558 – A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos (1988)

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A Nightmare on Elm Street 4: The Dream Master

1988 / EUA / 93 min / Direção: Renny Harlin / Roteiro: Brian Helgeland, Jim Wheat, Ken Wheat / Produção: Robert Shaye, Rachel Talaly; Karen Koch (Produtora Associada); Stephen Diener, Sara Risher (Produtores Executivos) / Elenco: Lisa Wilcox, Andras Jones, Danny Hassel, Rodney Eastman, Tuesday Knight, Ken Sagoes, Robert Englund

 

Estamos lá no ano de 1988 e as sequências dos filmes slasher continuam bombando! Jason Voorhees estrelava sua SÉTIMA parte, Michael Myers voltava uma terceira vez (mas no filme de número quatro) e além disso, Pinhead e Chucky haviam entrado de vez no hall da fama dos movie maniacs. Claro que o titio Freddy, ou melhor, a New Line Cinema, não ficaria atrás e tome A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos.

Nada mais de novo ou original seria visto em uma sequência do assassino queimado de pulôver verde e vermelho e garras daqui em diante. Claramente a franquia entrou em declínio, principalmente criativo, então o jeitão era apelar para mortes oníricas cada vez mais elaboradas (diga-se de passagem, que aqui encontramos algumas das matanças mais inventivas da cinesérie) e um caminhão de efeitos especiais. Foram gastos sete milhões de doletas (o maior orçamento de um filme slasher dos anos 80) e faturou nada menos que mais de 49 milhões, maior bilheteria da franquia.

E não é para menos, o Freddy Krueger era um pop star naquele momento. Eu mesmo lembro da agressiva campanha de marketing do filme até aqui mesmo no Brasil. Lá no fundo da minha memória infantil recordo de comerciais e chamadas passando direto no Gugu no SBT (com destaque para a cena da praia em que Freddy faz as vezes de um tubarão com sua garra sendo a barbatana) e até entrevistas com o próprio Robert Englund! Alguém mais lembra disso ou estou ficando louco?

Exame de sangue

Exame de sangue

Fato é que a única coisa que realmente vale a pena são as cenas de morte. Apesar da luta em manter ainda um pouco do clima sinistro antes de se transformar em um escracho total dali para frente, Renny Harlin, diretor mais conhecido até de filmes de ação (dirigiu Duro de Matar 2, como alardeava a capa do VHS na época), joga os personagens em um turbilhão de situações insólitas nos pesadelos e nos brinda com uma criatividade impar de execuções, que vão desde Freddy sugando todo o ar de uma asmática, afogando um moleque dentro do colchão d’água e a emblemática cena onde uma garota é transformada em barata e esmagada dentro de uma caixa de fósforos.

Lembra lá no final de A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos onde Kristen (vivida por Patricia Arquette, aqui substituída por Tuesday Knight, por conta de sua gravidez), Joey (Rodney Eastman) e Kincaid (Ken Sagoes) eram os últimos filhos da Rua Elm e com o auxilio de Nancy Thompson, derrotaram Freddy e enterraram seus restos mortais em solo sagrado (que é o diabo de um ferro velho)?

Claro que o psicopata não ficaria dormente por muito tempo e voltaria para se vingar dos três, dentro de um pesadelo de Kincaid onde seu cachorro Jason (sim, esse é o espirituoso nome do animal) o ressuscita urinando labaredas de fogo (!!!???). Kristen tem o poder de levar pessoas para dentro de seus sonhos, né, e faz com que Alice (Lisa Wilcox), irmã de seu namorado, Rick (Andras Jones) acabe entrando em um dos seus pesadelos. A pobre garota que tem uma vida difícil com um pai alcoólatra e sente falta da mãe falecida servirá como isca para trazer novas vítimas para Krueger, levando um a um seus amigos para dentro do nefasto universo tétrico do vilão.

La cucaracha

La cucaracha, la cucaracha

Só que conforme cada um deles vai sendo abatido como moscas, Alice passa a desenvolver a sua personalidade, como o poder de Kisten, as artes-marciais de seu irmão (repare na mais patética cena de todo o filme, quando ela começa a demonstrar suas recém adquiridas habilidades com um nunchaku e quando filmada de costas, claramente é um dublê masculino usando uma peruca!!!!), e por aí vai.

No meio dessa matança desenfreada repleta de exagero caricato, tiradinhas sarcásticas (como o famoso “Pronto para um sonho molhado?” na cena da morte no colchão d’àgua) e humor negro, o roteiro escrito a seis mãos por Brian Helgeland e Jim e Ken Wheat ainda tenta se enveredar por um caminho pseudo filosófico existencialista a respeito do mestre dos sonhos, tentando focar no fato de aquele que realmente controla seus sonhos tem o poder, evocando Aristóteles e um monte de outras baboseiras.

No final das contas A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos funciona em seu propósito e já dá o tom decadente do restante da série, que nos entregaria as sofríveis quinta e sexta parte, com Freddy Krueger cada vez mais distante do sombrio estudo psicológico sobre a adolescência, problemas familiares, culpa e depressão imaginado por Wes Craven e sim mais uma máquina de matar que não perde a chance de fazer um chiste antes de enfiar as garras afiadas de alguém.

Freddy hipster

Freddy hipster

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

19 Comentários

  1. luiz beagle disse:

    Bem vamos lá, esse aqui é considerado o blockbuster da franquia,com os melhores efeitos especias e um diretor TOP da época,portanto foi o momento chave onde freddy se tornou um pop star e o auge da freddymania,tem um clima que lembra as comédias adolescentes dos anos 80 a lá ferris bueller,acho os personagens bem cativantes.

    você não está louco em suas lembranças infantis,porém devo fazer uma ressalva:naquela época os filmes demoravam até 2 ou 3 anos para estrearem no Brasil, a parte 4 aportou por aqui apenas em 1990, a feddymania no nosso país durou entre 1990/1992 com seu auge em 91,lembro bem pois o feddy krueger foi o ídolo da minha infância e dos meu amigos de escola, brincávamos de a hora do pesadelo (infância saudável e não virei um psicopata),colecionei o álbum terror em dose dupla (com figurinhas do freddy e do jason),eu tinha revistas posteres da partes 1 e 4,assistia o seriado do freddy que passava no SBT as sextas a noite,fora as reprises que o SBT sempre passava é bem capaz de ter rolado uma entrevista com o robert englund.

    uma lembrança que eu tenho desse filme foi quando o SBT passou a parte 3 no cinema em casa (que era as 4ª feiras a noite) pela primeira vez e todo comercial rolava um teaser e até o trailer da parte 4 que ia estrear na 6ª feira….

    ah e sobre a parte 5 discordo,um pouco de você,ela tentou seguir um caminho inverso com um roteiro mais sério,sombrio,com poucas mortes e seguindo o arco iniciado na parte 3

    • Caraca, Luis. Que baita comentário! Bom conhecer essa galera que também lembra dessas coisas. Eu também tinha o álbum de figurinhas do Freddy e do Jason. Inclusive achei-o outro dia na casa da minha mãe e até postei foto no Instagram. E engraçado, eu brincava de Jason na escola (até comentei isso no meu post sobre o Sexta-Feira 13).

      E também assistia a série nas sextas à noite, rezando para meus pais irem dormir e depois eu poder ver o Cocktail do Miele! hehehehehhehehe

      Também lembro agora de quando passou a terceira parte e teve essa chamada!

      Grande abraço.

      Marcos

      • luiz beagle disse:

        a hora do pesadelo e cocktail toda sexta,brincar de assassino de filme slasher na hora do recreio,colecionar álbum de figurinhas de pessoas mortas,saudades de uma infância sadia, nunca que essa geração frouxa e politicamente correta isso poderia acontecer, estamos vivendo uma “lucianohuckzação” da sociedade..

  2. Andrigo Mota disse:

    infelizmente na minha infancia sempre achei o Fredy engraçado. Terrir total.

  3. Diego Lobato disse:

    Lembro bem tbm desses comerciais, mas discordo acho que a parte 7 tentou voltar ao climão do 1º filme, fora que é a melhor caracterização do Freddy até hoje(aquela bem do final do filme).

  4. Papa Emeritus disse:

    Eu lembro desse programa do Gugu. Hehehe.

    Freddy Krueger era meu herói na infância. Até hoje quando dá vontade eu revejo o primeiro filme (o primeiro da série que eu vi e o meu favorito). Eu gostava das sequências quando era pequeno, mas com o tempo eu fui enjoando. A propósito, eu odiei o remake. Eu queria um Freddy Krueger como no primeiro filme, sádico, assustador e que falava pouco, mas fizeram um Freddy que dialoga com as vítimas (e não adianta dizer que não, podem reparar que em todos os sonhos do Remake o Freddy primeiro tá sempre tentando conversar com suas vítimas). O bom do Freddy no filme original é que ele só falava o necessário, como “Hei, Tina! Olha isso”, ou “Eu vou te pegar”, ou “Vem pro Freddy”, ou “Eu sou seu namorado agora, Nancy”, ou “Vou te partir em dois”. Podem reparar, ele não ficava conversando com as vítimas, ele tinha apenas “frases prontas” e metia as navalhas. Ele também não virava bichinhos, ou super-heróis (quem lembra do Super-Freddy na parte 5? hahahaha). O mundo dos sonhos no filme original eram becos com neblinas, os corredores da escola, as fornalhas, a casa da Nancy. Não tinha nenhum mundinho fantasioso (como teve em outros filmes da franquia). Por isso que pra mim o original é o melhor, é simples, direto, e só isso já faz ele ser assustador (a maquiagem do Freddy no primeiro filme é duh kct, nas sequências as maquiagens pareciam cada vez mais borrachudas).

    • Isso aí foi o processo de “didimocozação” do personagem.

    • Cara, eu sei que sempre sou apedrejado quando digo, mas gosto do remake… Quando chegar a hora eu explico meus motivos em sua devida resenha.

      Mas claro, o primeiro filme é incomparável em todos os seus aspectos.

      • J. Barroso disse:

        Cara, o original concerteza é o melhor de todos. Mas eu simplesmente odiei aquele remake, não gostei tanto da maquiagem do Freddy e também não gostei do ator, e nem mesmo o roteiro me impressionou.

  5. kheo disse:

    nossa esse filme é muito bom… muito bom mesmo recomendo

  6. […] Lado, Os Aventureiros do Bairro Proibido de John Carpenter e a célebre sequência da barata de A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos, voltando até a trabalhar com Yuzna futuramente nas sequências de […]

  7. […] Jsu Garcia, que interpretou Rod, ambos no original e Tuesday Knight, que fez o papel de Kristen em A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos. Só faltou o Johnny Depp! Ou mesmo reedições de cenas como Heather falando um “dane-se seu […]

  8. ANDERSON disse:

    ROLOU A ENTREVISTA SIM, EU ME LEMBRO BEM. FOI NO PROGRAMA “VIVA A NOITE “, DO GUGU LIBERATO , QUANDO O FREDDY JÁ ERA BEM CONHECIDO AKI NO BRASIL.FIZERAM ATE UM CENÁRIO INSPIRADO NO FILME. JA PROCUREI NA NET ALGO SOBRE ESSE PROGRAMA MAIS NUNCA ACHEI NADA.

  9. […] e Videodrome – A Síndrome do Vídeo, de Stan Wiston em O Predador, e mais A Noite dos Demônios, A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos e A Volta dos Mortos-Vivos 3). A parte triste é que não vemos mais Natasha pelada (eu sei, eu […]

  10. Leonardo disse:

    Gosto demais dessa parte 4! Acho divertido e alucinado do começo ao fim… Freddy ressuscitando no ferro velho, a morte no colchão d’água (Que tal este sonho molhado?), Freddy com as seringas na enfermaria, a cena da praia com ele de óculos de sol, a morte na sala de aula, e por aí vai. Usa cores fortes o tempo todo e umá trilha sonora excelente. E a “mulher-barata” foi pra ficar na memória!

  11. […] Line] entraram em contato com Tuesday Kinght, a jovem atriz que substituiu Patricia Arquette em A Hora do Pesadelo 4, e eu fiquei pensando: o que isso quer dizer? Eles não podem considerar em refilmar A Hora do […]

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