507 – Criaturas (1986)

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Critters

1986 / EUA / 82 min / Direção: Stephen Herek / Roteiro: Dominic Muir, Stephen Herek / Produção: Rupert Harvey, Barry Opper (não creditado), Sara Risher (Produtor Associado), Robert Shaye (Produtor Execuvito) / Elenco: Dee Wallace, M. Emmet Walsh, Billy Green Bush, Scott Grimes, Nadine Van Der Velde, Don Opper

 

Porque os Gremlins não eram assustadores o bastante! Com esse mote, surgiu Criaturas, um dos mais queridos e divertidos filmes de terror e sci-fi dos anos 80. Pois fale se na verdade essas terríveis bolas de pelos carnívoros não são adoráveis?

Criaturas é mais um daqueles filmes que marcaram toda uma geração e gritavam os anos 80 em cada arquétipo de personagem (que vai da família caipira, do garoto espevitado piromaníaco, da adolescente com hormônios em embulição, do bêbado da cidade, da polícia inapta, e do roqueiro de metal farofa), criação de cena, roteiro estapafúrdio, atuações caricatas, figurinos extravagantes e doses cavalares de “terrir” com pitadas de humor politicamente incorreto.

Dirigido por Stephen Herek (que não faria mais nenhum filme de terror em sua carreira), a trama é bem simples e eficaz: um grupo de, hã, criaturas alienígenas escapa do asteroide prisão onde elas seriam exterminadas da galáxia de uma vez por todas e vem parar bem em nosso planeta, aterrissando a nave na fazenda da família Brown, no Kansas, composta pelo pai Jay (Billy Green Bush), a mãe Helen (Dee Wallace) e os filhos, a adolescente April (Nadine Van Der Velde) e o ruivo Brad (Scott Grimes – que parece um clone do Ferrugem). Dois caçadores de recompensas interplanetários que possuem capacidade transmorfa são enviados para destruí-los antes que se alimentem.

Os Browns até tentam enfrentar os monstrinhos de olhos vermelhos, mas não são páreos para sua fome voraz, seus dentes afiadíssimos, sua habilidade em se transformar em bolas velozes que pululam pelos cantos e terríveis espinhos venenosos que disparam para sedar suas vítimas. Mas talvez a característica mais marcante dos critters, como são conhecidos, é seu sarcasmo e humor ácido. Além do apetite pela destruição, fica muito claro que eles gostam mesmo é de sacanear, de trollar com suas vítimas, com uma atitude desagradável e piadinhas jocosas que fazem entre si usando sua linguagem gutural própria.

Badass espaciais

Badass espaciais

Além disso, os caçadores de recompensa também estão pouco se lixando com a Terra e com a cidadezinha alvo dos critters, porque munidos de seus trabucos de plasma, destroem a igreja, o boliche e praticamente acabam com a casa dos Brown, na tentativa de se livrar dos infames alienígenas de uma vez por todas. Como eles precisam adquirir uma aparência humana para sua caçada, um deles assume a forma de um cantor de hard rock tipicamente anos 80, chamado Johnny Steele, com seu one hit wonder “Power of the Night” cujo clipe passa em todos os canais desse sistema solar e de outros, e o outro, nunca consegue se decidir sobre nenhum deles, passando pelo policial atropelado, pelo reverendo e por último por Charlie, o bêbado maluco da cidade, que recebe transmissões de frequências extra-terrestres em suas obturações e ajuda o pequeno Brad a destruir a nave das criaturas na sequência final, transformando-se em um improvável herói.

Algumas figurinhas bem conhecidas do cinema estão presentes em Criaturas, como Dee Wallace (Dee Wallace Stone na época) que é facilmente reconhecida pelos fãs do horror por ter participado de filmes como Grito de Horror e Cujo e um jovem e yuppie Billy Zane, pré Twin Peaks e antes de ter feito a bomba O Fantasma e o insuportável Titanic. Já os critters foram criados pelos irmãos Chiodo e equipe, aqueles mesmos que dirigem o clássico trash Palhaços Assassinos do Espaço Sideral.

Criaturas não foi um grande sucesso de bilheteria da New Line Cinema, mas mesmo assim virou franquia, dando origem a mais três continuações, incluindo aí o igualmente ótimo Criaturas 2 e o debute de Leonardo DiCaprio nas telonas em Criaturas 3. O grande diferencial mesmo do original para as sequências, é que mesmo com todo o clima pastelão e estereotipado, ele ainda mantem certa dose de terror e confinamento, tendo várias cenas de suspense quando os alienígenas encurralam e atacam a família Brown. Os demais, ele já parte de vez para o escracho e tosquice de vez.

Também conhecido no Brasil como A Hora das Criaturas, foi febre nas videolocadoras, um dos campeões de reprise da TV aberta brasileira e vira e mexe ainda passa em algum canal da TV a cabo para animar aos saudosistas de plantão.

Para os critters, a zueira não tem limites!

Para os critters, a zueira não tem limites!

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Criaturas:

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de Criaturas aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. […] Corman de filmes como Galáxia do Terror e XB: Galáxia Proibida e também tem em sua filmografia Criaturas, a quarto e quinta parte de A Hora do Pesadelo e Abominável Criatura, aquela bisonhice baseada na […]

  2. […] uma daquelas sequências bem bacanudas! Arrisco-me a dizer que é tão divertida quanto o primeiro Criaturas, lançado dois anos antes e que nos apresentou àquelas adoráveis bolas de pelos carnívoras […]

  3. […] e efeitos especiais dos Critters, as simpáticas e carnívoras bolas de pelos alienígenas de Criaturas. E o filme ainda, pasmem, teve um orçamento de dois milhões de dólares. Vai perguntar com […]

  4. […] os criadores do visual dos monstrengos e responsáveis pelos efeitos especiais do primeiro Criaturas, os irmãos Chiodo, aqueles mesmos de Palhaços Assassinos do Espaço Sideral. Então no quesito […]

  5. […] de recompensas amigo e mentor de Charlie (aquele que copiou a forma de um roqueiro poser em Criaturas), agora um corrupto homem de negócios e um vilão […]

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