472 – A Hora da Zona Morta (1983)

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The Dead Zone

1983 / EUA / 103 min / Direção: David Cronenberg / Roteiro: Jeffrey Boam (baseado no livro de Stephen King) / Produção: Debra Hill, Jeffrey Chernov (Produtor Associado), Dino de Laurentiis (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco: Christopher Walken, Brooke Adams, Tom Skerrit, Herbert Lom, Anthony Zerbe, Martin Sheen

 

Junte Stephen King, David Cronenberg e Christopher Walken e o resultado não poderia ser menos satisfatório. A Hora da Zona Morta é mais uma das adaptações de um livro do mestre do terror para as telas, fato que tornara-se corriqueiro neste começo dos anos 80 (só em 83, foram três filmes lançados que foram baseados nas escritas do cidadão do Maine).

A Hora da Zona Morta é o filme menos Cronenberg do diretor, pensando no estilo de terror venéreo e científico que ele aplicava em suas fitas de começo de carreira (como Calafrios, Enraivecida na Fúria do Sexo, Filhos do Medo e Scanners – Sua Mente Pode Destruir). Aqui tendo a direção de um filme norte-americano de um grande estúdio, financiado pelo todo poderoso Dino de Laurentiis e trabalhando o texto de um dos maiores escritores da época, vemos que o canadense faz um trabalho bem mais comedido, sem suas elucubrações costumeiras e seu apreço pela carne e jorros de sangue. Também é a primeira fita onde o tema abordado é o sobrenatural, e não nenhum tipo de resultado de alguma experiência científica guiada pelo próprio homem.

Christopher Walken (perfeito para o papel, mas vejam só, King gostaria que Bill Murray o interpretasse – nada a ver) é John Smith, um professor de literatura inglesa que adora ler para seus alunos O Corvo de Edgar Allan Poe e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Washington Irving (curioso que Walken muitos anos depois faria o papel do Cavaleiro no filme dirigido por Tim Burton). Ele vive um romance com a também professora Sarah Bracknell (Brooke Adams) até que um dia após se despedir da moça, sofre um terrível acidente de carro e fica cinco anos em coma.

Leitura de mãos

Leitura de mão

Quando Smith retoma a consciência, descobre que além de perder o amor da sua vida, que casara e tivera um filho com outro homem, seu emprego e ter se tornado um inválido, ganhou de bônus uma habilidade psíquica pré e pós cognitiva ao tocar nas pessoas e objetos, conseguindo acessar a “zona morta” de seu cérebro. Ou seja, ele é capaz de ver o passado e também prever o futuro. Então o filme se dividirá em duas metades completamente diferentes.

A primeira parte, depois de narrar o acidente e o ganho dos poderes mediúnicos de Smith, foca em sua ajuda ao xerife Bannerman (Tom Skerritt) na busca de um psicopata conhecido como o Assassino de Castle Rock, que vem matando jovens garotas na cidade preferida de Stephen King e não deixando nenhuma pista para que a polícia possa pegá-lo. Em outro texto eu já falei que Cronenberg costuma criar sempre uma cena de impacto em seus filmes, que acabam sendo printadas na mente do espectador. No caso de A Hora da Zona Morta, é a aflitiva cena (e toda a sequência) da tesoura, no concluir da trama da descoberta do assassino.

Já na segunda parte, o filme muda completamente de figura, e Smith passa a viver em reclusão, voltando a dar aulas particulares em sua casa, quando se vê no meio da campanha do impetuoso Greg Stillson (papel de Martin Sheen) ao senado americano. Acontece que Stillson é o típico político sujo e com um quê de psicótico, e em um comício, ao apertar a sua mão, o pobre coitado tem a visão de que o sujeito será responsável por um genocídio nuclear quando se tornar o presidente dos Estados Unidos, lançando mísseis sobre a União Soviética, apertando um malfadado botão do juízo final à lá Dr. Fantástico.

Não corra com tesouras, dizia sua mãe

Não corra com tesouras, dizia sua mãe

Cabe ao atormentado Smith então enfrentar uma crise de consciência, também pelo fato de Sarah ter reaparecido em sua vida novamente e estar trabalhando com o maridão na campanha de Stillson, e tentar assassinar o político nefasto antes que ele ganhe a corrida pelo senado e mais tarde torne-se presidente. ALERTA DE SPOILER – Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Algo que apesar de ser evitado pelo vidente no longa, pois a tentativa de assassinato é frustrada, mas o escroque usa o bebê de Sarah como proteção contra as balas, o que acaba sendo publicado na imprensa, afundando sua carreira política, e levando-o ao suicídio, aconteceu futuramente para Martin Sheen, que conseguiu chegar à Casa Branca na série The West Wing – Os Bastidores do Poder.

Mais uma vez o texto de King, vagamente baseado na vida do famoso psíquico holandês Peter Hukos, aproveita o que ele sabe fazer de melhor: pegar um sujeito ordinário como eu e você e coloca-lo em uma situação fantástica, metendo em um simples professor de inglês o fardo da premonição e ter de lidar com a perda, a culpa, e claro, a maldade humana. E Cronenberg consegue captar toda a angústia dessa maldição, sempre extraindo o que há de melhor no fantástico Christopher Walken e entregando um suspense redondo, que apesar de não ser brilhante, consegue prender o espectador e o mais importante, aproximá-lo do tormento do personagem.

Mais tarde, o livro que deu origem ao filme A Hora da Zona Morta foi transformado em uma série de televisão que durou seis temporadas, com Anthony Michael Hall fazendo o papel de John Smith, exibida aqui no Brasil no SBT como O Vidente e pelo canal pago AXN. Confesso que nunca assisti sequer um episódio.

O vidente

O vidente

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de A Hora da Zona Morta aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

8 Comentários

  1. […] que sempre faz um belo vilão (como já havia feito em outra adaptação anterior do escritor, A Hora da Zona Morta) que ficou com o papel com a recusa de Burt Lancaster e o sempre gabaritado George C. Scott, […]

  2. […] Gênio! Para os mais atentos, certo momento do longa, Morrisson está assistindo na televisão A Hora da Zona Morta e solta um: “quem escreveu essa […]

  3. […] Sheen que já havia atuado em duas outras adaptações de King produzidas por Dino de Laurentiis: A Hora da Zona Morta e Chamas da […]

  4. […] um poderoso de Hollywood, tem em sua bagagem. Entre erros e acertos, colocamos na sua conta: A Hora da Zona Morta, Olhos de Gato, A Hora do Lobisomem e Comboio do […]

  5. […] se passa na fictícia Castle Rock, pano de fundo de outras histórias de King, como Conta Comigo, A Hora da Zona Morta, Cujo e claro, A Metade Negra, que por sinal, foi lançado no mesmo ano. Gaunt muda-se para a […]

  6. […] baixe o filme com Legenda + Filme […]

  7. […] apontou Marcos Brolia, do excelente “101 horror movies” (que também já resenhou esse filme), Stephen King, autor do livro, tem o grande mérito de pegar uma pessoa comum, como eu e você, e […]

  8. […] 7) A Hora da Zona Morta (1983) […]

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