546 – Vestida para a Vingança (1987)

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Hello Mary Lou: Prom Night II

1987 / EUA / 97 min / Direção: Bruce Pittman / Roteiro: Ron Oliver / Produção: Peter Simpson; Ray Sager (Coprodutor); Ilana Frank (Produtor Associado); Peter Haley, Peter Simpson (Produtores Executivos) / Elenco: Michael Ironside, Wendy Lyon, Louis Ferreira, Lisa Schrage, Richard Monette, Terri Hawkes

 

Lembra do filme slasher vergonha alheia A Morte Convida Para Dançar, com a Scream Queen, Jamie Lee Curtis, lançado em 1980? Esqueça! Vestida para a Vingança é uma continuação (sem ligação nenhuma, BTW) que só usa o nome do primeiro filme (Prom Night) e não tem absolutamente nada a ver com o original. Mas quer saber, esse é um dos raríssimos casos na história do cinema de terror em que a sequência é melhor!

Tudo bem que não é muito difícil ser melhor que A Morte Convida Para Dançar, mas o caso é que aqui, passados sete anos e uma verdadeira enxurrada de filmes slasher no cinema, todos parecendo CTRL C+CTRL V um dos outros, ao invés de ir por um caminho fácil de mais do mesmo, os produtores resolveram transformar o filme em um longa sobrenatural, que por diabos, ficou muito legal.

O ambiente é o mesmo, o high school americano com seus jovens de 20 e poucos anos se passando por colegiais. O evento fatídico é o mesmo, o tal baile de formatura. O motivo da matança também é o mesmo em quase todos esses filmes sobre o festejo da graduação: vingança. Isso já está até no título em português! Só que o filme traz à vida uma personagem (e um nome) que misteriosamente ficaria gravado no imaginário coletivo dos fãs de terror: Mary Lou Maloney, principalmente aqui no Brasil por conta da sua terceira parte, exibida na Tela Quente e em diversas reprises na Rede Globo naquela época áurea do gênero na emissora do plim plim.

Eu tinha, uma rainha do baile, que se chamava Mary Lou

Eu tinha, uma rainha do baile, que se chamava Mary Lou

Mary Lou Maloney é uma safadinha, vivida por Lisa Schrage, que foi coroada rainha do baile lá no ano de 1957, mas adorava meter um par de chifres em seu namorado, Bill Nordham, com Buddy Cooper, o amante. Na própria festa ela dá um pé na bunda de Bill e tira uma com a cara dele, e o sujeito louco de raiva e de ciúmes, resolve pregar uma peça na coitada, que dá mortalmente errado e acaba incendiando a moça, que morre carbonizada.

Trinta anos se passa e aparentemente nada aconteceu com Bill, afinal ele SE TORNOU O DIRETOR DA MESMA ESCOLA (!!!!), agora interpretado por Michael Ironside. Ele tem um filho, Craig (Louis Ferreira) que namora a loirinha Vicki Carpenter (Wendy Lyon), moça que tem uma mãe religiosa fundamentalista que quer obriga-la a ir com o vestido mais carola no baile e não a quer perto de garotos. Calma que essa é uma das muitas referências, plágio ou whatever, de Carrie – A Estranha.

Sem grana para comprar um vestido melhorzinho, Vicki vai ao depósito de figurinos da escola e encontra um baú com os pertences de Mary Lou. Vestindo seu suntuoso vestido azul, ela (sabe-se lá como) revive o espírito vingativo da moça que passa a possuí-la, fazendo com que ela tenha seu mesmo comportamento abusado, fale suas gírias demodê dos anos 50 (como o infame: “see you later, alligator”) e claro, comece a matar gente com seus poderes sobrenaturais.

Saindo do armário

Saindo do armário

O único que desconfia que Vicki agora é Mary Lou é exatamente Bill Cooper, que agora é o Padre Cooper (Richard Monette) que até tenta uma espécie de ritual para exorcizar o espírito zombeteiro da lambisgoia assassina, mas que não dá muito certo não. Fato é que Mary Lou só quer se divertir, se vingar e ganhar o concurso de Rainha do Baile, afinal, teve seu sonho interrompido enquanto virava churrasquinho humano no passado. E Bill, agora apavorado, quer se livrar novamente da moça.

ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. O baile é o ponto alto do filme (quer dizer, tirando a cena de nu frontal de Wendy Lyon perseguindo a amiga no vestiário feminino), principalmente a transformação definitiva de Wendy, que é rasgada ao meio para o surgimento da carbonizada Mary Lou usando seus poderes paranormais para arrebentar com o baile (qualquer semelhança com Carrie – A Estranha de novo não pode ser mera coincidência). O final reserva dois momentos de surpresa: o primeiro quase estraga o filme, quando depois de ser partida ao meio, Wendy aparece ali intacta dentro do baú no porão, salva pelo mocinho. Quando você quer jogar o sapato na tela, mais no final ainda, o espírito de Mary Lou passou para o diretor Nordham que dá uma carona para seu filho e a loirinha e deixa aquela conclusão em aberta sobre o que aconteceu com o casal de pombinhos.

Claro que estamos falando de um filme B, mas Vestida para a Vingança é um filme beeeeeem legal, tem suas mortes bacanas, efeitos especiais datados deliciosos e funciona como aquele belo retrato de uma época tão característica. Além de ser uma homenagem ao gênero em geral, com várias citações ao clássico O Exorcista e também com o uso do sobrenome de diretores do cinema de horror como sobrenome dos personagens (Vicki Carpenter, Kelly Hennenlotter, Jess Browning, Sr. Craven, e por aí vai).

Passou do ponto

Passou do ponto

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Vestida para a Vingança não foi lançado no Brasil

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

6 Comentários

  1. M. Myers disse:

    Acho que tem uma explicação pra se usarem atores de 20 anos como adolescentes. Nesses slashers tem sempre o casal que vai se pegar, e geralmente tem nudez, linguagem obscena, e também o uso de drogas (coisas que atraíam o assassino, sabe). Então os pais conservadores da época dificilmente deixariam os filhos menores de idade serem expostos a essas coisas, então era mais fácil usar atores adultos. Essa é minha teoria.

    • É isso mesmo, Vinicius. Mas que fica tosco aquele bando de “velho” fazendo papel de adolescente no high school, ah fica!

      Obrigado por comentar.

      Abs

      Marcos

      • Nem tanto porque os pais proibiam. É mais porque os envolvidos no filme não queriam depois imbróglios envolvendo a lei, visto que tudo isso (drogas, nudez e etc.) são totalmente proibidos para menores de 21 anos, que é a idade em que alcançam a maioridade civil por lá. xD

        • Mas então eu me pergunto: porque cargas d’água não faziam os filmes com a galera no college ao invés do higschool? Tá certo que no caso de um baile de formatura não ia adiantar, mas todos os outros slashers com o povo de seus vinte e poucos cursando o ensino médio é dose…

  2. luiz beagle disse:

    lembro que assistia muito a parte 3 e me amarrava,como não tinha visto a parte 2 vou baixar agora e assistir,muito obrigado!

  3. Ptiscilla disse:

    Nossa!!! Adoro esse filme. Bem que podia rolar resenha da parte 3 que por sinal adoro tb. Mary Lou coloca todas as mocinhas no chinelo.

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