487 – Ratos – A Noite de Terror (1984)

kinopoisk.ru

Rats – Notte di terrore / Rats – Night of Terror

1984 / Itália, França / 97 min / Direção: Bruno Mattei / Roteiro: Claudio Fragasso e Hervé Piccine, Bruno Mattei (história) / Produção: Jacques Leitienne / Elenco: Ottaviano Dell’Acqua, Geretta Geretta, Massimo Vanni, Gianni Franco, Ann-Gisel Glass, Jean-Christophe Brétiginiere, Fausto Lombarda

Pare tudo que você está fazendo na sua vida agora e assista Ratos – A Noite do Terror. Simplesmente é uma das maiores porcarias que você já vai ter visto na vida, cortesia dos sempre brilhantes Bruno Mattei e Claudio Fragasso. Só que você terá uma sincope de riso durante os 97 minutos de produção, eu te garanto.

Bom, não preciso falar sobre a fama do picareta Mattei. Perto do sujeito Ed Wood era Orson Welles. E tampouco me estender nas qualidades narrativas dos roteiros de Fragasso. A dupla é simplesmente um dos maiores abortos da natureza do cinema italiano e tudo que eles tocam a mão tem um efeito de Midas ao inverso. Espere sempre o mais podre no mais baixo nível cinematográfico que faz os fãs do horror, do trash, do gore e do splatter terem uma ereção fílmica.

E Ratos – A Noite do Terror não poderia ser diferente. Esse pretensioso sci-fi pós apocalíptico que emula o pior do pior em Mad Max começa já mostrando ao que veio logo na cena pré-créditos narrando o triste destino da humanidade: Em 2015, ou seja, ano que vem, finalmente haverá um cataclismo nuclear. E no ano 215 D.B (Depois da Bomba, olha só que canastrice), exatamente o ano 2225 do nosso antigo calendário gregoriano, após o planeta ser transformado em um deserto radioativo, os sobreviventes passaram a viver no subterrâneo para escapar dos efeitos da radiação e reconstruir a sociedade. Porém um grupo conhecido como “Novos Primitivos” (vai, confesse para mim que você não deu risada) voltaram para a superfície e vivem como gangues nômades em busca de comida, água e abrigo.

Ai, um rato!

Ai, um rato!

Nessa busca o bando com aquele visual retrô-futurista-cafona-baixo orçamento liderado por Kurt se depara com um antigo prédio onde descobrem um velho computador, uma estufa com plantas e um sistema de filtrar água, tentativa dos cientistas em trazer o mundo de volta à vida. Porém eles mal sabem que serão impiedosamente caçados, um por um, por uma terrível horda de ratos carnívoros assassinos mutantes, que ficaram “espertos” e muito mais ferozes por conta da exposição à radiação. E se a fita não havia descambado até aí, prepare-se para o que está por vir.

Sem colocar em pauta as atuações bisonhas, o roteiro ridículo, os estereótipos dos personagens porcamente executados por atores do pior calibre, os diálogos enfadonhos, eis que os ratos assumem seus papei de protagonistas, mas a falta de grana somada a inépcia costumeira de Mattei leva o filme a um esplendor trash.

Os ataques aos humanos são simplesmente patéticos e mal dá para cair na lábia de Fragasso de que os roedores representam todo o perigo que eles aparentam. Vez ou outra se vê meia dúzia de ratos agrupados não infligindo nenhum mal ou botando medo em ninguém ou cenas e mais cenas dos pobres animais sendo jogados de balde em cima dos atores, enquanto homens se debatem e tentam mata-los e mulheres histéricas dão gritos de doer os tímpanos entre um xilique e outro.

Galerinha do barulho!

Galerinha do barulho!

Ah, e claro que temos vários ratos de borracha ridículos também para deleite geral. E há duas cenas marcantes, diria até antológicas. A primeira é quando uma das garotas, a responsável pela nudez do filme para alegria dos marmanjos, é atacada por um ratinho enquanto está dormindo. O danado rói seu saco de dormir e entra em certa cavidade (claro que isso é implícito) e depois quando encontrada morta pelos seus colegas, não é que o rodeor sai pela boca dela? A outra é quando um clone do Chuck Norris é encontrado após um dos ataques, cai de costas no chão e começa a inchar como se fosse um balão, para suas costas (e jaqueta de couro) explodirem e revelarem… espere, você pensou uma rataiada saindo de dentro do pobre diabo né? Mas não, apenas um mísero ratinho põe a carinha dele serelepe para fora do corpo, mas foi responsável por aquele estrago todo.

Mas nada, nada, absolutamente nada supero o final icônico, clássico e cultuado de Ratos – A Noite do Terror. Então esteja avisado do meu ALERTA DE SPOILER e pule para o próximo parágrafo ou leia por conta e risco. Depois de ouvirem uma gravação e descobrir sobre a mutação dos ratos e que os cientistas enviados a superfície esperavam pela vinda de um grupo de resgate, eis que quando apenas dois dos heróis sobrevivem e estão “cercados” (entre aspas mesmo) pelos animais, o tal grupo aparece do subterrâneo vestindo roupas amarelas de contágio e usando máscaras tóxicas, despejando um gás venenoso para exterminar a praga. Aliviados por terem sidos salvos por “gente como a gente” da mesma espécie e até citar um texto piegas de um antigo livro chamado Bíblia que pregava o amor entre irmãos, é quando um dos sujeitos de traje amarelo tira sua máscara, ele é UM RATO GIGANTE HUMANÓIDE MUTANTE!!!!! Sim, final melhor em toda a história do cinema não há!!!!

É uma pérola. Um magnânimo titã da podreira trash. Mattei e Fragasso superam-se cena após cena até seu final acachapante. E o mais engraçado de tudo é lembrar minha infância de rato de locadora (hã? hã?), quando toda e qualquer porcaria era lançado por distribuidoras de fundo de quintal no Brasil e amontoava nas prateleiras. E lembro perfeitamente do dia em que aluguei Ratos – A Noite do Terror, tasquei dentro do aparelho de videocassete em uma tarde de sábado e mesmo quando novo, fiquei horrorizado com tamanha porcaria. Claro que visto anos mais tarde (obrigado, Internet) em uma sessão pipoca com os amigos zueiros e agora novamente para resenha-lo, dou mais importância a essa monstruosidade exatamente pela sua falta de qualidade e grande quantidade de risos proporcionados.

O rato roeu a pelo do ator de Roma!

O rato roeu a pelo do ator de Roma!

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Ratos – A Noite do Terror:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Ratos – A Noite do Terror não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

3 Comentários

  1. Marcus Vinícius disse:

    Um rato naquela cavidade? Tem uma cena de tortura no último filme do Zé do Caixão que é exatamente isso!
    #Brrrrrrrr! Ratos :pppppp

  2. […] Leia a minha resenha sobre Ratos – A Noite do Terror aqui. […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: