522 – As Sete Vampiras (1986)

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1986 / Brasil / 100 min / Direção: Ivan Cardoso / Roteiro: Rubens Francisco Luchetti / Produção: Antonio Avilez, Ivan Cardoso, Flávio Holanda, Cláudio Klabin, Mauro Taubman / Elenco: Andrea Beltrão, Tania Boscoli, Simone Carvalho, Ariel Coelho, Ivon Cury, Nuno Leal Maia, Lucélia Santos, Nicole Puzzi

 

Quatro anos depois de Ivan Cardoso adentrar ao “terrir” nacional em O Segredo da Múmia, o diretor novamente ataca o gênero com As Sete Vampiras, trocando o milenar monstro enfaixado egípcio pelas criaturas noctívagas de longos caninos e apetite por sangue.

Só que pero no mucho. Na verdade As Sete Vampiras é uma verdadeira salada mista de referências do cinema de terror que simplesmente não funcionam como deveria. Apesar do escracho evidentemente ser o objetivo da fita, assim como aconteceu no longa anterior, o resultado acabou saindo muito abaixo do esperado, exatamente por errar muito na mão e focar bem mais na pornochanchada do que na paródia de gênero propriamente dito, que funcionara tão bem em O Segredo da Múmia.

Tudo é exagerado demais, tudo é caricato demais, concordo que esse era o propósito, mas As Sete Vampiras vira um próprio pastiche de si mesmo, que torna-se enfadonho, maçante e nem um pouco interessante para o espectador. Tinha absolutamente tudo para ser uma versão tupiniquim de alguma porcaria de Charles Band, principalmente em sua pobreza trash visual, que deveria ser algo camp, cheio de auto referências do cinema de horror. Mas falha miseravelmente em manter o equilíbrio entre todos esses pontos.

Começa pela confusão do roteiro de Rubens Francisco Luchetti, que escrevera O Segredo da Múmia e também foi roteirista parceiro de Mojica a partir de O Estranho Mundo de Zé do Caixão. Abre com um container sendo retirado da zona portuária do Rio de Janeiro (tendo seu interior devidamente especulado por ninguém menos que Tião “Nojeeeeeeento” Macalé) pelo proeminente botânico Frederico Rossi (Ariel Coelho), contendo um espécime raro de planta carnívora vinda da África, que se alimenta de carne.

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Vampira à brasileira

Na sequência, Alfred Hitchcock em si é esculachado, apresentando o filme ao público em uma dublagem da abertura de um dos episódios de sua famosa série Alfred Hitchcock Apresenta. Além disso, a tema de Psicose de Bernard Hermann é chupinada, assim como aconteceu com O Iluminado. Continuando a tonelada de referências, a planta carnívora ao melhor estilo A Loja dos Horrores de Roger Corman acaba atacando o botânico, em uma cena antológica da podreira trash brasileira, digna da Empire Pictures em seu melhores (ou piores) momentos.

A esposa de Frederico, Silvia Rossi (Nicole Puzzi) também é atacada, mas sobrevive. Reclusa e amargurada com a morte do marido, trancafia-se em sua casa até ser convidada pelo dono de uma boate, Rogério (John Herbert) a ajuda-los nos negócios, que vão mal das pernas. Depois de relutar, resolve aceitar o trabalho no cabaré cirando um balé chamada “As Sete Vampiras”, inspiradíssimo no jeitão Hammer de se caracterizar o morto-vivo. Só que em paralelo a isso, misteriosos assassinatos vêm tirando os cabelos da polícia carioca (melhor momento é quando o delegado fala que o crime deveria ser solucionado, pois eles são a MELHOR POLÍCIA DO MUNDO) já que as vítimas são encontradas sem uma gota de sangue.

O caldo entorna de vez quando Rogério é morto por esse terrível assassino mascarado, e o detetive particular, Raimundo Marlou (Nuno Leal Maia) e sua assistente, Maria (Andréa Beltrão) são contratados para ficar de olho e uma das bailarinas do grupo, enquanto todo o elenco começa a ser morto um a um. O final ainda tem direito a uma reviravolta até que interessante, quando você já perdeu completamente a fé no longa. O grande problema é que a avacalhação é geral. O descompasso da história e a autoparódia frequente atrapalham a fluidez de se conseguir seguir pelo menos uma linha de roteiro minimamente séria, assim como a narrativa confusa e os papéis caricatos de Zezé Macedo, Dedé Santana, Wilson Grey, Colé Santana e do roqueiro Léo Jaime (que assina a trilha sonora do longa com a música tema As Sete Vampiras), entre outros, que não conseguem acrescentar absolutamente nada. Obviamente tem toneladas de garotas peladas e nudez frontal nas mais diversas situações, encabeçadas aí pela sempre sensual Lucélia Santos, típico do cinema brasileiro da época e da própria filmografia de Cardoso.

As Sete Vampiras é aquele típico filme que faz muita gente detestar o cinema nacional. É um verdadeiro desserviço ao gênero no país e um retrocesso ao próprio trabalho de Ivan Cardoso. Porque sabemos muito bem que algo extremamente interessante pode ser feito mesmo com precariedade técnica, de orçamento ou de elenco. Cardoso já provou isso anteriormente e temos aí José Mojica Marins que não me deixa mentir. Mas quando tudo é levado ao cúmulo do esculacho sem propósito, e seus bons momentos e as referências interessantes ficam completamente soterrados, aí fica difícil conseguir defender a classe.

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Filha do Bento Carneiro

Serviço de utilidade pública:

O DVD de As Sete Vampiras não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent aqui


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

3 Comentários

  1. Marcus Vinícius disse:

    Olha, em falta de qualidades tanto em terror quanto em comédia, não deve ser nada comparado com Um Lobisomem na Amazônia, também dirigido pelo Ivan Cardoso e escrito pelo Rubens F. Luchetti (pô, Rubens!). História sem pé nem cabeça, péssimos atores (muitos deles da Globo, frise-se), uma enrolação, maaaaas… gore, nudez, e com direito a um topless da Danielle Winits (yeah), e um número musical do Sidney Magall.

  2. Matheus L. Carvalho disse:

    Eu gosto desse filme.
    É engraçado e repleto de sensualidade e sexualidade.
    Um filme brasileiro Nota 10!

  3. Germano Henriques disse:

    O link tá off! Conserta aí.

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