565 – A Passagem (1988)

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Waxwork

1988 / EUA / 97 min / Direção: Anthony Hickox / Roteiro: Anthony Hickox / Produção: Staffan Ahrenberg, Eyal Rimmon; Gregory Cascante, Dan Ireland, William J. Quigley, Mario Sotela (Produção Executiv) / Elenco: Zach Galligan, Jennifer Bassey, Joe Baker, Deborah Foreman, Michelle Johnson, David Warner, Eric Brown

Talvez fosse começo ou meado dos anos 90, se não me falhe a memória. Meu primo certo dia aparece com um VHS da LK-Tel na minha casa, sobre um filme de terror que se passa em um museu de cera. De todas as cenas, uma nos marcou em particular: um lobisomem rasgando uma pessoa no meio, em dois pedaços. O tempo passou e tanto eu quanto ele nunca mais conseguimos lembrar qual o nome deste filme para tentar assistir novamente. Só da bendita cena do lobisomem.

Eis que muitos, mas muitos anos depois, com a Internet e o iMDB por aí para salvar vidas dos fãs de cinema, finalmente descobri qual era o nome do tal filme: A Passagem. Encontrei o torrent para baixar, mas o maldito não tinha a legenda em português. Era uma questão de honra traduzir essa legenda para eu assisti-lo novamente com meu primo. Nesses contratempos do destino, nunca consegui sentar com ele para revermos essa pérola das locadoras de nossa juventude.

Só fui assistir A Passagem novamente na última quinta-feira, há exatamente uma semana, sozinho, para escrever sobre ele aqui no 101. E redescobri porque tinha gostado tanto do filme originalmente. Não é só a fatídica sequência do lobisomem, mas na real, com aquele típico clima dos anos 80, o longa escrito e dirigido por Anthony Hickox é uma belíssima homenagem ao cinema de horror. E um filme bem divertido por consequência.

Uma noite no museu

Uma noite no museu

Começa pelo fato do enredo se passar em um museu de cera. O título original é “Waxwork”, quase o mesmo nome internacional de O Gabinete das Figuras de Cera, um clássico do expressionismo alemão. Um bando de amigos universitários é convidado pelo misterioso dono do museu, David Lincoln, vivido pelo ator David Warner (o padre Jennings, de A Profecia), para a avant première do local, aberto recentemente em uma cidadezinha. O entretenimento obviamente é composto por bizarras e mórbidas figuras em cera de personagens do cinema de terror, e também da vida real, como o Marquês de Sade, por exemplo. Porém, ali dentro os visitantes atravessam uma espécie de barreira dimensional, ou passagem (hein, hein?) que o levam para um verdadeiro conto de terror.

Os dois primeiros a se tornarem vítimas são Tony (Dana Ashbrook – que talvez você lembre como Bobby Brigs de Twin Peaks) e China (Michelle Johnson). O rapaz acaba entrando na dimensão de um lobisomem (vivido por John Rhys-Davis, ou o anão Gimli, da trilogia O Senhor dos Anéis, para os mais chegados), onde rola a cena já supracitada aqui, e a moçoila vai parar em um castelo do Conde Drácula (Miles O’Keefe) onde é obrigada a comer carne crua banhada com sangue e enfrentar o vampiro e suas concubinas do inferno.

Mark Loftomore (Zach Galligan) e Sarah Brightman – não a cantora – (Deborah Foreman) ficam encafifados com o sumiço dos amigos e resolvem procurar a polícia, que não dá a mínima (mas depois resolvem investigar e acabam partindo dessa para uma melhor também) e depois Mark descobre que na verdade seu avô colecionava artefatos das “18 criaturas mais malvadas que já viveram” e Lincoln os roubou, onde por meio de magia negra, trouxe os monstros à vida na forma das figuras de cera, alimentando-as com as almas de suas vítimas.

O tal lobisomem

O tal lobisomem

A lista das 18 terríveis criaturas usadas no filme, além do Drácula, o lobisomem e o Marquês de Sade, já citados são: o Fantasma da Ópera, a Múmia, os zumbis (que aparecem em uma sequência P&B em uma homenagem ao A Noite dos Mortos-Vivos do Romero), o monstro de Frankenstein, Jack, o Estripador, o Homem-Invisível, um sacerdote vodu, uma bruxa, o Homem-Cobra, um casulo de Vampiros de Almas, um bebê mutante (de Nasce um Monstro), um assassino com machado que é uma lenda urbana (originalmente seria Jason Voorhees, ideia dispensada por problemas legais), um alienígena, uma planta carnívora gigante (que devora o anão comparsa de Lincoln) e o Médico e o Monstro. Maior homenagem ao cinema de horror não há!

A Passagem tem toda aquela famosa mistura de comédia com horror tão costumeira nos filmes do gênero dos anos 80, mesclado com cenas de gore muito bacanas (como a sequência dos vampiros, e adivinhe? Do lobisomem) e bons efeitos de maquiagem (que também remetem muito aos moldes feitos durante aquela década), trabalho árduo de Bob Keen que gastava 18 horas por dia durante as oito semanas de filmagem para dar vida aos monstros. Uma curiosidade interessante é que para o papel do Sr. Wilfrid, aquele que auxilia Mark contando a história de seu avô, foram considerados Michael Gough, Christopher Lee, Peter Cushing e Donald Pleasence, todos veteranos conhecidos do fã do horror. O papel ficou com Patrick Macnee.

Terminei de assistir ao filme já era meia-noite de sexta-feira e peguei no sono. Naquela mesma madrugada, meu primo, que era como se fosse meu irmão mais velho, referência para mim em minha infância e adolescência e me ensinou tudo que eu gosto e faço na minha vida, inclusive me introduziu aos filmes de terror e vimos centenas deles juntos, faleceu decorrente de um acidente de moto. Por algum tipo de ironia do destino, o último filme que eu vi enquanto ele ainda estava vivo, foi exatamente A Passagem. Infelizmente não conseguimos vê-lo juntos novamente. Por isso, esse post é em homenagem a ele.

Descanse em paz, Onofre. Seu legado estará vivo para sempre comigo.

Turma do mal

Turma do mal

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Passagem não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

7 Comentários

  1. Celle disse:

    Lamento muito! Força para toda a sua família.

  2. oscar_b disse:

    Me parece bem legal o filme. Pelo visto a ideia das 18 criaturas inspirou bastante o excelente “O Segredo da Cabana”.

  3. Niia Silveira disse:

    Realmente parece ser uma puta homenagem ao gênero e, como ainda não vi, já estou baixando.

    E força aí, Marcos. :/

  4. Minhas condolências, velho. Vou dar uma conferida no filme. Abraço.

  5. Obrigado a todos pelas palavras e pela força! Vocês são os melhores fãs do horror de todos!

  6. Diego Lobato disse:

    Minhas Condolências!!
    Mas com certeza o filme que tem mais referências a filmes de terror por metro quadrado é este aqui…
    https://www.youtube.com/watch?v=yGz2xdQa1ho
    Tão mostrando todas, genial

  7. Sutter Cane disse:

    Cara, em primeiro lugar meus sentimentos …
    Lembro que assisti esse filme depois de uma recomendação na SET, ou na SET – Terror e Ficção.
    A continuação Waxwork II – Perdidos no Tempo (1992), não consegue assistir até hoje. Encontra-se para baixar, mas a legenda disponível no open não está legal … Se você puder ajudar a nação de terror, a gente agradece 🙂
    Um abraço Marcos!

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