491 – A Coisa (1985)

The-Stuff-1985

The Stuff

1985 / EUA / 93 min / Direção: Larry Cohen / Roteiro: Larry Cohen / Produção: Paul Kurta, Barry Shils (Produtor Associado), Larry Cohen (Produtor Executivo) / Elenco: Michael Moriarty, Andrea Marcovicci, Garrett Morris, Paul Sorvino, Scott Bloom, Danny Aiello

 

 

Esse é um verdadeiro clássico da infância! Quem não tem lá seus mais de 30 anos que não se lembra desta adorada sobremesa mutante assassina sendo exibida no Cinema em Casa do SBT? A Coisa é mais um daqueles filmes de terror que faz parte do imaginário popular de toda uma geração. Trash de doer, divertido e inesquecível.

Afinal, é genial a ideia de um iogurte que vem das profundezas da terra, de sabor doce, que vicia aqueles que se alimentam dele e se apodera de seu corpo, transformando-o em um casulo hospedeiro da criatura gosmenta branca. E um grande detalhe de assistir A Coisa novamente depois de velho é que você vê que por trás de toda a tosqueira (proposital, pois o filme não se leva a sério mesmo) ele possui uma gigantesca crítica ao estilo de consumo americano, principalmente tratando-se de hábitos alimentares e manipulação do consumidor pela mídia.

Fica ainda mais claro quando os responsáveis por colocar o produto à venda fazem parte de uma conspiração, que resultou no iogurte passar por todos os testes do FDA (órgão regulador de alimentos e remédios dos EUA) através de suborno, e chegar de forma massiva aos supermercados, quiosques, lanchonetes e todos os lugares possíveis e imagináveis, sabendo que é na verdade uma criatura vilanesca e assassina. Outro fato que embasa essa critica velada são os comerciais e toda a campanha publicitária utilizando modelos com casacos de pele, jingles com músicas eletrônicas tipicamente oitentistas, embalagens coloridas roxa e rosa e uma forte campanha na televisão e em PDVs.

Piscina de coisa!

Piscinão de coisa

E a grande questão que permeia o filme é: Você come a coisa, ou a coisa come você? E esse grande mal mercadológico afeta a família de Jason (Scott Bloom), que assim como 20 milhões de americanos, estão viciados na Coisa e comem-na no almoço, na janta, no café da manhã, no lanche noturno, substituindo todas as refeições. Falando em lanche noturno, certa noite o garoto abre a geladeira e vê o iogurte cremoso se mexendo dentro do refrigerador e daí começa desconfiar da substância, sempre repreendido pela família “possuída”, que o obriga a provar a Coisa de qualquer forma. O garoto em uma cena clássica substitui o conteúdo do pote da sobremesa com creme de barbear para ludibriar a família.

Enquanto isso, o espião industrial, ex-agente do FBI, David “Mo” Rutherford (interpretado pelo ator Michael Moriarty) é contratado por uma empresa concorrente para descobrir a fórmula do produto, sucesso absoluto de vendas. Em sua investigação, ele se alia à publicitária Nicole (Andrea Marcovicci), responsável pela campanha da Coisa e com Chocolate Chip Charlie (ou somente Charlie Chocolate na versão clássica dublada do SBT), vivido por Garrett Morris, um “empresário” do ramo de chocolates e doces, lutador de kung-fu, que perdeu mercado por conta da Coisa e quer dar o troco. Ah, e também o pequeno Jason que conseguiu escapar dos pais.

Durante a investigação, Mo e sua gangue descobrem todos os podres por trás da Coisa, inclusive que eles usaram uma pequena cidade para fazer o teste do produto, e que na verdade ela é essa substância viva que controla a mente das pessoas. Ao enfrentar os funcionários da empresa responsável, descobrem também que eles são cascas vazias com Coisa dentro, e quando são atingidas, mostram-se bonecões deveras mal feitos que explodem ou se desfazem facilmente. E também quero fazer um adendo aos efeitos especiais da criatura, que são incríveis (só que ao contrário). A maioria das cenas que a Coisa aparece, são na verdade efeitos de câmera invertido, e fora as sobreposições toscas de imagem quando os atores contracenam com a substância, lembrando bastante os modernos e avançados efeitos especiais de Chaves, daqueles estilo quando ele o Chapolim aparecem na mesma cena.

Charlie Chocolate Aerado

Charlie Chocolate Aerado

E partindo de vez para o escracho, a única solução de vencer este terrível mal, é se juntar ao bitolado Coronel Malcom Grommett Spears (Paul Sorvino) e sua milícia, que vive em função de criar uma frente libertária para alertar e livrar os americanos dos comunistas e de suas terríveis manipulações e tentativas de invasão. Mo ganha o Coronel Spears utilizando o subterfúgio de que a Coisa estava lavando a mente dos seus compatriotas. Daí os milicos arrebentam a fábrica onde o produto é manufaturado e espalham a verdade para a população em suas estações de rádio. E nisso ainda dá tempo de uma última investida do creme mortal, que tomou controle de Charlie Chocolate, na cena mais clássica do longa, com o negão ficando com o rosto deformado e a Coisa começa a sair de sua boca escancarada enquanto ele vai murchando. Impagável.

ALERTA DE SPOILER: pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Após as transmissões radiofônicas do Coronel Spears e de propagandas de televisão veiculadas por Nicole, os americanos sentem-se compelidos a destruírem a Coisa em fogueiras, depredar os pontos de venda e explodir uma lanchonete especializada na sobremesa, que está deliberadamente localizada ao lado de um McDonald’s. Sacou a indireta? E no final do filme, como a indústria alimentícia é inescrupulosa, eles ainda têm planos de lançar O Sabor, novo iogurte com a mesma criatura só que misturado com outros produtos para não controlar a mente. Mas o que é deles está guardado, quando Mo e o garoto Jason, já desprovido de toda sua inocência infantil após ter perdido seus pais, obrigam-no a comer uma caixa lotada do produto. E mais no final ainda, quando você pensa que a América estava livre da Coisa, ela começa a ser vendida ilegalmente por traficantes, em uma cena hilária, fazendo uma associação ao tráfico de cocaína, com o criminoso recebendo uma carga do produto, abrindo a caixa com um canivete e provando o iogurte para saber se é “da boa”.

A Coisa é mais um daqueles filmes saudosistas que diverte horrores, dirigido por Larry Cohen, e isso por si só já dá uma boa ideia do que esperar, já que ele é campeão em fazer filmes trash e clássicos, como Nasce um Monstro, Q – A Serpente Alada e A Ambulância, além de ser roteirista de tantos outros, como Maniac Cop – O Exterminador.

Dieta!

Dieta!

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando A Coisa:

:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Coisa está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

10 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Você confundiu Maniac Cop com Psychocop. Este sim exibido no Cine Trash

  2. Michael Myers disse:

    HA HA Rapaziada, o site anda muito bom! Ansioso, na espera de alguns sucessos, e como estamos em ’85, vocês irão trazer “Phenomena” não é!?

  3. Marcus Vinícius disse:

    Acabo de ver TUBARÃO pela primeira vez, finalmente uma estreia na minha lista de filmes daqui que estava doido para assistir que me deu aquele prazer, principalmente com os elementos de turma unida do Spielberg na sequência do trio atrás do bocudo. Quase chorei quando ALERTA DE SPOILER o Quint foi pego e quase gritei quando explodiram o bicho!
    Ah; estreou Sharknado 2 no Syfy, e vocês devem saber o que esperar, se já não tiverem visto. Rola um Horrorcast?

  4. […] e traz roteiro e produção de um cara como o Larry Cohen (diretor de Nasce um Monstro e A Coisa), direção de William Lustig (do excelente O Maníaco), tem no elenco sujeitos como Tom Atkins (de […]

  5. Edmar disse:

    Poderiam passar de novo no sbt.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: