549 – Brinquedo Assassino (1988)

Child’s Play

 1988 / EUA / 87 min / Direção: Tom Holland / Roteiro: Don Mancini, John Lafia, Tom Holland / Produção: David Kirschner, Lauro Moskowitz ((Produtora Associada), Elliot Geisinger (Co-Produtor Executivo), Barrie M. Osborne (Produtor Executivo) / Elenco: Catherine Hicks, Chris Sarandon, Alex Vincent, Brad Dourif

 

Ah, os anos 80… A charrete que perdeu o condutor. Só mesmo nessa saudosa e frutífera década para o cinema de terror, que um filme como Brinquedo Assassino poderia ter feito tanto sucesso, e mais que isso, ter gerado uma franquia e colocado mais um personagem clássico na calçada da fama do horror: o boneco Chucky.

É engraçado analisar um filme desses depois de tanto tempo, quando já se está com trinta anos nas costas, e parar para pensar: como diabos uma geração inteira ficou com medo daquele boneco feio para cacete, e como aquele filme tosco conseguiu se tornar tão querido por nós?

Talvez porque naquela altura do campeonato, no final dos anos 80, realmente era assustadora a ideia de um brinquedo estar possuído com a alma de um assassino psicopata e tentar matar seu dono, que é um simples garotinho inocente. Afinal, quem lembra da lenda urbana do boneco do Fofão com um punhal em seu interior? Hein?

Boa noite, Ferrugem!

A história de Chucky nada mais é que um slasher movie com pitadas sobrenaturais. Charles Lee Ray (Brad Dourif, que emprestaria sua voz ao boneco em todas as continuações que vieram depois) é um serial killer que anda assustando a cidade de Chicago com suas mortes violentas. O filme começa com o detetive da divisão de homicídios Mike Norris (Chris Sarandon, o vampiro bonitão de A Hora do Espanto) perseguindo Lee Ray, ferindo-o e encurralando-o em uma loja de brinquedos. À beira da morte, sem lhe restar muito escolha, Charles que era um praticante de magia negra, transfere sua alma para o boneco, não antes de jurar de morte aqueles que lhe traíram, como seu comparsa, e o próprio policial.

Acontece que esse boneco é um boneco Bonzinho (excelente trocadilho!!!), que mais parece com o anão Ferrugem, e é um personagem de uma famosa série de desenhos da TV que a criançada adorava naqueles dias. E Andy Barclay (Alex Vincent), menino órfão que mora com a mãe viúva Karen Barclay (Katherine Hicks), quer porque quer de qualquer jeito um desses bonecos. Como ele é muito caro, custa 100 paus, a mãe dele não consegue comprar, o que acaba frustrando seu aniversário. Mas eis que ela descobre um mendigo, no fundo da loja onde trabalha, que encontrou um desses bonecões e vende a ela por menos da metade do preço de loja. E esse é o boneco com a alma de Charles, o Chucky para os íntimos (já que Chucky é um diminutivo para Charles nos EUA).

Logo o boneco vivo começa a sua vingança e escolhe uma série de vítimas para praticar seus atos horrendos, sendo que a culpa acaba caindo na criança, afinal ninguém acredita nele quando diz que Chucky conversa com ele. Isso se chama esquizofrenia. Mas a mãe de Andy acaba descobrindo que o brinquedo tem vontade própria, quando percebe que ele está funcionando sem as baterias.

Brincadeira de criança, como é bom...

Brincadeira de criança, como é bom…

Há de se tirar o chapéu para Chucky. Ele é um personagem com uma baita personalidade forte e humor ácido. É uma mistura de plástico entre Jason Voohrees e Freddy Krueger. Afinal ele é a única coisa que salva o filme, e os efeitos animatrônicos do boneco são bastante decentes e realistas (foram usados nove bonecos diferentes, além de uma criança). A dupla de atores, Sarandon e Catherine Hicks estão péssimos, sem a menor sinergia, o roteiro é raso demais e aquele garoto então, o Andy, interpretado por Alex Vincent, é IN-SU-POR-TÁ-VEL!!! Aquele jeito meloso como ele fala, Deus… Dá vontade de vê-lo morto logo no primeiro ato. Por isso você torce para o boneco, e por isso ele fez tanto sucesso ao longo dos anos. Era sempre o melhor que se tirava de proveito em todos os filmes da série.

Tom Holland, que já havia anteriormente feito um filme de terror divertido, A Hora do Espanto, dessa vez até tenta se levar a sério demais, e acha que realmente está entregando um filme assustador de humor negro. Não, amigo. Você não está. Mas que o filme desperta um baita saudosismo, ah isso desperta.. Pura questão emocional. Assista ele novamente depois de velho e você vai entender o que estou falando. E vai, ele tem seu mérito de imortalizar mais um personagem de terror. Afinal, hoje em dia todo mundo conhece o boneco Chucky e na época ele realmente tirou o sono da molecada e foi responsável por vários bonecões assustadores irem parar na lata do lixo.

O segundo e o terceiro filme são bombas históricas. Por continuar tentando se levar a sério demais. E eis que surgem os dois melhores filmes da franquia: A Noiva de Chucky e O Filho de Chcuky, parodiando as intermináveis sequências dos filmes de monstro da Universal da década de 30. De uma vez por todas o filme assume seu viés cômico, porque nada mais resta na ideia de um boneco assassino possuído pelo espírito de um macumbeiro, e deixa de lado a eterna busca em encontrar uma vítima para transportar sua alma de volta, e cai no escracho de uma vez por todas. Ainda recentemente, Don Mancini, o criador do boneco lançou direto para DVD um reboot/remake/sequência/whatever da série, tentando recuperar essa aura de filme “sério” em A Maldição de Chucky, de 2013, que é uma verdadeira porcaria.

Mete mais medo que o boneco do Fofão

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Brinquedo Assassino:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=YLHT9hrZBok]

Serviço de utilidade pública:

Compre o DVD de Brinquedo Assassino aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=imYvOgyU9oo]


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Leia a minha resenha sobre Brinquedo Assassino aqui. […]

  2. “como aquele filme tosco conseguiu se tornar tão querido por nós?”;
    “Tom Holland, que já havia anteriormente feito um filme de terror divertido, A Hora do Espanto, dessa vez tenta se levar a sério demais, e acha que realmente está entregando um filme assustador de humor negro. Não, amigo. Você não está.”;
    “E eis que surgem os dois melhores filmes da franquia: A Noiva de Chucky e O Filho de Chcuky (…) exemplos raros de produções que em sua quarta e quinta sequência, são melhores que o original.”.

    Péssimos comentários, campeão, péssimos comentários. Lamentável.

  3. Papa Emeritus disse:

    Eu só gosto do 1 e do 2. Do 3 pra frente eu odeio todos. E no filme “A Maldição de Chucky” só gostei da cena pós-crédito, hehehehe.

  4. Marcus Vinícius disse:

    Clássico-mor dos filmes de boneco assassino. Algumas cenas das versões comédia me encheram de medo quando vai numa TV pequenininha. Mas vale por por no mundo o medo de bonecos, junto com Na Solidão da Noite, Bonecas Assassinas, e até um filme menos conhecido do Boris Karloff, “House of Evil” de 1968, que nem deve ser conhecido no Brasil, mas gostaria de ler sobre ele na terceira fase do blog.

  5. Andrigo Mota disse:

    Bom filme! Minha patroa se cagava quando criança. O que vale é a diversao e os sustos e isso proporcionava.

    Ja o resto da franquia, joga no mato que é ruim pa caraleo

  6. […] Holland acabou não voltando para direção desta vez, por estar envolvido nas filmagens de Brinquedo Assassino, e a cadeira de diretor foi ocupada por Tommy Lee Wallace (responsável por uma das mais […]

  7. […] O engraçado é perceber que a realização deste filme pareceu ser um processo meio que natural da dupla Charles Band e David Schmoeller. Porque o primeiro trabalho de ambos juntos fora dez anos antes deste lançamento, no decentíssimo Armadilha Para Turistas, que tinha lá seus bonecos de manequim bizarros. Dois anos antes, Band e sua Empire Pictures produzira a trasheira Bonecas Macabras, com Stuart Gordon na direção, que diretamente inspirou a realização de Bonecos da Morte. E nem vou comentar o fato de que Chucky havia arrebatado corações dos fãs de horror no ano anterior em Brinquedo Assassino. […]

  8. […] Assassino 2 traz a fatídica volta do imortal Chucky aos cinemas, dois anos depois do sucesso de Brinquedo Assassino original, de Tom Holland. Don Mancini, criador do adorável boneco possuído pelo macumbeiro […]

  9. Wilson Junior disse:

    Desculpe, mas discordo completamente da sua análise sobre o filme…
    Primeiramente, assisti ao filme quando na infância, devia ter uns 7 ou 8 anos. E claro, como a maioria das crianças, fiquei assustadíssimo, perturbado, e inclusive joguei muitos brinquedos feios na lata do lixo, como você bem falou… Aliás, os maiores medos que tive na infância era justamente, ficar sozinho com algum boneco estranho, graças a esse maldito filme!! Rsrsrs….
    …Enfim, depois de quase 20 anos, assisti Brinquedo Assassino novamente… e continuo com a mesma impressão de antes, na verdade fiquei surpreso com a ótima qualidade e como é bem feito. O filme é chocante e assustador, e pode facilmente perturbar por muito tempo qualquer criança.
    Foi muito bom ver ele já adulto, pois agora é fácil de perceber como este filme aterrorizou toda uma geração. Em minha opinião o filme acerta em tantas escolhas, e tem diversos méritos.
    Em primeiro lugar, o filme acerta ao tentar fazer de toda forma, com que a criança que assista ao filme se coloque no lugar de Andy… O protagonista é inocente, ingênuo, como qualquer menino de 6 anos, e quase não sabe diferenciar a realidade da fantasia… Já Chucky é um baita personagem, e se aproveita dessa ingenuidade e inocência da criança… e para mim esse é o ponto alto da fita… o boneco se aproveitando de sua condição, é realmente cruel e perturbadora, de ser o improvável assassino, usando como refém a mentalidade e a imaginação de uma criança de 6 anos, para atingir seus objetivos macabros.
    Embora tenha gostado da atuação da mãe de Andy (Catherine Hick), principalmente na cena da pilha, provavelmente a mais tensa do filme… Ressalto que não é exigido muito da atriz no filme, cabendo a ela fazer apenas o básico.
    Já os outros atores, realmente não chamam a atenção e não apresentam nada demais, fazem apenas papéis secundários, e sem grande destaque. Na verdade, o filme parece querer se concentrar apenas na relação dos personagens principais, e cabe ao Andy e ao Chucky levarem o filme nas costas, e o fazem, e muito bem…
    Também destaco a forma como o diretor conduz o filme, utilizando muitas vezes o silêncio como forma de assustar o telespectador. Aumentando a tensão levemente, apresentando no começo do longa, apenas situações subjetivas de conversas entre a criança e o boneco, mostrando a verdadeira face do vilão somente na metade do filme.
    Outra excelente sacada é o real, e até hoje presente, merchandising que o mundo corporativo tenta exercer na mente da criança. Enxurrando a mente da criança com diversas propagandas, criando série de desenhos da TV, tentando manipular de qualquer jeito, para que seja comprado o novo brinquedo da moda.
    Desta forma, discordo quando você fala que não consegue ver os méritos de como esse filme foi capaz de aterrorizar uma geração, além de colocar Chucky na calçada da fama dos horrores. E discordo ainda mais quando você diz que os dois melhores filmes da franquia são A Noiva de Chucky e o Filho de Chucky, por assumirem um viés cômico e não se levarem a sério… Aliás não gosto de nenhum filme de terror que não se leve a sério… também não gosto quando alguém elogia um filme de terror por ele ser divertido… Na verdade, quando assisto a um filme de terror, a última coisa que espero, é que ele seja divertido… Mas acredito que isso seja apenas questão de gosto mesmo…
    Mais uma vez, digo como que foi muito bom assistir esse filme novamente… pois geralmente quando vou assistir um filme que gostava na infância, geralmente me decepciono imensamente… e esse foi uma exceção, não me frustrei com esse, muito pelo contrário, fiquei perplexo de como um bom e bem feito filme pode facilmente mexer e abalar qualquer criança.
    Por fim, é óbvio que este filme vai assustar muito mais um garoto de 10 anos de que um adulto de 30 (assim como a imensa maioria dos filmes que existem por aí)… mas acredito, que para um filme ser assustador, é preciso que o espectador presencie o mesmo contexto do filme, é preciso que o espectador não apenas acredite que isso possa ocorrer, mas que a realidade do filme seja no mínimo plausível e coerente com a realidade do espectador. Que as situações impostas pelo filme, possam acontecer a qualquer momento na vida da pessoa. E desta forma esse filme consegue atingir o seu objetivo com maestria, conseguindo facilmente assustar uma geração inteira de crianças, chegando a ser cruel apresentar esse filme a um infanto.
    Sendo assim queria apenas deixar a minha opinião sobre um filme que, de uma forma nada agradável, marcou minha infância. Entretanto hoje consigo ver os méritos para tal feito, e reconheço que o longa é de ótima qualidade, e recomendo para os amantes de filmes de terror…
    No mais, gostei do site, e verei outras análises…

  10. […] Tempo tem o roteiro assinado pelo próprio Stephen King e pelo diretor Tom Holland (aquele mesmo de Brinquedo Assassino e A Hora do Espanto), baseado no seu conto homônimo, “Os Langoliers”, publicado na coletânea […]

  11. […] responsável pelos protótipos ampliados das bocas, ninguém menos que o criador do Chucky de Brinquedo Assassino e do Coveiro da série Contos da Cripta, que estava absurdamente fora do orçamento, mas topou […]

  12. destinodefogo disse:

    Também achei muito injusta a crítica para com um filme que marcou época. E sem contar que o segundo é muito mais terror que o primeiro.

  13. […] 13, A Hora do Pesadelo, O Massacre da Serra Elétrica ou Halloween, a franquia derivada de Brinquedo Assassino sempre teve seu idealizador por trás, escrevendo, dirigindo ou produzindo os longas. Só que dessa […]

  14. […] ser dirigido pelo especialista em efeitos especiais, Kevin Yagher, o criador do visual de Chucky em Brinquedo Assassino e do Coveiro de Contos da Cripta. O primeiro esboço do roteiro e conversas com a Paramount datam […]

  15. […] 05 – Brinquedo Assassino (1988) […]

  16. carlos eduardo disse:

    por favor pode olhar se o dowload ta com poblema esta dando no torrent conectando perrs toda hora

  17. […] de UM FUCKIN’ BONECO QUE MATA POSSUÍDO PELO ESPÍRITO DE UM MACUMBEIRO! Tudo bem que quando Brinquedo Assassino foi lançado lá em 1989, vivíamos a galhofa e o exagero daquela década, e temos uma conta de […]

  18. […] Alex Vincent, o Andy Barclay de Brinquedo Assassino: […]

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