479 – Chamas da Vingança (1984)

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Firestarter

1984 / EUA / 114 min / Direção: Mark L. Lester / Roteiro: Stanley Mann (baseado no livro de Stephen King) / Produção: Frank Capra Jr., Martha De Laurentiis / Elenco: David Keith, Drew Barrymore, Freddie Jones, Heather Locklear, Martin Sheen, George C. Scott

 

Chamas da Vingança é um filme fraco para um livro fraco de Stephen King. Preciso confessar que eu comecei a ler A Incendiária e nunca consegui terminar de tão maçante e chato que achei a novela do mestre do terror. O filme segue a mesma toada e pior ainda, com uma piveta Drew Barrymore chata pra cacete pra irritar durantes quase duas horas de duração.

Chamas da Vingança segue uma “febre” de filmes lançados no final dos anos 70 e começo dos anos 80 que trazem como pano de fundo poderes extrassensoriais como telepatia, telecinese, geralmente tendo como foco testes secretos e organizações escusas, como A Fúria de Brian De Palma e Scanners – Sua Mente Pode Destruir de David Cronenberg. Aqui no caso, a jovem Charlene “Charlie” McGee possui habilidades pironcinéticas de atear e controlar o fogo.

Isso porque seu pai e mãe, Andy McGee (David Keith) e Vicky Tomlinson (Heather Locklear) participaram de um experimento científico onde foram cobaias da injeção de um composto chamado Lote 6, uma droga que estimula a glândula pituitária e lhes deu poderes telecinéticos. Oito anos se passam quando Andy e Charlie começam a ser perseguidos pela inescrupulosa organização conhecida como A Loja, chefiada pelo famigerado Capitão Hollister, papel de Martin Sheen.

Após Vicky ser assassinada, os dois vivem como nômades tentando escapar dos tentáculos da perigosa organização que quer usar a menina como arma definitiva. Para isso, ele contrata o impetuoso mercenário John Rainbird (George C. Scott), um pragamático matador descendente de índios americanos (que Scott não tem absolutamente nada a ver) que tem como desejo matar Charlie com suas próprias mãos. Pai e filha acabam capturados, Andy começa a ser drogado como forma de inibir seus poderes telepáticos e Rainbird, passando por um afável faxineiro, faz amizade com Charlie para que ela desencadeie todo seu poder durante os experimentos. Até claro, que fatidicamente a coisa vai dar merda uma hora e Charlie parecer a Fênix Negra dos X-Men e começar a tacar fogo em tudo.

Twisted firestarter...

Twisted firestarter…

Originalmente, Chamas da Vingança deveria ter sido dirigido por John Carpenter, que já se aventurara na direção de uma adaptação de Stephen King no ótimo Christine – O Carro Assassino. O problema é que os executivos da Universal o tiraram do projeto por conta do fiasco nas bilheterias de O Enigma de Outro Mundo (que é SÓ o seu melhor filme e hoje objeto de culto). A vaga ficou na mão do burocrático e preguiçoso Mark L. Lester, que mais tarde dirigiria alguns clássicos do cinema de ação oitentista como Comando Para Matar e Massacre no Bairro Japonês.

O filme é uma tragédia só, pior do que ser queimado vivo pela garota. Tudo é enfadonho, clichê, arrastado, sem um pingo de ousadia e transformando a obra num resultado medíocre, tal qual o próprio livro de King. Salvam-se mesmo apenas Martin Sheen que sempre faz um belo vilão (como já havia feito em outra adaptação anterior do escritor, A Hora da Zona Morta) que ficou com o papel com a recusa de Burt Lancaster e o sempre gabaritado George C. Scott, ganhador do Oscar® de melhor ator por Patton – Rebelde ou Herói? e o excelente thriller sobrenatural Intermediário do Diabo.

Os efeitos especiais para a época também são bem interessantes, principalmente as bolas de fogo lançadas pela menina nos seus algozes. Mas algumas coisas são péssimas, como o esvoaçar do cabelo da garotinha antes da manifestação dos seus poderes (parece com aqueles comerciais de xampu, sabe?) ou a fraquíssima atuação de David Keith (que foi nada menos que a 14ª escolha!!!!). Fora que aguentar a “ternurice” daquela vozinha adocicada chata pra danar de Drew Barrymore é uma barra.

Chamas da Vingança ainda rendeu mais de 15 milhões de dólares de bilheteria nos EUA, provando que naqueles tempos, adaptar uma obra do mestre do terror para o cinema era sinal de lucro certo. Por isso mesmo, esse é um dos seis filmes baseados no texto de Stephen King produzidor por Dino de Laurentiis, junto com A Hora da Zona Morta, Olhos de Gato (também com Barrymore no elenco), A Hora do Lobisomem, Comboio do Terror e Às Vezes Eles Voltam. Resumo da ópera: Um livro pobre e ruim transforma-se em um filme pobre e ruim.

Cabelos esvoaçantes

Cabelos esvoaçantes

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

15 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Mas a Drew Barrymore é uma gracinha

  2. Andre disse:

    Pra mim, vc que não gostou do filme, não que ele seja ruim.
    Eu adorei. Clichê? Onde? O roteiro me parece original. Não conheço nenhum que aborde uma menina com tais poderes. Esse filme também apresenta boas mortes, como quando ela incendeia todos os carros dos funcionários do “the shop”.

    • Oi André. Mas é verdade eu não gostei do filme. Acho fraquíssimo por todos os motivos que escrevi. Você já assistiu A Fúria ou Scanners? É a mesma história, exceto a pirocenese.

      Obrigado por comentar.

      Abs

      Marcos

  3. Marcus Vinícius disse:

    Já tinha lido que esta era uma adaptação preguiçosa uma obra menor do King. Mas nada paga a visão da Drewzinha explodindo os outros!! Se bem que esse filme poderia ser melhor se fosse mais fiel à obra, e tivesse tido o Carpenter na direção.
    PS: tenho a impressão de que você não é muito paciente com crianças. Quase sempre comenta que os atores mirins são insuportáveis, como em A Casa do Cemitério e Brinquedo Assassino

    • Oi Marcus. Sua impressão está correta!!! ahhahahahaha.

      Não sou paciente com crianças, não gosto de crianças e nem filho quero ter!!!! Mas também olhe os atores mirins que você menciona aqui. Até tem uns que eu gosto, tipo o Danny de O Iluminado, o garotinho de O Sexto Sentido, o Toshio de Ju-On, o Gage do Cemitério Maldito!!!!!

  4. Marcus Vinícius disse:

    Suplemento:
    Sei que você não é fã de remakes, mas esse filme até que merece um.

  5. Paulão Geovanão disse:

    Esse filme ganhou uma continuação. “Vingança em Chamas” (percebam a criatividade!!!!!) que traz a Charlie McGee mais velha.

  6. […] vivida pela infante Drew Barryomre (papel escrito sob medida por King após a garotinha ter feito Chamas da Vingança). Interessante é caçar os vários easter eggs que funcionam como homenagem ao próprio universo […]

  7. […] O núcleo de “pessoas normais em uma situação limítrofe lutando por suas vidas” tão comum na obra de King se concentram no Dixie Boy, uma parada de caminhões gerida pelo escroto Bubba Hendershot (Pat Hingle), cujo cozinheiro é o ex-presidiário Bill Robinson (Emilio Estevez, filho de Martin Sheen que já havia atuado em duas outras adaptações de King produzidas por Dino de Laurentiis: A Hora da Zona Morta e Chamas da Vingança). […]

  8. […] 2 – Assassinas Voadoras. Também é o primeiro filme como diretor do ator David Keith (aquele de Chamas da Vingança, baseado no livro de Stephen King) e traz no elenco um adolescente Wil Wheaton, muito antes de se […]

  9. […] Barrymore, a Charlie McGee de Chamas da Vingança, também do […]

  10. Julimar Freitas disse:

    MUITO BOM. ÓTIMO FILME!!!!

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