49 – A Tumba da Múmia (1942)

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The Mummy’s Tomb


1942 / EUA / P&B / 60 min / Direção: Harold Young / Roteiro: Griffin Jay, Henry Sucher / Produção: Ben Pivar / Elenco: Dick Foran, John Hubbard, Elyse Knox, George Zucco, Wallace Ford, Thurah Bey, Lon Chaney Jr.


 

A criatura egípcia enfaixada de 3.000 anos de idade está de volta em A Tumba da Múmia. Mais uma das intermináveis sequências que a Universal criou para seus monstros queridos. E aqui já temos a certeza absoluta que não existiam mais histórias para contar, somente repetindo as mesmas fórmulas e argumentos, só que em situações diferentes, e que Lon Chaney Jr. estava destinado a seguir os passos do pai de verdade e se tornar um novo Homem das Mil Faces.

Isso porque nessa altura do campeonato, Chaney já havia feito o papel principal em O Lobisomem, vivido o monstro de Frankenstein em O Fantasma de Frankenstein e aqui se enrola nas ataduras e interpreta Kharis (que também já foi vivido por Tom Tyler em A Mão da Múmia), a múmia que outrora foi um sacerdote apaixonado pela princesa Ananka. Vale sempre lembrar que a partir de A Mão da Múmia, somos apresentados a um personagem novo, e não Imhotep, a múmia vivida por Karloff no original A Múmia de 1932.

A Tumba da Múmia retoma a trama do filme anterior. Retoma até demais, pois os primeiros 12 minutos do filme são perdidos mostrando exatamente o que aconteceu em A Mão da Múmia. O arqueólogo Stephen Banning, que descobriu o túmulo da princesa Ananka em uma expedição no Egito há 30 anos, está contando a história de sua aventura para seu filho, nora e irmã. Isso para logo descobrirmos que a obscura seita dos Sacerdotes de Karnak (ou Arkan, dependendo do filme) não foi destruída, assim como a múmia de Kharis, que seria levada por um sacerdote recém-empossado para os EUA, e por meio da poção criada por meio das nove folhas de Tana, se vingaria de todos da família Banning e dos demais envolvidos na remoção do túmulo de Ananka para a América.

O Mata Leão da múmia!

UFC Múmia!

Então a múmia ataca os Estados Unidos, pela primeira vez. Em sua rota de vingança, Kharis acaba por matar Stephen Banning, sua irmã e Babe Hanson, o ajudante de Banning que também esteve presente na expedição original (aquele clone do Joe Pesci lembram-se?). Nessa conta, a próxima vítima é o filho de Stephen, John Banning, médico cético que se recusa a acreditar que uma múmia do antigo Egito está praticando os assassinatos.

Como se não bastasse esse revertério todo, o tal sacerdote, Mehemet Bey, que está conduzindo Kharis em sua vingança, se apaixona pela noiva de John, Isabel Evans, e resolve usar a múmia para sequestrá-la e dar-lhe também a poção com as folhas de tana, para que os dois possam viver para sempre como sacerdotes supremos. Seus planos são interrompidos quando John e uma turba enfurecida com tochas e forcados (solução da Universal para tudo, como já vimos anteriormente nos filmes do monstro de Frankenstein ou do lobisomem) resolve acabar de uma vez por todas com a múmia e a matança.

Na verdade, A Tumba da Múmia é melhor do que A Mão da Múmia. Trazer o monstro para os EUA foi uma decisão acertada, já que não havia mais o que explorar em sua estada nas areias do Cairo. Senão haveria o quê? Outra expedição, com outros arqueólogos, uma nova donzela em perigo? E além do mais, eles souberam utilizar bem o subterfúgio da tal “maldição da múmia”, já que todos os envolvidos na descoberta do túmulo da princesa Ananka foram sendo assassinados. Mas nada que se diga: “Nossa, mas que filme de terror”!

Outro detalhe interessante é que em determinado momento do longa, o Dr. Banning é recrutado para servir na guerra como médico, e fica super feliz com aquilo, assim como sua noiva, dizendo que era algo que sempre queria. Propaganda ideológica militar escancarada, algo muito bem utilizado pelo cinema americano durante aqueles anos da Segunda Guerra Mundial. E após os créditos, aparece uma mensagem para se comprar selos e cartões ao final da sessão de cinema, no intuito de ajudar a financiar os soldados americanos lutando em solo europeu.

Sua maldição será aguentar os fimes do Brendam Fraser!

Sua maldição será aguentar os filmes com o Brendam Fraser!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] isso. Praticamente a mesma trama de A Tumba da Múmia, misturada com A Mão da Múmia e com toques de A Múmia. Ainda há tempo no roteiro para Amina […]

  2. […] amor, são muitos furos grotescos de continuidade. Saca só: A Mão da Múmia se passa em 1940. A Tumba da Múmia se passa 30 anos depois (segundo o próprio filme), então em 1970. O Fantasma da Múmia também se […]

  3. […] 6) A Tumba da Múmia (1942) […]

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