460 – Poltergeist – O Fenômeno (1982)

Poltergeist

1982 / EUA / 114 min / Direção: Tobe Hooper / Roteiro: Steven Spielberg, Michael Grais, Mark Victor / Produção: Frank Marshall e Steven Spileberg, Kathleen Kennedy (Produtora Associada) / Elenco: Jobeth Williams, Craig T. Nelson, Heather O’Rourke, Beatrice Straight, Dominique Dunne, Zelda Rubinstein

 

“Eles estão aqui”. O mais interessante de Poltergeist – O Fenômeno é que na minha época de criança, realmente no final da noite a TV saía do ar e entrava um canal de estática em seu lugar, como acontece no filme. Hoje em dia, esse simples fato cotidiano, alçado ao status de algo assustador que pode esconder vozes, vultos e forças sobrenaturais, simplesmente desapareceu. Afinal, se uma TV sai do ar atualmente, você vai sentir medo com o que? Uma tela azul? Uma irritante frase “sem sinal” dançando pelo monitor?

Enfim, divagações a parte, Poltergeist é o mais mainstream de todos os filmes de terror. É o filme, digamos,  mais infantil dessa lista e certamente o que mais pode-se taxar de um blockbuster. E apesar de ser dirigido por Tobe Hooper, quase não se vê nada de Tobe Hooper nele. Pelo menos não daquele que antes havia dirigido o seminal O Massacre da Serre Elétrica e até mesmo Eaten Alive. O que se vê é um filme de Steven Spielberg, que produziu a fita e manteve o diretor no cabresto para que tudo saísse exatamente como ele queria, deixando-o quase como uma figura alegórica.

Tudo se encaixa num verdadeiro quebra-cabeças spielbergiano (inventei essa palavra) e mais anos 80, impossível. Desde a família feliz de classe média americana, que vive em um subúrbio construído sobre medida, onde o patriarca lê a biografia do presidente Ronald Reagan na cama, passando pelos impressionantes efeitos especiais para a época, culminando na enfadonha e pomposa trilha sonora de Jerry Goldsmith. Até o interminável jabá para o compadre George Lucas é levado a exaustão, pois no quarto das crianças há dezenas de memorabílias de Star Wars, como bonecos, pôster, jaqueta do Chewbacca e um abajur do Darth Vader.

Mas felizmente, por bem ou por mal, Hooper estava lá para aplicar sua especialidade em aterrorizar as pessoas, levando ao limite a classificação PG e conseguindo bons momentos em cenas sombrias e alguns exageros, como o sinistro boneco de palhaço ganhando vida (mesmo sendo outra imposição de Spielberg inspirada em um trauma de infância), túmulos e esqueletos brotando do chão da casa ou quando o rosto de um dos pesquisadores paranormais começa a se derreter em frente ao espelho.

“Eles estão aqui…”

A família Freeling vive seu próprio sonho americano. Moram em um condomínio fechado construído sob medida, e Steve, o pai, interpretado por Craig T. Nelson, é o principal vendedor da corretora que comercializa e constrói as casas do local. Só há um pequeno detalhes nesse maravilhoso pedaço de terra: ele foi construído em cima de um cemitério. A construtora simplesmente realocou as lápides, mas deixaram os túmulos e corpos ali. E em uma sequência de bizarros eventos, eles vêm clamar por aquilo que é deles.

O primeiro contato da família com os poltergeists (espíritos zombeteiros em alemão) é através da filha mais nova, Carol Anne, que consegue ouvi-los na estática da TV. Só que em uma noite de tempestade eles começam a se manifestar fisicamente e acabam raptando a garotinha através de uma passagem dimensional que existe no guarda-roupas do quarto das crianças, e aprisiona-a no limbo. Os Freeling resolvem pedir ajuda a um bando de parapsicólogos que recorrem a uma médium especialista em “limpar casas”, chamada Tangina, que usa a força e o amor da mãe, Diane Freeling (Jobeth Williams), para tentar trazer a garotinha de volta.

Muita fantasia, muitos efeitos especiais para mostrar “olha como somos fodas e conseguimos fazer objetos voarem e espíritos translúcidos darem as caras”, muito terror superficial e infantil, muito hã, digamos, Spielberg, estragam o que poderia ser uma produção foda, se deixassem Hooper em seu auge trabalhar. Realmente, Poltergeist é um filme quando você é criança e assiste na Rede Globo, e vira outro quando você fica mais velho e o revê. Família inteiras cagavam de medo com aquela história. Hoje em dia, depois do boom dos filmes de fantasmas japoneses, filmes espanhois assustadores como Os Outros e O Orfanato e o choque causado por Atividade Paranormal, Poltergeist – O Fenômeno é um filme dos mais bestas. Mas claro que tem seu valor indiscutível e inegável. Por isso entra em qualquer lista.

E depois de O Exorcista, Poltergeist é o campeão das lendas urbanas e das maldições envolvendo produção e elenco, o que ajudou muito a perpetuar sua aura de assustador e maldito. Tudo começou com a terrível morte de Dominique Dunne (irmã de Griffin Dunne, de Um Lobisomem Americano em Londres), atriz que interpreta Dana, a irmã mais velha da família Freeling, que foi estrangulada pelo namorado ciumento com quem havia terminado, pouco depois do lançamento nos cinemas. A maldição continua com a morte do padre que atua na sequência, Poltergeist 2 – O Outro Lado, e culmina com a morte da atriz mirim Heather O’Rourke, a eterna Carol Ann, logo ao término do terceiro filme, vítima de uma doença intestinal fulminante. Ah, Tobe Hooper também nunca mais fez um filme que prestasse…

Ah que pânico! A TV saiu do ar!!!

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de Poltergeist – O Fenômeno aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

22 Comentários

  1. […] toda sua carreira. Começando com a própria sequência do filme, que foi um desastre, passando por Poltergeist – O Fenômeno onde apenas seguiu o cabresto de Steven Spielberg e depois as inúmeras bombas que vem fazendo até […]

  2. Marcus Vinícius disse:

    Esse é imperdível, um clássico. Na primeira vez que eu vi, me deu tanto medo que parecia ter esqueletos lamaçentos debaixo da minha cama; ou um palhaço talvez.

  3. MV Chagas disse:

    Tobe Hooper fez sim outros trabalhos, como Força Sinistra, de 1985, indicado ao Saturno de melhor filme de horror.

  4. Andrigo Mota disse:

    qdo vi, pirralho nos anos 80, borrei as botas com isso. Ma borrei nervoso. Nunca deixava a tv em estatica…cagasso master

  5. Raphael Travassos disse:

    Gosto muito do admirável trabalho do blog, mas quase parei no “pomposa e enfadonha trilha sonora de Jerry Goldsmith”. Enfim, continuei… e discordo profundamente de muitas observações feitas. Não vejo problema algum em Poltergeist ser um filme pipoca, ele é eficiente como tal também e choque provocado por “Atividade Paranormal”? Menos…

    • Olá Raphael. Primeiro muito obrigado pelo elogio ao meu trabalho.

      Segundo, o legal mesmo é conhecer opiniões diferentes nos comentários. Ninguém é dono da verdade absoluta sabe? Eu respeito sua opinião, e exprimo a minha no texto. Não gosto de Poltergeist e pronto. Por todos os motivos que falei. Acho infantilizado, trilha sonora cafona e todos os defeitos que a maioria dos filmes do Spielberg tem na minha opinião. Foi eficiente na infância quando passava na Globo, eu adorava, mas depois de velho e de revê-lo N vezes, é um filme bobo, com duas ou três boas cenas, sentimentalismo barato demais e muita mão do Spielberg. Imagine se toda o trabalho fosse deixado para Tobe Hooper tocar o barco, como seria diferente?

      Que bom que você discorda e que expôs isso para um debate saudável por aqui. Eu mantenho e defendo a minha opinião.

      Obrigado por comentar.

      Abs

      Marcos

  6. […] diferente, por exemplo, de Tobe Hooper, que abaixou a cabeça e só criou confusão no set de Poltergeist – O Fenômeno e acabou domando pelo cabresto dos produtores (leia-se Spielberg, Frank Marshall e Kathleen […]

  7. […] então temos que falar de Tobe Hooper, que parece que não aprendeu nada com Poltergeist – O Fenômeno e foi lá mais uma vez se meter a diretor de uma grande produção, mesmo a Cannon sendo conhecida […]

  8. […] Carol Anne Freeling, alterando sua própria e emblemática frase “eles estão aqui” dita em Poltergeist – O Fenômeno. Mas vamos lá, eu já não sou nem um pouco fã do primeiro filme (infantilizado e exagerado nos […]

  9. […] Pressman (vivida pela excepcional Zelda Rubinstein, que você deve conhecer mais como Tagina de Poltergeist – O Fenômeno) e seu filho John (Michael Lerner). Aquela típica relação doentia entre mãe controladora e […]

  10. […] famosa história de fantasmas dirigida por Tobe Hooper e produzida por Steven Spielber em 1982, Poltergeist – O Fenômeno, não poderia terminar de forma mais triste e deprimente do que Poltergeits III. Pelo falecimento […]

  11. Diego Lobato disse:

    Assisti com olhos de velho tbm e devo dizer que é extremamente datado e fraco, mas quando guri gostava tbm.

  12. […] de sua Amblin Entertainment, a direção de Frank Marshall (que é o produtor de Indiana Jones, Poltergeist – O Fenômeno, No Limite da Realidade, Gremlins, De Volta Para o Futuro, Os Goonies e tudo mais que tinha dedo do […]

  13. Diego/RS disse:

    Também me cagava nas calças ao assisti-lo quando criança e há um tempo venho me ensaiando para revê-lo (até já achei numa locadora aqui na minha cidade… sim, sou do tempo das locadoras : ), mas também já imagino que o impacto vá ser bem diminuto, ou quase inexistente, em relação àqueles tempos (aliás, tenho assistido vários filmes “da época de guri”, não só de terror, alguns que eu realmente adorava, e a respeito de alguns quase me arrependi de tê-lo feito, pois acabaram perdendo aquela “magia”, realmente alguns ficam datados e deveriam ficar só lá naquele altarzinho da memória, hehe… mas, de qualquer maneira, pretendo encarar o Poltergeist uma hora dessas… vai que me surpreende positivamente depois de quase 30 anos, como me aconteceu dia desses com o “Cemitério Maldito”!?).

    Marcos, a propósito, não andava se falando em um remake do Poltergeist?? Sabe de algo? O que acha da ideia?

  14. MARCOS, ACEITO PORÉM NÃO ENTENDO TANTAS NEGATIVAS EM RELAÇÃO A ESSE CLÁSSICO. TEM UMA TRILHA SONORA ÉPICA, QUE EXPRIME AO MESMO TEMPO NOSTALGIA E PAVOR. POSSUI EXCELENTES EFEITOS ESPECIAIS, ALGUNS ATÉ ATEMPORAIS PRA 2015. ÓTIMO ELENCO, PRINCIPALMENTE JOBETH WILLIAMS, QUE NOS ENTREGA UMA INTERPRETAÇÃO MAGNÍFICA QUE ME REMETE ( SÓ ME REMETE, TÁ?) A EMBLEMÁTICA E BRILHANTE INTERPRETAÇÃO DE ELLEN BURSTYN , NO CLÁSSICO O EXORCISTA. CONCORDO QUANDO VOCÊ DIZ QUE AO REVÊ-LO NÃO EXISTE MAIS O IMPACTO CAUSADO POR ANOS, PRINCIPALMENTE NA CENA BIZONHA E TOSCA AO CUBO, DO PARANORMAL QUE VÊ SEU ROSTO SE DESPEDAÇANDO( ENVELHECEU 100 ANOS A CENA) EM FRENTE AO ESPELHO. SABE, TALVEZ A MEMÓRIA AFETIVA ME FAÇA ENXERGA-LO POR OUTRA ÓTICA MAS É INEGÁVEL O STATUS QUE A PELÍCULA ATINGIU. NA MINHA HUMILDE OPNIÃO, TODOS OS FILMES COM ESSA TEMÁTICA QUE SURGIRAM PÓS POLTERGEIST, SEMPRE BEBERAM NA MESMA FONTE MAS JAMAIS CONSEGUIRAM SER TÃO MARCANTES. ABRAÇO E VOLTO APÓS ACABAR DE CONFERIR: IRMÃS DIABÓLICAS, QUE ACABEI DE BAIXA-LO AQUI.

  15. […] criaram a máquina definitiva, destacando seus nomes em letras garrafais: Tobe Hooper (diretor de Poltergeist – O Fenômeno), Robert Englund (o astro de A Hora do Pesadelo) e baseado num conto de Stephen King. ORRA, diga: […]

  16. […] que dizer então sobre filmes de terror em que ninguém morre? Poltergeist – O Fenômeno não seria um filme de terror então? E o que dizer sobre Invocação do Mal? Eu argumentaria de […]

  17. […] Heather O’Rourke, a Carol Anne de Poltergeist – O Fenômeno: […]

  18. mel disse:

    Nossa, só conheci o site hoje e ganhei meu dia! Obrigada! finalmente um site que faz críticas decentes e que não apoia os filminhos de terror bobinhos! E que não diz que ‘O ilusionista’ é o melhor filme de terror e que dá cagaço de medo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  19. Shirley Paiva disse:

    Os filme de antigamente venhamos e convenhamos são em muitos bons, mas agora estamos adultos e é normal acharmos como besta mas no meu caso os adoro por demais. não concordo muito em dizer que este é besta,pois, não o é. Um filme maravilhosos e épico.

  20. Eduardo G N Ferreira disse:

    Nunca achei este filme grande coisa… assisti novamente em DVD mas minha visão em relação a ele piorou … para mim Steven Spielberg é um ótimo diretor mas não para filmes de Terror !

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *