457 – O Massacre (1982)

vod11

The Slumber Party Massacre

1982 / 77 min / EUA / Direção: Amy Jones / Roteiro: Rita Mae Brown / Produção: Amy Jones, Aaron Lipstadt (Co-Produtor), Mark Allan (Produtor Associado), Roger Corman (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco: Michelle Michaels, Robin Stille, Michael Villella, Debra De Liso, Andree Honore, Gina Smika Hunter

 

O cinema de terror como um todo vive períodos cíclicos desde seus primórdios, lá no expressionismo alemão. O primeiro boom do gênero foi os filmes de monstros da Universal, repetidos à exaustão. Lá nos anos 60, eram os filmes góticos. Depois nos anos 70, a Itália foi responsável por uma enxurrada de gialli para os fãs. Nos início dos anos 80, a bola da vez foi os slasher movies.

Impressionante a quantidade absurda de filmes praticamente idênticos que foram lançados no cinema americano durante aquela década, tentando abocanhar uma fatia de público e renda conquistados por Sexta-Feira 13, de longe, a franquia mais conhecida e rentável do subgênero. E todos pareciam cópias em carbono uns dos outros: sempre um assassino psicopata matando adolescentes indefesos, desfilando garotas nuas e rapazes atléticos para serem trucidados por todo tipo de arma: faca, machado, cutelo, tesoura, e por aí vai. Nessa febre, um dos filmes mais famosos – sem nenhum real motivo aparente, diga-se de passagem – é O Massacre.

Mais conhecido por seu título original The Slumber Party Massacre, e por suas sequências que eram exibidas no Cine Trash da Band (com o narrador do comercial chamando atenção para o “assassino roqueiro”), O Massacre não vai acrescentar absolutamente nada na sua vida como fã de horror. Exceto por ser um dos slashers com a maior quantidade de nudez do gênero. Praticamente TODAS as atriz aparecem peladas no longa. Mas afinal, o que esperar de uma produção cujo título literal seria O Massacre na Festa do Pijama?

Gatinhas se metendo em altas confusões

Gatinhas se metendo em altas confusões

Talvez o mais interessante seja o fato de O Massacre ter sido dirigido e escrito por mulheres. Exato! É algo até chocante e funciona como uma contra-crítica porque os slasher sempre tiveram um cunho sexista e misógino gigantesco, por explorar o corpo nu das garotas e pregar a retrógrada ideia que as virgens sempre sobrevivem no final, enquanto as dadas receberão uma morte dolorosa por parte de seu algoz. A direção aqui é de Amy Holden Jones e o roteiro de Rita Mae Brown.

Na verdade, Amy Jones filmou um curta promocional do prólogo do script original, gastando mil pilas, para chamar a atenção de Roger Corman, o Rei dos Filmes B, e conseguir um trabalho como diretora. Corman, que aparece como produtor executivo não creditado, ficou tão impressionado com o trabalho de Amy que ele a convidou para transformar num longa. Inicialmente a ideia era que fosse uma paródia do gênero, mas os produtores meteram o dedo no bedelho e definiram que queriam um filme “sério” para faturar algumas doletas nas bilheterias.

Todo o desenrolar do filme é facilmente resumido: um grupo de garotas resolvem fazer uma ~festa do pijama na casa de Trish (Michelle Michaels), enquanto seus pais viajam, que logo será invadida por alguns garotos prontos para afogar o ganso, para deixar as coisas mais interessantes. A única que fica de fora é a novata no colégio, boa em esportes, queridinha dos professores, e possivelmente virgem, Valerie (Robin Stille), vizinha de frente, que passará a noite de sexta com sua irmã mais nova.

Pizzaman

Pizzaman

Um assassino psicopata chamado Russ Thorn (Michael Villella) escapou do sanatório, onde estava internado por conta de uns crimes brutais que cometeu em Venice, Califórnia, no final dos anos 60, e sem nenhuma motivação aparente (exceto ser psicopata, talvez) vai atrás de Trish e suas amigas, deixando um rastro de sangue pelo caminho. A “originalidade” da vez é que o maluco mata suas vítimas com uma broca! Então dito isso, prepare-se para ver moças e rapazes sendo trucidados pela furadeira de Thorn em ação, numa combinação de clichê atrás de clichê, até seu final previsível.

Em sua curta duração de apenas 77 min, não há tempo para explicações, aprofundamento psicológicos dos personagens, manutenção do suspense. Nem venha com essa! O lance mesmo são mortes escabrosas, adolescentes com hormônios em ebulição e uma extensa lista de cenas com os mais variados motivos para banhos, troca de roupas, voyeurismo e cenas de sexo, tudo para rolar nudez em profusão.

Com a mixórdia de 250 mil dólares de orçamento, humor negro implícito, referências ao cinema de terror, assinatura de Roger Corman, sangue à rodo derramado em mortes violentíssimas e muita mulher pelada por película, O Masscre tornou-se cult para os fãs do horror e ganhou duas continuações, dando origem a chamada Coleção Massacre, quando relançado em DVD.

Tô com essa cara atravessado

Tô com essa cara atravessado, ó!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de O Massacre não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda (DVD) aqui (BD) aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Somente uma continuação foi exibida no Cine Trash. Foi a parte 2, a tal do roqueiro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: