532 – Os Garotos Perdidos (1987)

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The Lost Boys

1987 / EUA / 97 min / Direção: Joel Schumacher / Roteiro: Janice Fischer, James Jeremias, Jeffrey Boam / Produção: Harvey Bernard; John Hyde, Mark Damon (Coprodutores Executivos); Richard Donner (Produtor Executivo) / Elenco: Jason Patric, Corey Haim, Dianne West, Bernard Hughes, Edward Herrmann, Kiefer Sutherland, Jami Gertz, Corey Feldman

 

Clááááááááássico da Sessão da Tarde! Os Garotos Perdidos é talvez o filme de vampiro que mais tenha marcado a minha geração. Afinal, como já diz a tagline do mesmo: dormir de dia e festejar à noite, nunca envelhecer e nunca morrer. É demais ser vampiro!

E eram demais mesmo aqueles vampiros punks góticos liderados por David (Kiefer Sutherland) que faziam suas vítimas nas noites da decadente praia de Santa Carla. E outro detalhe que torna o filme tão querido é que além dos momentos soturnos da vampirada (embalados pela música de Echo & The Bunnymen) ainda há todo o drama adolescente de aceitação e as peripécias da duplinha querida dos anos 80: Corey Haim e Corey Feldman (que junto com Jamison Newlander formaram a inesquecível dupla caçadora de vampiros mirins Irmãos Frog). E isso sim era filme de vampiro para adolescente, não umas aberrações que vimos por aí ultimamente criados por uma mórmon acéfala.

Certamente o sucesso de Os Goonies catapultou a realização de Os Garotos Perdidos. Richard Donner, diretor do outro clássico da Sessão da Tarde aqui é o produtor executivo, que entregou a direção a cargo de um jovem Joel Schumacher (por ter optado em dirigir Máquina Mortífera) o qual ainda nem passava pela cabeça acabar com a imagem do Batman nos cinemas. Trocaram-se os piratas e a aventura para toda a família, para as criaturas das trevas, completamente imersos nos aspectos culturais e (principalmente) visuais da década de 80 (com os vampiros e suas jaquetas de couro, óculos de aros redondos e Wayfarers e brincos em uma orelha só).

Ninguém se mete com a CTU, não, espere...

Ninguém se mete com a CTU! Não, espere…

Na real, a ideia original escrita por Jan Fischer e James Jeremias realmente previa que os heróis seriam garotos da 5ª série à la Goonies, com os irmãos Frog sendo gordinhos escoteiros e por aí vai. Schumacher detestou, fez pressão nos produtores e só assinou o contrato para dirigir se fossem alterados para adolescentes e tornassem os personagens mais sexys e interessantes. Detalhe que ele foi a segunda escolha após o declínio de Donner. Mary Lambert deixou a cadeira de diretor vaga por “diferenças criativas”.

Na verdade o principal aspecto que pode se acrescentar no universo dos vampiros foi a questão deles andarem em tribos. O status quo dos vampiros popularizado muito pela Hammer a partir dos anos 50 mostrava a criatura das trevas como um ser solitário, que vivia rodeado de seu aparato gótico costumeiro. Nos anos 70, a primeira quebra de paradigma veio ao trazer o morto-vivo para o meio da sociedade moderna, mas ainda assim limitados a um criador e uma criatura (ou servo), mas foi só nos anos 80, e principalmente em Os Garotos Perdidos, que ele se juntaram em bando para caçar, se divertir, viver um estilo de vida anárquico e cultural e até ditar moda.

Na trama, Lucy (Dianne West) muda-se para a cidade costeira da Califórnia com seus dois filhos, o jovem rebelde Michael (Jason Patric) e o pré-adolescente Sam (Haim) para viver com seu pai, o Vovô (Barnard Hughes) na tentativa de reconstruir sua vida após o divórcio. Acontece que logo Michael se sente atraído pela cigana Star (Jami Gertz) que anda na companhia de David e seus vampiros. O rapaz para tentar se encaixar acaba entrando para a gangue de motoqueiros e não tarda para ser transformado em um chupador de sangue. Os únicos que poderão combater o terrível mal que nunca morre são os já citados irmãos Frog, Edgar (Feldman) e Alan (Newlander), nomes batizados em homenagem ao Edgar Alan Poe, claro.

Morte a todos os vampiros!

Morte a todos os vampiros!

Claro que ninguém acredita nos dois, muito menos Sam. Mas quando ele descobre que seu irmão se transformou em um vampiro, mas diferente dos demais, um vampiro de bom coração que não quer matar humanos e deixar se levar pela maldade, se junta aos Frog, munidos de crucifixos, água benta e alho, na busca pelo vampiro mestre, aquele responsável por transformar toda a corja, uma vez que se ele for destruído, o efeito se dissipará e Michael voltará ao normal.

Mas claro que como estamos na famigerada década o possível horror e o gore de Os Garotos Perdidos foi posto completamente de lado para se enquadrar naquele padrão de filmes mais leves da década. Mesmo que recheado de humor negro, com o visual assustador do grupo de vampiros e um ou outro clima sombrio de suspense, é tudo em nome diversão e dos baldes de pipoca até seu final. Não que seja um demérito, pois acabou sendo conduzido de forma muito competente por Schumacher.

Sucesso absoluto, faturando mais de 32 milhões de dólares de bilheteria, Os Garotos Perdidos tornou-se um filme cultuado por toda uma geração, retrata perfeitamente os anos 80 (para o bem e para o mal), e continua angariando novos adeptos até hoje. Quanto as suas continuações caça-níqueis direto para o DVD mais de vinte anos depois, me poupo de qualquer comentário (até porque nunca tive o desprazer de assisti-las também).

Calada noite preta

Calada noite preta

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Pedro Luiz disse:

    Cara, faz muito tempo que acompanho seu blog, e só agora comento, pura preguiça. esse ano de 87 só tem filmão ein. Garotos perdidos realmente é um clássico da minha adolescencia e mostra como pode existir filmes de vampiros para adolescentes sem purpurina e viadagens em geral. Continue com seu excelente trabalho. Parabéns.

  2. diego disse:

    Ainda lembro quando gravei Os garotos perdidos da Tela quente. Bons tempos…

  3. Andrigo Mota disse:

    People are strange when you are strange, faces look ugly when you are alone. Cláassico.
    Chupa crepusculo.

  4. […] no ano de 1987, prolífico para os chupadores de sangue, mesmo ano de lançamento de Os Garotos Perdidos, Quando Chega a Escuridão possui razoavelmente a mesma temática de seu irmão dirigido por Joel […]

  5. […] outros seres das trevas, obviamente inspirados no visual gótico pós-punk que fez tanto sucesso em Os Garotos Perdidos no ano anterior: Belle (Russell Clark) é um vampiro poser que anda de patins, Bozworth (Brian […]

  6. Clássico dos clássicos. Quantas vezes eu assisti, perdi as contas. E valeu por disponibilizar os filmes em boa qualidade. Nessas épocas de alta definição, ver qualquer coisa em qualidade inferior a 720p é inaceitável. xD

  7. Diego/RS disse:

    Cara, e o final??
    Com o vovô, (que durante todo o filme era meio sequeladão, fora do ar, se não me engano), após adentrar o recinto do nada e quebrar tudo, lançando aquela sua pérola? : )

    Um dos mais antológicos da história do cinema!! (ou ao menos da história do cinema de terror de sessão da tarde!) hehehe

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