525 – Vamp – A Noite dos Vampiros (1986)

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Vamp

1986 / EUA / 93 min / Direção: Richard Wenk / Roteiro: Richard Wenk / Produção: Donald P. Borchers / Elenco: Chris Makepeace, Sandy Baron, Robert Rusler, Dedde Pfeiffer, Gedde Watanabe, Grace Jones, Billy Drago

Vamp – A Noite dos Vampiros é um subestimado filme do gênero. Longe do patamar dos grandes clássicos, mas definitivamente um cult que grita os anos 80 em cada frame da película, é mais um “terrir” vampiresco da década (que tem como seu maior exemplo A Hora do Espanto), que viria até a servir de muita influência para produções vindouras, como obviamente, Um Drink no Inferno da dupla Robert Rodriguez e Quentin Tarantino.

Esteticamente não tem como analisar Vamp – A Noite dos Vampiros sem esbarrar no visual exagerado e estereótipos da década de 80. O que hoje é datado e cafona, na época era um verdadeiro desbunde e talvez se você não viveu aquele período ou não é fã daquela estética de alguma forma, a fita soe enfadonha e fraca. Mas caso contrário, é uma delícia rever aquele senso de humor caricato, rapazes de mullets vestindo blazer de ombreira, strippers de cabelo frisado usando biquíni asa delta, trilha sonora new wave e jogo de cores puxado para o azul, verde e rosa.

E claro, tudo isso sem contar a presença da exótica Grace Jones, atriz, modelo, cantora e um dos símbolos sexuais da época. Ela dá vida, mesmo sem ter uma única linha de diálogo e completamente descaracterizada, à Katrina, a vampira-mor vinda desde o Egito Antigo que é a grande atração exuberante daquele clube de strip tease infernal localizado em uma cidadezinha erma, que funciona como chamariz para os solitários e deprimidos homens que servirão de fonte de sangue para todas as criaturas da noite que trabalham no staff.

Mal encarado

Perdeu, playboy…

Dois garotões, Keith (Chris Makepeace) e AJ (Robert Rusler) querem entrar para a fraternidade de uma universidade e o ritual de iniciação é trazer alguma stripper para se apresentar em uma festa. Eles se juntam ao bobalhão Duncan (Gedde Watanabe) que é o cara sem amigos que possui o carrão, dinheiro e cartões de crédito para pegarem a estrada rumo ao deserto e irem atrás de um clube que descobriram em um anúncio.

Eles param em uma cidade praticamente deserta no Kansas, arrumam confusão com um bando de punks, chefiados por Snow, personagem do naipe Billy Drago, em uma lanchonete e depois encontram o tal clube de strip. Encantado pela beleza hipnótica emanada pela performance de Katrina, AJ tenta contratá-la, quando acaba virando vítima da moça, que se transforma em uma deformada criatura com seus longos caninos e maxilar saliente.

Acontece que na verdade a morte de AJ se mostra um erro, pois diferente do perfil dos tiozões solitários e caminhoneiros sem família que frequentam o local, o rapazola estava com dois amigos, que então começam a ser caçados para que a máscara vampírica do local não caia. Keith tem de fugir por sua vida naquela cidade infestada de mortos-vivos, incluindo uma criancinha sinistra que adora voar na jugular das pessoas, com a ajuda da garçonete Allison (Dedee Pfeiffer – irmã gracinha da Michelle) que trabalhava a pouco tempo no local e tinha uma quedinha pelo garoto no colegial.

Sanguessuga

Sanguessuga

Inclusive uma das coisas mais bacanas da fita é a constante desconfiança de que ela também seja uma vampira e como o diretor Richard Wenk (que também escreveu o roteiro baseado em uma ideia sua e do produtor Donald P. Borchers) brinca com o espectador em todo momento. Também temos dois personagens excêntricos do clube, que são carniçais de Katrina: o gerente Vic (Sand Baron) que a qualquer custo quer levar o clube para Las Vegas e é chegado em comer umas baratas e o leão de chácara, Vlad (Brad Logan), apaixonado por Katrina, que valem os momentos em que aparecem em cena.

Três pontos altos e memoráveis de Vamp – A Noite dos Vampiros merecem nota: Quando Katrina se revela uma vampirona e dilacera a jugular de AJ após seduzi-lo; quando o mesmo retorna como vampiro e resolve bater um papo com Keith pedindo para que seja sacrificado; e terceiro, a batalha final contra a rainha das trevas nos esgotos e sua última ação após ser derrotada.

Como disse lá em cima, Vamp – A Noite dos Vampiros não é o melhor filme das criaturas notívagas de longas presas de todos os tempos, mas é bastante divertido e cheio de clichês que funcionam como paródia do próprio gênero, algo bem típico das produções daquela época. Vale também pelo saudosismo, como quase todos os casos em filmes como esse.

Slave to the darkness

Slave to the darkness

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

9 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    E assim nos despedimos de 1986. E que venha 1987, um ano bem melhor pro gênero.

  2. Impossível olhar para Grace Jones nesse filme e não pensar que ela foi inspiração para a Timbalada.

  3. cutrim disse:

    eu gostava desse filme não dava medo mas era divertido

  4. […] (que trabalhara na equipe de Kevin Yagher e de Stan Winston e tem em seu currículo Dia dos Mortos, Vamp – A Noite dos Vampiros, Aliens – O Resgate, O Escondido, Dois Olhos Satânicos, a refilmagem de A Noite dos Mortos-Vivos […]

  5. Gustavo Mattiuz disse:

    todos os links estão quebrados ):

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