488 – Razorback – As Garras do Terror (1984)

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1984 / Austrália / 95 min / Direção: Russell Mulcahy / Roteiro: Everett De Roche (baseado no livro de Peter Brennan) / Produção: Hal McElroy, Tim Sanders (Produtor Executivo) / Elenco: Gregory Harrison, Arkie Whiteley, Bill Kerr, Chris Haywood, David Argue, Judy Morris

 

Razorback – As Garras do Terror (que quando lançado em VHS pela VTI no Brasil ganhou o infame nome de O Corte da Navalha) é um clássico incomparável do Ozploitation e certeza que você já deve ter esbarrado com ele sendo exibido nas madrugadas do TCM, para aqueles que têm o canal por assinatura.

Para quem não sabe, Ozploitation é o termo designado para os filmes trash vindo da Austrália (que possui uma filmografia bem prolífica do gênero e se você não conhece até indico o documentário Além de Hollywood: O Melhor do Cinema Australiano). E Razorback cumpre seus requisitos nesta categoria com louvor.

Razorback é a palavra inglês para porco-selvagem ou javali, e é exatamente essa criatura que é a antagonista neste eco-horror dirigido por Russel Mulcahy, baseado no livro de Peter Brennan, contratado pelos produtores após dirigir o videoclipe de “Hungry Like The Wolf” do Duran Duran e que lhe gabaritou para dirigir futuramente o sensacional Highlander – O Guerreiro Imortal e a sua segunda parte.

Caçando sua própria feijoada

Caçando sua própria feijoada

Ambientado no inóspito outback australiano, um terrível javali gigante assassino é responsável pela morte do neto de Jake Cullen (Bill Kerr) após um ataque feroz. Acusado pelo crime, isso levou o velho à ruína, mesmo sendo inocentado por falta de provas no tribunal. A partir daí ele ficou obstinado em caçar e destruir o maldito javali, primeiro por vingança, depois para provar de vez a participação do animal no trágico acontecido e deixar de viver sob suspeita.

Uma jornalista americana ativista dos direitos animais chamada Beth Winters (Judy Morris) viaja até a cidadezinha interiorana australiana para filmar a caçada predatória de cangurus. Obviamente lá ela não se torna muito popular e começa a ser hostilizada pela população local, incluindo aí dois sádicos irmãos caçadores, Benny e Dicko Baker (Chris Haywood e David Argue respectivamente). Então de repente em um toque à lá Hitchcock, quando você pensa que a jornalista é a mocinha do filme, eis que ela é brutalmente assassinada pelo mesmo javali antes da metade da fita.

A partir daí, seu marido, Carl Winters (Gregory Harrison) viaja para a Austrália em busca de informações sobre o assassinato da esposa (foi-se dito que ela havia caído de um barranco) quando tem um encontro quase mortal com a fera. Vagando pela estepe desértica quase à beira da morte, encontra a loira gracinha Sarah (Arkie Whiteley), bióloga que estuda o comportamento errático dos porcos selvagens e é próxima de Jake Cullen, que finalmente depois de dois anos descobre por meio do forasteiro, o local onde o javali gigante está escondido, e parte para a vingança.

Quem bate? É o javali!

Quem bate? É o javali!

Fato é que Razorback é recheado de situações absurdas e descabidas, mas que obviamente é o que dá bastante charme ao filme. Tudo parece um grande ensaio estético de Mulcahy para meter ângulos inusitados, filtros e diversos recursos visuais na construção de seu longa, explorando a desoladora paisagem do outback, personagens desequilibrados e caricatos e muita inverossimilhança.

Claro que o ator principal é o javali com seus ataques violentos e sua velocidade até propulsora às vezes. Ou não. Parece que a lição importantíssima dada por Steven Spielberg em seu Tubarão que quanto menos mostrar o animal e preservar o suspense melhor, principalmente devido a problemas técnicos e orçamentários, foi seguida a risca por Mulcahy. Vemos sempre o bicho de relance em ângulos inventivos até demais (que até geram uma penca de erros de continuidade) com muitos cortes rápidos (até pela sua experiência no mercado de videoclipe) e só teremos um vislumbre do animatrônico  de tamanho natural (que custou 250 mil dólares) durante um mísero segundo na sequência final.

Mas para quem curte o gore, crueldade e filmes dessa temática “animais assassinos”, e até uma boa dose de humor negro e caricato,  Razorback – As Garras do Terror é uma boa pedida e recomendadíssimo, até para se saber que até nos mais inóspitos rincões do planeta Terra, uma ameaça sinistra pode tomar forma e virar uma boa história e um bom filme de terror, e que na Austrália há bons exemplares do gênero.

P-por hoje é só p-pessoal

P-por hoje é só p-pessoal

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Razorback – As Garras do Terror está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

2 Comentários

  1. […] espécie de Tom Savini ou Stan Winston do outback. Olhe só, o sujeito foi o designer do javali de Razorback – As Garras do Terror, outro clássico do trash da terra dos cangurus, e também foi responsável pelos efeitos […]

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