475 – Pesadelos Diabólicos (1983)

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Nightmares

1983 / EUA / 99 min / Direção: Joseph Sargent / Roteiro: Jeffrey Bloom, Christopher Crowe / Produção: Christopher Crowe, Ana Barnette (Produtor Associado), Alex Beaton e Andrew Mirisch (Produtores Executivos) / Elenco: Cristina Raines, Emilio Estevez, Lance Henrikssen, Richard Masur, Veronica Cartwright

Todo mundo tem alguns filmes que lhe trazem lembranças que transcendem a qualidade da produção e acabem tendo um lugar cativo e saudoso na sua memória e seu coração. Bonito, não? Isso só para dizer que Pesadelos Diabólicos é um deles.

Não é nenhuma maravilha da sétima arte e existem dezenas de outros filmes nesses moldes de antologia com vários contos melhores, mas eu tenho um daqueles fotogramas de um momento congelado no tempo em minha lembrança de quando o assisti pela primeira vez. Era uma noite de sábado, final dos anos 80, o filme era exibido no Super Cine, da Rede Globo, e eu estava na casa de minha avó, ali na Vila Alpina, junto com meu primo mais velho, assistindo a exibição na TV aberta no escuro da sala iluminado apenas pela luz do aparelho televisor. Moleque de tudo, vibrei com o episódio do Bispo da Batalha e morri de medo do rato gigante destruidor do último segmento.

Mas vamos lá. Pesadelos Diabólicos, como já disse, é um portmanteau aos melhores moldes dos longas popularizados pelo estúdio inglês Amicus durante os anos 60 e 70. São quatro histórias, com roteiro de Jeffrey Bloom e Christopher Crowe, e direção de Joseph Sargent (que em sua filmografia também tem o tenebroso Tubarão 4 – A Vingança), que na verdade foi originalmente escrito e dirigido como episódios da série de TV Darkroom da ABC, porém a Universal considerou muito intenso para a telinha e resolveu adicionar algumas filmagens extras e lançar nos cinemas como um longa metragem.

O primeiro segmento, “Terror in Topanga”, parece mais uma propaganda antitabagista. Um lunático acaba de fugir do hospício, matar um policial e se esconder pelos lados de Topanga, na Califórnia em uma noite qualquer. Lisa (Cristina Raines, de A Sentinela dos Malditos) é uma fumante inveterada, que resolve sair à noite as escondidas, depois de proibida pelo maridão Phil (Joe Lambie), para comprar um maço de cigarro. Só que durante a volta, a gasolina do carro acaba e ela terá um encontro com o maníaco que pode ser fatal.

Venha para o mundo de Marlboro

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Já a segunda história, “Bishop of Battle” surfa na onda do sucesso de Tron – Uma Odisseia Eletrônica lançado pela Disney no ano anterior e mistura videogame com realidade. J.J. Cooney (papel de Emilio Estevez) é um gamer que debulha no fliperama e fica obcecado em atingir um quase impossível nível 13 na máquina do Bispo da Batalha. De castigo por conta das péssimas notas e não querer mais nada da vida e só ficar no arcade o dia inteiro, ele foge de casa à noite, invade o fliperama para jogar a partida derradeira, que o colocará no tal nível inatingível e trará as ameaças virtuais para que ele confronte na vida real, onde não poderá inserir mais fichas se der game over. Claro que em tempos de PS4 e Xbox One, quem assistir ao filme vai achar os efeitos especiais obsoletos, mas que foram surpreendentes para a época. E detalhe que as sequências, geradas por um ACS1200, custou tanto que quase levou a produção à falência pelo estouro de orçamento.

Saudações terrestre, eu sou o Bispo da Batalha!

Saudações terrestre, eu sou o Bispo da Batalha!

A terceira sequência é aquela com a pegada sobrenatural. Lance Henrikssen vive um padre que questiona sua fé no segmento “The Benediction”. Após a morte de um garoto do vilarejo onde fica sua paróquia e deixar de acreditar em Deus, ele pega suas coisas, coloca no porta-malas do carros e abandona a batina, só para ter essa falta de fé testada no meio da estrada, em pleno deserto, quando passa a ser perseguido por uma infernal picape preta toda filmada, aos melhores moldes de Encurralado ou O Carro – A Máquina do Diabo.

Possante

Possante

Encerra o filme com o quarto e último segmento, “Night of the Rat”, quando a casa da família Houston passa a ter problemas com roedores. Claire (papel de Veronica Cartwright) vive às turras com o marido ausente, Steven (Richard Masur), querendo contratar um exterminador, mas o sujeito quer economizar dinheiro e culpa a esposa em não fazer nada por conta própria. Quando um rato filhote é pego em uma ratoeira deixada no sótão, mal eles sabem que irão descobrir que sua mãe é uma ratazana gigante (cujo tamanho é criado por aqueles efeitos de sobreposição toscos), que na verdade é uma criatura demoníaca indestrutível, que começa a destruir a casa e soltar guinchos que parecem mais os gritos sônicos do Raio Negro da Marvel.

Ben, most people would turn you away...

Ben, most people would turn you away…

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Pesadelos Diabólicos não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.

 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

2 Comentários

  1. Helaine disse:

    Oi… lembro-Me de um filme, que a mulher andava e parecia que tinha patas de vaca… E por fim aparecia uma árvore e a arrastava.
    Lembra o nome do filme?

  2. Riki disse:

    Eu assisti esse filme dois anos atrás. Achei totalmente dispensável essa última história, poderiam ter passado sem essa e expandido a 2ª história, que é a mais legal na minha opinião.

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