501 – Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo (1985)

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Friday the 13th: A New Beginning

1985 / EUA / 92 min / Direção: Danny Steinmann / Roteiro: Martin Kitrosser, David Cohen, Danny Steinmann / Produção: Timothy Silver, Frank Mancuso Jr. (Produtor Executivo) / Elenco: Melanie Kinnaman, John Shepherd, Shavar Ross, Richard Young, Marco St. John, Juliette Cummins, Dick Wieand

 

Sério, o que falar sobre Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo? Todo mundo que é fã da cinesérie sabe que desde que o acampamento Crystal Lake se transformou no Acampamento Sangrento no primeiro filme lançado em 1980, a franquia passou por altos e baixos. Essa quinta parte é o mais fundo do poço que ele conseguiu chegar? Olhe, não sei mesmo, afinal as partes oito e nove são realmente de doer o âmago. Mas não há nada, absolutamente nada, que trabalhe minimamente a favor para tirar esse aqui da lista dos piores.

Bom, talvez a ideia tenha sido louvável. Ou não, porque Jason Voorhees é Jason Voorhees. Como o subtítulo entrega, a ideia era dar um novo começo para Sexta-Feira 13. Afinal, se bem lembramos e ainda temos um pouco de juízo (apesar de adorarmos ser enganados por três coisas nessa vida: por Hollywood, pelos políticos e pela CBF), Sexta-Feira 13 – O Capítulo Final lançado no ano anterior era para ser o, hã, capítulo final, com o assassino da máscara de hóquei sendo estraçalhado por Tommy Jarvis em seu desfecho. Era essa a ideia do produtor Frank Mancuso Jr.

Mas, não era a ideia de seu pai, figurão da Paramount na época, Frank G. Mancuso. No auge da febre slasher, se o público queria continuar vendo esses filmes, vamos meter goela abaixo até espremer a última gota do bagaço. Só que Jason criou uma horda de fãs e espectadores fiéis que acompanharam as chacinas do psicopata nos últimos anos. E isso fez com que Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo, se mostrasse um tiro no pé. Agora se na receita juntarmos um prazo apertadíssimo de filmagem, roteiro escrito às pressas por seis mãos por conta da brilhante decisão do patrão, orçamento menor que seu filme anterior, um diretor preguiçoso, atores do mais baixo calibre e ainda uma mutilação da MPAA para conseguir uma censura R cortando nada menos que DEZESSEIS cenas de matança e sexo, teremos aí o fracasso completo.

Máscara de hóquei coleção 85

Máscara de hóquei coleção 85

Bom, a ideia inicial era explorar a volta do personagem Tommy Jarvis (agora mais velho, vivido pelo péssimo John Shepherd) como o substituto de Jason, afetado por ser testemunha da violência desmedida quando criança e atormentado por pesadelos constantes e alucinações com aquele que matou.  Só que ao invés de explorar isso, o roteiro repleto de falhas de continuidade resolve caminhar por outro caminho tortuoso e apresentar uma historiazinha das mais medíocres.

Após um prólogo com o jovem Tommy (participação especial de Corey Feldman que volta apenas nesses primeiros minutos do filme por estar no meio das gravações de Os Goonies) vendo Jason saindo de seu túmulo (com máscara e tudo) e trucidando dois sujeitos que foram perturbar seu descanso eterno, ele acorda em uma ambulância em direção a uma instituição psiquiátrica que nunca existiria no mundo real. Coordenada pelo psiquiatra Dr. Matt Letter (Richard Young) e sua assistente, Pam Roberts (Melanie Kinnaman), ambos são adeptos a um, hã, que palavra posso usar aqui? Estilo alternativo de tratamento, onde malucos potencialmente sociopatas ficam livres em uma fazenda, sem enfermeiro, sem seguranças, com direito de ir e vir, sair trepando na propriedade dos outros e ainda lhes dão MACHADOS nas mãos para cortar lenha.

E é aí que a “trama” (entre aspas mesmo) se dá início, quando Vic (Mark Venturini) um sujeito obviamente com sérios problemas de raiva está cortando lenha e começa a ser importunado pelo gordinho mala Joey (Dominick Brascia) e não dá outra, o bobão é retalhado pelo maluco e seu machado em um acesso de fúria. Vic é preso e dois paramédicos são chamados para levar o corpo do gordinho embora. Bom, já começo meu ALERTA DE SPOILER aqui, então esteja avisado. Com um close estúpido da expressão do enfermeiro Roy, TODO MUNDO já manja que ele será o assassino.

Morto? Enterrado? Sabe de nada, inocente

Morto? Enterrado? Sabe de nada, inocente

Na verdade, no final o xerife explica (de uma forma bem mequetrefe) que Joey era filho do tal paramédico. Daí um parafuso soltou na cachola do cara e ele começa a se inspirar nas mortes praticadas por Jason para meter uma máscara de hóquei no rosto e sair por aí ceifando a vida de gente a torto e a direito, de forma completamente aleatória, sem nenhum motivo específico (porque ele não matou só o Vic que deu cabo de seu filho, que ele mesmo tinha vergonha e escondia de toda a sociedade?).

E então como o negócio era matar a esmo, Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo tem nada menos do que VINTE E DOIS assassinatos na sua contagem de cadáveres. Em entrevistas com o diretor fracassado (que sumiu depois dessa bomba) Danny Steinmann, ele foi instruído a seguir duas regrinhas durante o filme: deveria mostrar uma morte (ou então algum jump scare qualquer) a cada SETE ou OITO minutos de cena. O grande problema é que quando um filme é tão ruim, esperamos que as mortes, o sangue, e vai, o sexo, compense. Aí quando ele é todo cortado pela censura e só temos mortes off screen (ainda mais depois da violentíssima e explícita quarta parte com direito a maquiagem de Tom Savini) e umas cenas de nudez ridículas, aí não dá mesmo para salvar nada.

A segunda instrução era transformar Tommy em Jason. Mais uma missão em que ele falhou miseravelmente, pois apesar da leve, assim beeeeem de leve, impressão que remete ao primeiro Sexta-Feira 13, em que não sabemos a identidade do assassino e fica aquela dúvida de quem está cometendo os crimes e tudo mais, nunca dá na pinta que poderia ser o traumatizado Tommy. E o pior ainda é que o filme foi tão execrado e a reação de público e crítica tão ruim, que o bom final, com Tommy vestindo a máscara, pirando o cabeção de vez e assassinando a mocinha sobrevivente, herdando o facão, foi completamente ignorado na sexta parte que traz o vilão clássico de volta, ainda com contornos sobrenaturais e com Tommy como o mocinho da vez.

Ou seja, trocando em miúdos: Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo não presta para nada. Não tem Jason, não tem mortes gráficas, não tem putaria, e não foi um novo começo. Próximo, por favor?

Eu sou você amanhã

Eu sou você amanhã

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

17 Comentários

  1. […] quase que completamente o filme anterior, Sexta-Feira – Parte 5 – Um Novo Começo, Tommy Jarvis (Thom Mathews, de A Volta dos Mortos-Vivos) retorna como nêmese do assassino de […]

  2. […] quase que completamente o filme anterior, Sexta-Feira – Parte 5 – Um Novo Começo, Tommy Jarvis (Thom Mathews, de A Volta dos Mortos-Vivos) retorna como nêmese do assassino de […]

  3. […] Michael Myers. Foi mais ou menos a expectativa criada ao término do igualmente sofrível Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo, quando aquele desfecho nos fazia crer que Tommy Jarvis herdaria a máscara de hóquei de Jason […]

  4. Cristiano disse:

    Este filme foi muito estranho mesmo, a única cena que se salva é desta atriz que está nas fotos acima postadas pelo Andy, esta atriz era muito bonita.

  5. Tonino disse:

    Eu gosto desse filme. Será que sou o único?

    • Orra, Tonino, acho que sim, viu… Mas me diz aí, por que você gosta?

      • Tonino disse:

        O Tony aí embaixo tirou as palavras da minha boca, se o filme não fosse ligado à série, receberia críticas melhores.
        Achei perfeita a interpretação do ator lá que faz o Tommy, ele parece mesmo estar perturbado mentalmente pelo confronto com o Jason no longa anterior, e as cenas que ele “vê” o Jason, ainda hoje são bem sinistras.
        A cena com o Corey Feldman no começo do filme é sensacional, princialmente quando ficamos sabendo se tratar de um pesadelo do Tommy.
        Os efeitos das mortes estão um pouco abaixo da média, principalmente comparado a pare 4, mas ali tinha o gênio Tom Savini envolvido, né? 🙂 Mesmo assim as mortes são bem criativas – pelo menos eu acho.
        Outra ponto positivo é que o filme ainda mantém o clima dos filmes anteriores, diferente da parte 6 em diante, que apelaram para piadinhas sem graça, tipo a cena do Smile, do 007… tem até uma piadinha envolvendo o Dirty Harry.
        O final do filme é outro atrativo, lembra muito o confronto final da parte 4, só mudando os atores, sai o Corey Feldman e entra aquele moreninho lá. Reitero, ainda mantinha o clima dos anteriores.
        Sei que o filme tem problemas, cenas digamos absurdas e até ridículas, mas quase todos tem. Acho que a culpa principal é da mudança continua de diretores , mas eu gosto muito desse filme. Só não dou nota 10 porque só o primeiro mereceria essa nota. Dou nota 8

  6. […] ele é o pior da franquia, não há discussão. Você pode vociferar quanto a ausência de Jason em Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo, a garota telecinética de Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua ou todos os absurdos e […]

  7. Tony Rellik disse:

    Tonino, você não é o único. Gosto muito da quinta parte!

    Apesar de todas as falhas, tenho uma opinião oposta em relação a maioria dos críticos deste filme.

    Certo que o roteiro simples (que pecou um bocado), feito as pressas devido a um prazo apavorado por parte da Paramount, o filme não é o pior da série (que na minha opinião, termina na oitava parte [e claro, ganha um bom reboot em 2009]).

    Vocês costumam se esbaldar nos pontos negativos da trama, mas não buscam reconhecer os aspectos positivos (sim, existem) que tornam a obra tão clássica e gostosa quanto as demais (1-8).

    Dono da página, óbvio que reconheço o seu entendimento pelos slashers, mas porra, existe tanto filme que de tão ruim chega a ser bom, ainda mais para quem aprecia tanto as trasheiras da década de ouro.

    Se esse filme não tivesse absolutamente nenhuma ligação com a franquia Sexta-Feira 13, ele não seria tão apedrejado. Se fosse um slasher aleatório sobre um serial-killer matando uma penca de retardado em um campo sem o menor sentido, com certeza seria melhor criticado. A má crítica é forte é pelo fato de pertencer a série.

    Enfim, apesar dos inúmeros defeitos, vou citar os pontos positivos do filme, que o fazem, sem dúvidas, melhores que a parte 7 e as posteriores (se bem que as desastrosas IX e X eu nem conto, pois essas sim são dignas de considerarmos BANIDAS da franquia).

    O início do filme é um dos melhores. Um pesadelo consequente da mente traumatizada e fodida do Tommy. Não importa o sentido (que não faz) de dois retardados desenterrando o Jason e que ele tenha sido enterrado de máscara e facão, pois aquilo é um pesadelo e a melhor hora para não ter sentido em algo, é aquela.

    O comportamento de Tommy e as ilusões dele, são com o verdadeiro Jason Voorhees, e não com o Roy. E porra, aquelas aparições são ÉPICAS! O John Sheperd é tão ruim, que para o papel de Tommy calado e mentalmente afetado, acabou sendo bom. Acredite, gostei da atuação do cara, apesar de ter agradecido pela sua saída na parte 6 (porque realmente o Thom Mathews é um Tommy muito mais divertido em uma trama muito melhor em todos os sentidos).

    A Ethel é uma figuraça, que deu um humor de qualidade ao filme (a cabeça do filho dela voando foi muito foda também).

    Dois pares de peitos da melhor qualidade aparecem no filme. Principalmente da Debi Sue Voorhees!!!

    O final é ótimo. Mesmo completamente ignorado em sua sequência, o filme em questão é esse, não o outro.

    Essa é minha opinião sobre a tão odiada quinta parte.
    R.I.P. Danny Steinman

    • Marcos Brolia Marcos Brolia disse:

      Pow que bacana! Primeira vez que eu vejo alguém elogiando e construindo argumentos para isso, sobre essa quinta parte.

      Valeu pelo comentário.

      Abs

      Marcos

      • Tony Rellik disse:

        Ah, sem contar que toca “His Eyes” do Pseudo Echo, música mais legal da série… até então, PORQUE A PARTE 6 APELA E ROUBA ESSE TRIUNFO COM FACILIDADE COM A QUANTIDADE DE (MESTRE) ALICE COOPER NA TRILHA SONORA E AÍ NÃO TEM PRA NINGUÉM!!!

        Abs.

        PS: que blog sensacional, tô baixando tanto filme FODA aqui. Parabéns pelos reviews encorpados!

    • Cristiano disse:

      Eu concordo os seios mais bonitos da série inteira estão na parte 5 e é justamente da Debi Sue Voorhees, eu vi uma entrevista dela em um site, o homem que a entrevistou perguntou se ela aceitaria ter feito o papel mesmo sabendo das cenas de nudez e ela disse que faria e não se arrepende de ter feito as cenas, bom para nós que tivemos a sorte de contemplar a beleza dela, eu também gosto do final do filme.

  8. […] como “Crystal Japan” (Sexta-Feira 13 – Parte 3), “Repetition” (Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo), “Aladdin Sane” (Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive) e “Birthday […]

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