519 – A Noite das Brincadeiras Mortais (1986)

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April Fool’s Day

1986 / EUA / 89 min / Diretor: Fred Walton / Roteiro: Danilo Bach / Produção: Frank Mancuso Jr. / Elenco: Jay Baker, Pat Barlow, Lloyd Berry, Deborah Foreman, Deborah Goodrich, Tom Heaton, Amy Steel

 

Ah, o que os anos 80 não fizeram conosco… Ter crescido naquela década maravilhosa rendeu a mim e a uma cambada de gente da minha geração um sentimento nostálgico e saudosista fortíssimo sobre certos filmes que vistos posteriormente mostram-se uma verdadeira draga. Esse é o caso de A Noite das Brincadeiras Mortais.

Mas eu lembro bem ainda no limiar do nascimento do meu senso crítico cinematográfico que a primeira vez que vi A Noite das Brincadeiras Mortais na Tela Quente da Rede Globo (tem até a chamada do filme aqui no Youtube) eu já não havia gostado de seu final. Então já vou começar logo neste segundo parágrafo com o ALERTA DE SPOILER, então nem continue lendo o texto se não viu ao filme.

Eu não queria que aquelas mortes fossem de mentira, tal qual o “Primeiro de Abril” que o título original alardeia. Eu era um rapazola fã confesso do Jason, do Freddy e do Michael Myers e queria ver gente sendo trucidada de verdade! Até hoje me lembro do desapontamento pujante quando em seu final todo mundo está vivo e não passava de uma pegadinha do Mallandro.

Facada no estômago!

Facada no estômago!

Hoje em dia minha opinião é exatamente o contrário. Ainda bem que pelo menos existiu esse plot twist no final da fita, porque senão seria um dos filmes mais sem graça que já teria assistido nesses meus 32 anos de existência. Afinal só tem mortes off screen na bagaça. Beira o patético. Tudo bem que depois há a fatídica sequência de corpos sendo encontrados assim como algumas cabeças de borrachas decepadas (não que a maquiagem coopere muito também), mas nada que sirva de mérito.

Fora isso, A Noite das Brincadeiras Mortais é mais um slasher safado do período produzido exatamente por Frank Mancuso Jr. para a Paramount Pictures, que tentava desesperadamente levar mais jovens para o cinema e arrecadar mais alguns tostões explorando a fórmula que ajudara a popularizar na série Sexta-Feira 13. Até a loirinha sobrevivente de Sexta-Feira 13: Parte 2, Amy Steel, está no elenco de abestalhados que você torce para serem mortos o mais rápido possível.

A trama logo no início começa querendo despistar o incauto espectador mostrando uma espécie de trauma familiar entre duas irmãs durante uma festa de aniversário, o que poderia motivar alguma psicose vindoura. Logo em seguida um grupo de jovens adultos preste a se formar na faculdade (pelo menos não são sujeitos de 20 e tantos anos emulando adolescentes no high school) são convidados pela anfitriã Muffy (Deborah Foreman) a passar um final de semana em seu casarão numa ilha isolada. Depois de um acidente terrível de barco, onde um dos ajudantes do capitão perde um olho, um a um eles começam a desaparecer e são encontrados mortos futuramente.

#desafiosemmake

#desafiosemmake

Primeiro as suspeitas caem sobre o sujeito que perdeu o olho e quer vingança (como se ele fosse sair tão rápido do hospital, voltar para a ilha e cegueta de um olho fosse caçar um por um, ahan). Depois as pistas são deixadas no decorrer da trama para dar a ideia de que Muffy possui uma irmã gêmea má, Buffy (tipo Rutinha e Raquel) que seria a assassina.

Nada se sustenta, o ritmo de suspense é canhestro, os personagens são uns bobocas que não acrescentam a menor empatia do público, como disse não há uma única morte sendo executada em frente às câmeras, não tem nenhum peitinho de fora, sexo ou uso de drogas, até que em seu final, os dois únicos sobreviventes, Kit (papel da Amy Steel escolada em sobreviver do Jason anteriormente) e seu namorado Rob (Ken Olandt) descobrem que foram vítimas de uma peça pregada por Muffy e seu irmão Skip (Griffin O’Neal), que para não perderem a casa onde cresceram e arcar com seus custos, resolveram abrir uma hospedaria com gincanas de suspense à la Agatha Christie e seus amigos foram cobaias. Todos ali representavam um papel, incluindo o suposto policial, o piloto do barco e o sujeito que perdera o olho, que na verdade é um maquiador. Pífio.

O que vale mesmo como disse é o saudosismo que remete A Noite das Brincadeiras Mortais que faz você lembrar-se da infância, a família reunida na sala na frente da velha televisão de tubo em uma segunda-feira à noite assistindo aos filmes de terror que passavam na TV aberta em pleno horário nobre. Bons tempos aqueles. Acho que se não tivesse vivido isso, essa película seria de tudo descartável.

Furou os olhos!

Furou os olhos!

Serviço de utilidade pública:

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Raul Alencar disse:

    Acho impressionante como você se lembra não só do canal onde o filme passou, mas também da sessão.

  2. Paulão Geovanão disse:

    E milagrosamente esse filme ele não assistiu no SBT!

    • Diego disse:

      Se não fosse a lembrança nostálgica , já teria esquecido desse filme, na época que assisti achei bacana, mesmo hoje lembrando apenas de algumas mortes e do famoso final. Com certeza se revisse nos dias de hoje teria outra opinião sobre ele.

  3. The Fox Demon disse:

    Me lembro de ter visto alguns filmes de terror na tela quente . Alien a Ressurreição, Panico 2, olhos famintos, o homem sem sombra… Isso ta cada vez mais raro.

    • Pois é, cada vez mais raro… Mas hoje ainda tem Internet, TV á cabo, Netflix e tudo mais para salvar, pelo menos. Na minha época passavam vários clássicos do terror tanto na Tela Quente, quanto no SBT e claro, na Band.

  4. andre dias disse:

    interessante que na minha época eu achei demais esse filme, depois de muitos anos que baixei pela net pra ver o filme novamente, da pra notar que é um filme bem arrastado e as mortes nem aparece, valeu um pouco pelo final do filme, eu assiti na tv bandeirantes esse filme, se não me engano acho que era o cine trash, nao chega a ser um pessimo filme e mais ou menos, falo galera abraços

  5. simara amarilada de creddo costa disse:

    como faço para assistir o filme

  6. May disse:

    Nossa eu assisti no cine sinistro da band, em 2001 (vai longe kkkkk!!) tinha 13 aninhos. Na época adorei, achei demais… kkkkkk!! É bem fraco, mas lembra uma época mais inocente. Bjos 😉

  7. Antonio Manuel Lopes Amaral disse:

    E pensar que eu assisti todos esses filmes no cinema. Ah, os anos 80! Saudade não tem braços, mas dá um aperto!!

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