56 – A Casa de Frankenstein (1944)

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House of Frankenstein


1944 / EUA / P&B / 71 min / Direção: Erie C. Kenton / Roteiro: Edward T. Lowe, Curt Siodmak (história) / Produção: Paul Malvern / Elenco: Boris Karloff, Lon Chaney Jr., John Carradine, Anne Gwynne, Lionel Atwill, George Zucco, J. Carrol Naish


 

Boris Karloff retorna a franquia que lhe catapultou ao estrelato em A Casa de Frankenstein. Mas dessa vez não mais como criatura, e sim como criador. Além disso, a fita é responsável por enfiar no mesmo balaio de gato os três mais importantes monstros da Universal: o monstro de Frankenstein, Drácula e o lobisomem.

Só faltou mesmo a múmia dar as caras por aqui, nessa verdadeira festa dos monstros malucos. E o Homem Invisível também não foi convidado. Já o Monstro da Lagoa Negra só teria seu primeiro longa lançado dez anos depois. Então aqui temos a nata das criaturas mais tenebrosas do estúdio, todas juntas pela primeira vez.

Pois bem, seguindo mais ou menos uma linha cronológica deixada pelos outros filmes de Frankenstein, que seria o fio condutor para alinhar todos os monstros por aqui, A Casa de Frankenstein começa com o louco Dr. Niemann, vivido por Karloff, cumprindo sentença em uma prisão, por ter sido incriminado por realizar experiências poucos ortodoxas e também roubar cadáveres, assim com o outrora proeminente Dr. Frankenstein. Uma tempestade de raios abre uma passagem na cadeia e Niemann, junto com seu comparsa, o corcunda Daniel (ser corcunda era pré-requisito para ser ajudante de um cientista louco), fogem em busca de vingança e do diário do Dr. Frankenstein, para dar continuidade em seus experimentos bizarros.

Karloff vs Drácula (genérico)

Karloff vs Drácula (genérico)

Na fuga eles conhecem Lampini, um empresário de um circo mambembe que leva para as cidades uma câmara dos horrores itinerante, e sua principal atração é nada mais, nada menos, que o esqueleto original do Conde Drácula, que jaz em sua tumba, com uma estaca enfiada em seu coração. Diz Lampini que os restos mortais foram roubados em sua própria catacumba à beira dos Montes Cárpatos.

Niemann e Daniel matam Lamipini e o cocheiro e assumem suas identidades, partindo em busca de vingança contra aqueles que os colocaram na cadeia, e em sequência, encontrar as anotações de Frankenstein. A primeira parada é para assassinar Carl Hussman, burgomestre da antiga cidade onde Niemann residia. E quem ele vai usar para matá-lo? O Conde Drácula, claro. Niemann retira a estaca do vampiro, que promete servi-lo em troca de manter seu caixão sempre protegido para quando os primeiros raios de sol brilharem e o morto-vivo poder voltar a dormir em segurança. Onde já se viu? Interpretado pessimamente por John Carradine (ah, que saudades de Drácula de Lugosi), o terrível Conde vira capacho de um reles mortal. Mas tudo bem, Drácula suga o sangue de Hussman e depois começa a escapar da polícia local em uma tresloucada perseguição de carruagem (???!!!!) mas acaba sendo enganado por Niemann e vira churrasquinho quando o sol nasce.

Beleza, maneira cretina de colocar o Drácula na história. Como se não bastasse, Niemann e Daniel ainda vão se deparar com o monstro de Frankenstein e o lobisomem, ambos congelados nos escombros da antiga mansão do cientista louco, que foi inundada quando a barragem foi destruída em Frankenstein Encontra o Lobisomem. Larry Talbot, mais uma vez vivido por Lon Chaney Jr., continua amargurado em busca de uma forma de acabar com sua vida de uma vez por todas, e acredita que Niemann pode ajudá-lo. Mas claro que o maléfico cientista quer na verdade descobrir os segredos da vida e da morte e trazer novamente o monstrengão verde à vida (aqui interpretado pelo ilustre desconhecido Glenn Strange).

A turma toda reunida!

A turma toda reunida!

Mas Talbot acaba caindo de amores pela cigana Ilonka, resgatada pelo apaixonado Daniel de um vilarejo, quando estava sendo terrivelmente espancada pelo dono do acampamento. Detalhe que a cena visivelmente é uma homenagem da Universal a O Corcunda de Notre Dame, já que a cigana Ilonka dançando, lembra muito Esmeralda, e desperta a paixão no coração sofrido de Daniel, como aconteceu com Quasímodo. Só que é óbvio que Ilonka vai se engraçar com o homem lobo, ao invés do feiosão torto.

No final, todos os vilões são derrotados e parece que finalmente a paz voltará a reinar na humanidade, sem nenhum monstro para poder tocar o terror nos vilarejos e serem perseguidos pelas turbas enfurecidas. Só que não. Depois de A Casa de Frankenstein, no ano seguinte foi lançado A Casa de Drácula (meu Deus, quando isso vai parar????) e novamente todos as criaturas estarão reunidas para sua derradeira aventura.

A Casa de Frankenstein no final das contas vale muito por ver Karloff voltando a um filme de Frankenstein, deixando de lado a maquiagem pesada e os grunhidos, fazendo agora às vezes do cientista louco que quer controlar a criatura, a qual já viveu na pele um dia.

Eu fui você ontem!

Eu fui você ontem!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] a vergonha alheia não poderia ser maior, eis que o diretor Erle C. Kenton (que já havia dirigido A Casa de Frankenstein), com a ajuda do roteiro de Edward T. Lowe, consegue nos apresentar mais um filme meia boca, com […]

  2. […] e tantos outros filmes da Universal como A Volta do Homem Invisível, O Filho de Drácula e A Casa de Frankenstein, além do clássico de zumbis de Jacques Tourneur, A Morta-Viva. Mas isso não quer dizer muita […]

  3. […] se tornaria uma alegoria, resumindo-se a um simples assassino em O Fantasma de Frankenstein e A Casa de Frankenstein, e chegando até a sair na mão com o lobisomem em um crossover do […]

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