Bedelia retorna ao antigo casarão do pai, pontualmente às 18h, para ficar por uma hora rezando em seu túmulo e expiar seus pecados. Mas no sétimo aniversário da morte de Nathan, o velho sai da cova como um zumbi sedento por vingança e claro, esperando conseguir seu bolo. Um iniciante Ed Harris atua neste conto.

Cadê meu bolo de dia dos pais?

Cadê meu bolo de dia dos pais?

A segunda é protagonizada pelo próprio Stephen King. “A Morte Solitária de Jordy Verrill” traz o mestre do terror no papel de um caipira ignorante e matuto que vive em sua fazenda tranquilamente assistindo telecatch quando um meteorito com uma substância vegetal alienígena cai em seu território. Verrill pensa ter tirado a sorte grande e quer vender o meteorito para o Departamento de Meteoros da universidade por 200 dólares. Mas ao jogar água no fragmento para tentar esfriá-lo, o meteorito se parte, liberando um estranho líquido. Ao tocar em seu interior, Verrill começa a sofrer uma mutação que aos poucos vai transformando-o em uma planta mutante. Como se não bastasse, o meteorito começa a espalhar uma estranha vegetação que vai crescendo por toda a fazenda do azarado Verrill e partindo em direção à cidade.

Vegetando...

Vegetando…

“Indo com a Maré” é o terceiro conto, e mais um de zumbi. Richard Vickers (interpretado por Leslie Nielsen, eterno sargento Frank Drebin de Corra que a Polícia Vem Aí) é um vingativo marido traído por sua esposa, que resolve enterrar adúltera na praia até a maré subir e matá-la afogada, gravando tudo para mostrar ao amante, Harry Wenthworth (vivido por Ted Danson). Ameaçando-o com uma arma, Vickers reserva o mesmo destino hediondo ao amante, também o enterrando na areia durante a noite para a maré alta dar cabo de sua vida. Porém após morrerem afogados, ambos voltam à vida em estado putrefato como zumbis cobertos por algas marinhas, em busca de vingança.

Enrugados

Enrugados

No quarto conto, “A Caixa” (não confundir com o famoso conto de Richard Matheson para a série Além da Imaginação), o zelador de uma universidade encontra embaixo das escadas uma caixa lacrada datada de 1834 e liga para o professor Dexter Stanley (Fritz Weaver), que ao abrir o estranho container descobre uma criatura símia assassina sedenta por sangue. Após fazer duas vítimas, Dexter, com medo de ser acusado pelos crimes, conta sobre a descoberta a outro professor, Henry Northup (Hal Halbrook), que é um banana que odeia a esposa infiel e que o trata feito gato e sapato, Wilma (Adrienne Barbeau). Henry, com a paciência no limite, tem a ideia de usar a terrível criatura da caixa para fazer algo que nunca teve coragem: matar a esposa que sempre o humilhou.

Próximo carnaval uso essa fantasia!

Próximo carnaval uso essa fantasia!

Para finalizar, o último episódio, mais famoso de todos, é altamente desaconselhável para a mulherada e para todos aqueles que tenham medo de baratas. “Vingança Barata” traz Upson Pratt (E.G. Marshall), um bilionário excêntrico com mania de limpeza, um TOC violento e pavor de insetos. Ele vive em um apartamento ultramoderno (para a época) aparentemente anti-germe, mas que começa a ficar infestado pelas cucarachas. Detalhe que Pratt é um empresário inescrupuloso, racista e que passa por cima de todos e destrói a vida de qualquer um de seus concorrentes para progredir financeiramente. Para ele, está guardada uma terrível morte com uma horda de baratas invadindo seu apartamento.

Chama a D.D.Drin!

Chama a D.D.Drin!

Ainda dá tempo de uma ponta do famoso maquiador Tom Savini, mestre dos efeitos de maquiagem, responsável por filmes como Despertar dos Mortos, O Maníaco e Sexta-Feira 13, entre outros, como um lixeiro no epílogo encontrando a revista em quadrinhos jogada no lixo no prólogo, e epílogo traz um desfecho terrível para o pai de Billy que o reprimiu na noite anterior por ler aquelas “porcarias de histórias”, já que o terrível moleque compra, através da própria revista, um verdadeiro boneco vodu e pretende usá-lo contra o pai intransigente.

Creepshow – Show de Horrores ganhou uma continuação, também escrita por Stephen King, igualmente ótima e também outro clássico.

ff562f_844444837f9c4011a7e3f65e90a78d52

Cruz credo!

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de Creepshow – Show de Horrores aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1bO3gyT3Imc]

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Tex Willer disse:

    Parece bom, lembro das chamadas na TV, mas não lembro se vi esse filme, vou baixar depois comento. Um abraço aos amigos que gostam de compartilhar essas preciosidades do horror.

  2. Paulão Geovanão disse:

    O dvd tá fora de catálogo? Depende daonde você o procura.

  3. […] quanto o primeiro. Na verdade acredito que os dois se completam e assistir as cinco histórias de Creepshow  e logo na sequência os outros três segmentos da continuação, é uma excelente […]

  4. […] quanto o primeiro. Na verdade acredito que os dois se completam e assistir as cinco histórias de Creepshow  e logo na sequência os outros três segmentos da continuação, é uma excelente […]

  5. […] americana de 1983 a 1988, que na verdade parece mais uma espécie de continuação não oficial de Creepshow – Show de Horrores e sua sequência, Creepshow […]

  6. […] de mais uma parceria entre George Romero e Stephen King (ambos já haviam trabalhado juntos em Creepshow – Show de Horrores). A condução do mestre na direção é acima da média, ainda mais se tratando de uma adaptação […]

  7. […] o cara é uma lenda dos efeitos especiais práticos tendo trabalhado em filmes como Sexta-Feira 13, Creepshow – Show de Horrores, A Noite dos Mortos-Vivos e por aí vai. Tá bom ou ainda quer […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *